setembro 23, 2008

Disléxicos superam dificuldades .


Londrina, 05 de Setembro de 2008. ANO V. Edição nº 150
REPORTAGEM:

TIAGO RAFAEL, 6° SEMESTRE NOTURNO



A dislexia é um distúrbio caracterizado pela dificuldade na decodificação das palavras, leitura e oratória fluente. Ao contrário do que muitos pensam a disfunção não é um problema de ordem visual e sim uma baixa capacidade de formação da fala e escrita no cérebro. Estudos divulgados pela Associação Brasileira de Disléxicos (ABD) revelam que de 10 a 15% da população mundial é disléxica.

Pessoas desinformadas sobre o assunto relacionam as dificuldades dessas pessoas com desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Porém, para os especialistas, o problema é genético e hereditário. Apesar de ter outros talentos, o indivíduo com dislexia apresenta dificuldades para ler, escrever, incapacidade para decorar e copiar textos longos.

Na fase escolar o desempenho nas avaliações não é bom. Mesmo com perfeita audição e visão, o aluno com o distúrbio constrói um currículo acadêmico de fracasso. Na grande parte, a dislexia se manifesta no período da alfabetização, porém, existe uma parcela que descobre a disfunção apenas na fase adulta.

Embora haja tratamento, a dislexia não tem cura, já que não é considerada uma doença. No entanto, um fato que agrava a análise clínica é a dificuldade de diagnosticar o distúrbio. De acordo com o professor de Psicologia e especialista em dislexia, Vicente Martins, para descobrir o transtorno, é necessário uma equipe formada por psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e neurologista.

Para amenizar os desgastes causados pela disfunção, o psicólogo sugeriu que esses quatro profissionais trabalhem juntos. "A dislexia pode se dividir em quatro gêneros e para cada caso se usa um tratamento diferente: intervenções pedagógicas, quando as dificuldades decorrem de métodos de ensino; neurológicas, quando motivadas por questões de déficit de memória, tendo acompanhamento do neurologista cognitivista; ajuda fonoaudiólogica, quando tiver relação direta na articulação dos sons da fala; trabalho psicológico, quando o agravante parte de ordem motivacional", explicou Martins.

Por ser semelhante a outros tipos de disfunções que resultam no déficit de aprendizado, a vítima do transtorno pode passar anos sofrendo sozinha e calada. Prova disto foi o caso da psicopedagoga Elizabete Rodrigues, 48 anos (foto abaixo), do Distrito Federal. Ela recebeu o diagnóstico há três anos. "Descobri que tinha dislexia apenas em 2005 quando estava concluindo meu TCC sobre problemas de aprendizagem. Até então, sofria calada e sozinha. Só tive consciência do que acontecia comigo quando meu emocional já estava totalmente comprometido", disse em entrevista ao ComTexto, por e-mail.

A profissional da educação afirmou que viveu a vida inteira com medo, envergonhada pelos erros ortográficos e a total incapacidade de escrever ao mesmo tempo em que outra pessoa falava. "Por toda minha vida, fui disfarçando meus erros para conseguir viver em um mundo letrado! Até que um dia não agüentei o estresse e resolvi buscar ajuda médica."

Elizabete disse que sentiu na pele como os profissionais estãodespreparados para diagnosticar um paciente portador de dislexia. "Cada profissional que eu procurei chegou a um diagnóstico diferente. O psiquiatra dizia que eu estava com depressão e ansiedade. A psicóloga afirmava hiperatividade. Para o reumatologista, era fibromialgia e estresse devido a minha incessante busca pela perfeição. O resultado foi que nenhum deles chegou a um diagnóstico claro", concluiu.

Na busca de melhorias para seu corpo e mente, Elizabete recorreu à medicina alternativa onde começou a praticar relaxamento e meditação. Em vão. Nenhuma dessas práticas resolveu o seu problema. À medida que o tempo passava, ela adquiriu outros agravantes. Gagueira, labirintite, refluxo, problemas na visão e esclerose múltipla foram alguns dos sintomas desencadeados pela dislexia.

Paralelo aos problemas de saúde, Elizabete tinha que cuidar dos filhos adolescentes, trabalhar, estudar e o mais triste: ajudar a mãe que estava com câncer. "Sem saber o que acontecia comigo, não deixei de lutar contra as dificuldades. Quando estava redigindo o meu TCC sobre os erros ortográficos e a visão dos professores diante deste quadro, entrei por acaso no site da Associação Brasileira de Dislexia e achei a explicação."

Elizabete afirmou que quando encontrou a causa da dificuldade que a angustiava se sentiu mais leve por entender o problema. "No momento em que descobri que tinha dislexia, achei a resposta para a minha incapacidade de ler e escrever. Todos os erros que eu cometia agora teriam uma explicação. A única coisa que me restava era revelar o meu maior segredo", ressaltou.

Mas, confessar aos 45 anos que tinha dislexia não foi uma tarefa fácil. Após lecionar para a rede de ensino, estar na conclusão da graduação e ter passado em um concurso público, ninguém acreditou que Elizabete sofria do transtorno. "As coisas não foram tão fáceis do jeito que eu imaginava. Os profissionais que cuidavam da minha saúde duvidaram da minha verdade. Todos pensavam que eu estava louca ou era mentirosa. Questionavam como eu tinha chegado até aquela graduação sendo disléxica. Achavam impossível eu ter aprendido a ler e escrever."

Para provar que realmente era disléxica, Elizabete teve que juntar dinheiro para viajar a São Paulo onde encontrou profissionais que confirmaram o diagnóstico. "Na sociedade existem muitos preconceitos e se recusar a aceitar o diferente é natural do ser humano", esclareceu.

Os sonhos da pedagoga não foram interrompidos pelo distúrbio. Mesmo com dificuldades, ela concluiu a graduação, se tornou professora alfabetizadora, fez pós-graduação em psicopedagogia e, atualmente, se prepara para mais uma especialização em neuropedagogia. Elizabete foi afastada do cargo de professora pelo governo do Distrito Federal por ser considerada incapaz de lecionar. Mesmo com o preconceito e dificuldades, a brasiliense não parou sua trajetória.

Fonte de pesquisa:
http://www13.unopar.br/unopar/publicacao/manchete.action?m=4030

Um comentário:

meudiariosexual disse...

Gostei do seu blog... tbm tenho dislexia, não é nada fácil!

Estou "linkando" seu blog no meu...

bjs

Então, como diagnosticar a dislexia?

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...

PORQUÊ, SOMOS DIS !!!

Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.

como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.

Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!

Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.

Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.