dezembro 27, 2010

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dezembro 26, 2010

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dezembro 16, 2010

Deputada Rita Camata recomendou a aprovação da proposta, tratamento de dislexia e TDAH para estudantes



Comissão aprova tratamento de dislexia e TDAH


para estudantes

16/12/2010 12:56
Extraído de: Câmara dos Deputados - 7 horas atrás
 
A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou na quarta-feira (15) o Projeto de Lei 7081/10, do Senado, que obriga o Poder Público a manter programa de diagnóstico e tratamento de dislexia e de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) para estudantes do ensino básico.



A relatora, deputada Rita Camata (PSDB-ES), recomendou a aprovação da proposta, na forma de substitutivo que inclui no programa a identificação precoce dessas doenças e atendimento educacional especializado para os estudantes portadores de dislexia e TDAH.

De acordo com o texto aprovado, as escolas deverão assegurar a esses alunos recursos pedagógicos e didáticos adequados para a sua aprendizagem. O atendimento educacional deverá ser oferecido em salas de aula do ensino regular e poderá ser complementado em salas de recursos multifuncionais, caso necessário.

Equipe multidisciplinar

O texto aprovado ainda prevê que o programa deverá ser implementado por equipes multidisciplinares, que incluirão educadores, psicólogos, médicos, fonoaudiólogos e especialistas em psicopedagogia. As escolas também deverão garantir aos professores do ensino básico cursos de capacitação para a identificação precoce dos transtornos e para o atendimento educacional adequado.

Doenças

A dislexia é um transtorno de aprendizagem de leitura crônico, de origem neurobiológica. É o distúrbio de maior incidência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial, segundo a Associação Brasileira de Dislexia. Já o TDAH se caracteriza por sinais claros e repetitivos de desatenção, inquietude e impulsividade, mesmo quando o paciente tenta não mostrá-lo.


"Tanto o TDAH quanto a dislexia podem gerar prejuízos envolvendo a vida social, familiar, afetiva, acadêmica e profissional", afirma a relatora. "Sabe-se que o diagnóstico precoce pode facilitar a escolha de estratégias adequadas para viabilizar a aprendizagem e o bom rendimento do aluno", complementa Camata.


Tramitação

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pelas comissões de Educação e Cultura; Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania.



Íntegra da proposta:


PL-7081/2010

Reportagem - Lara Haje

Edição – Paulo Cesar Santos

novembro 22, 2010

Simpósio questiona conceito da dislexia como uma doença

GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO
22/11/2010 - 11h31




O diagnóstico da dislexia, transtorno neurológico que compromete o aprendizado das palavras e a leitura, está dividindo os especialistas.


De um lado, médicos e psicólogos reunidos em simpósio internacional para debater o que chamam de "supostos distúrbios" contestam a presença de marcadores biológicos na dislexia e no transtorno do deficit de atenção e hiperatividade.



Do outro, entidades como a ABD (Associação Brasileira de Dislexia) tratam o transtorno disléxico como "uma questão de saúde pública", que pode afetar até 15% da população mundial.


Para Steven Strauss, neurologista do hospital Franklin Square, em Baltimore, EUA, são tantas as variáveis do processo de alfabetização de uma criança que seria perigoso resumi-las em uma só.


"O ato de ler só seria uma questão médica se a base biológica da dislexia pudesse ser demonstrada", afirmou.

Strauss afirma que mesmo as imagens de ressonância magnética não podem detectar a presença da doença.

"Quando a pessoa é submetida ao aparelho, ela é estimulada a ler apenas letras e palavras fora de seu contexto. Não dá para medir a incapacidade de uma pessoa dessa forma", afirma.






PARA A VIDA TODA



A psicóloga Rosemari Marquetti de Mello, presidente da Associação Brasileira de Dislexia, tem posição oposta.
"O diagnóstico do distúrbio é difícil, complexo e não pode ser fechado por um único médico, mas por uma equipe multiprofissional."
Ela diz lamentar o fato de a associação não ter sido convidada para o simpósio: "É fácil tachar sem debater".
O neurologista Abram Topczewski, autor do livro "Dislexia: Como Lidar?" (Ed. All Print) também discorda do médico americano.
"Consideram que a dislexia não existe só porque acham isso, mas temos que nos basear nas evidências e não na ideologia."
Segundo Topczewski, já foram identificados locais nos cromossomos que podem ser marcadores genéticos do distúrbio.
"É algo que a pessoa irá carregar para o resto da vida", diz o neurologista.


EDUCAÇÃO

O debate sobre a dislexia esbarra em discussão semelhante à que envolve o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade.
De acordo com os especialistas que criticam a suposta onda de superdiagnósticos, há uma tendência em atribuir à criança problemas que são da estrutura de ensino.
Segundo Wagner Ranña, do Hospital das Clínicas, por trás das dificuldades de aprendizado, há crianças provenientes de escolas ruins ou de famílias em que a leitura não é estimulada.
"Em 35 anos de carreira, nunca encontrei uma criança que eu pudesse diagnosticar como disléxica", conta.
Marilene Proença, presidente do Conselho Regional de Psicologia, concorda.


"Antes de nos perguntarmos por que a criança não aprende e encontrar nela o problema, temos que questionar que escola estamos oferecendo".




FONTE DE PESQUISA: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/834178-simposio-questiona-conceito-da-dislexia-como-uma-doenca.shtml

outubro 24, 2010

O Programa Informativo de IACS: “Infecção Aqui Não”.

Para progeter os pacientes com a redução dos riscos de IACS, profissionais da saúde devem continuamente atualizar seus conhecimentos sobre o controle de infecções.


Como parte do atual compromisso de tratamentos de saúde de qualidade e controle de infecções, médicos e hospitais em todo o país estão fazendo parcerias com a Kimberly-Clark, promovendo treinamentos em prevenção de infecções hospitalares para suas equipes médicas e administrativas. Embora informar-se a respeito do problema possa parecer simples, ocupadíssimos médicos e enfermeiras nas linhas de frente do atendimento médico podem ter dificuldade de assistir a treinamentos nos hospitais em que trabalham.





O Programa Informativo de IACS é parte de uma campanha nacional de conscientização para profissionais de saúde intitulada “Infecção Aqui Não”, a qual fornece às instituições de saúde um kit com folhetos informativos, dicas de proteção para os pacientes e cartazes.



A campanha “Infecção Aqui Não” provê qualificados programas de educação contínua sobre as práticas ideais, instruções e pesquisas disponíveis para reduzir a incidência de Infecções Associadas aos Cuidados da Saúde.

Para mais detalhes sobre a campanha “Infecção Aqui Não”, consulte http://www.pt.haiwatch.com/.

Vestibular UniBH 2011/1º com atendimento para dislexia.


Nesta edição foram inscritos mais de 6.500 candidatos para concorrerem a uma das vagas oferecidas pela instituição. Para o 1º semestre de 2011 estão sendo oferecidas vagas em quase 50 cursos de graduação nas modalidades bacharelado, licenciatura e tecnologia. Os candidatos realizaram as provas de etapa única .Em clima de tranqüilidade, foi realizado neste sábado, 23 de outubro de 2010.

De acordo com a coordenadora do processo seletivo, Viviani Borges, tudo ocorreu conforme o esperado, sendo 8% o índice de desistência para a realização das provas, dentro do padrão da normalidade que gira entre 10% e 12%. Ela adianta ainda que o curso de Medicina do UniBH foi o mais concorrido nesta edição, com 26 candidatos por vaga, seguido dos cursos de Engenharia Civil, Direito, Engenharia Química e Administração.

Atendimento especial


O UniBH registrou seis atendimentos em regime especial neste Vestibular: três deficientes auditivos, dois deficientes visuais, um candidato com dislexia e uma lactante.

Candidatos adventistas


Também foram atendidos em horário especial, no campus Estoril do UniBH, nove candidatos adventistas. Os candidatos fizeram sua inscrição e foram recebidos numa sala especial para esperarem o pôr do sol para iniciarem a realização das provas com o mesmo tempo de duração.

Sala Vip

Familiares e amigos dos candidatos contaram, mais uma vez, com o apoio da Sala Vip. O espaço foi dedicado especialmente aos acompanhantes dos vestibulandos e ofereceu uma série de serviços como: avaliação nutricional e informações sobre alimentação em geral; aferição de pressão e orientações gerais sobre saúde; massoterapia; além de acesso gratuito à internet, sessão de filmes e lanches, entre outros.

Resultados


Os gabaritos das provas de múltipla escolha do Vestibular UniBH 2011/1º serão divulgados já neste domingo, 24 de outubro, após as 10 horas, no site www.unibh.br/vestibular.

Assessoria de Imprensa Uni-BH


FONTE DE PESQUISA: http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&view=article&id=17670:vestibular-unibh-20111o-ocorre-com-tranquilidade&catid=27:notas-do-campus&Itemid=73

outubro 22, 2010

A NOVA DEFINIÇÃO DA DISLEXIA



A nova definição de Dislexia


(Evolução e comparação com a definição original)

(Tradução e adaptação do “Annals of Dyslexia” volume 53, 2003, por M.Ângela N. Nico e José Carlos Ferreira de Souza)

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A NOVA DEFINIÇÃO DA DISLEXIA
Definição de 1995 (G, Reid Lyon)
“Dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico de origem constitucional caracterizado por uma dificuldade na decodificação de palavras simples que, como regra, mostra uma insuficiência no processamento fonológico.Essas dificuldades não são esperadas com relação à idade e a outras dificuldades acadêmicas cognitivas; não são um resultado de distúrbios de desenvolvimento geral nem sensorial. A dislexia se manifesta por várias dificuldades em diferentes formas de linguagem freqüentemente incluindo, além das dificuldades com leitura, uma dificuldade de escrita e de soletração.”

Atual definição de 2003 (Susan Brady, Hugh Catts, Emerson Dickman, Guinevere Eden, Jack Fletcher, Jeffrey Gilger, Robin Moris, Harley Tomey and Thomas Viall)

“Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária .“

“Dislexia é um distúrbio específico de aprendizagem ....

Esta definição identifica a dislexia como uma dificuldade específica de aprendizagem ao contrário dos termos mais gerais para distúrbios de aprendizagem. Enquanto esta categoria geral de dificuldade inclui uma grande variedade de distúrbios de audição, fala, leitura, escrita e matemática (USOE 1997), nós recomendamos (Fletcher et al., 2002; Lyon, 1995) que essa categoria deva ser descartada por ser um termo geral a esse distúrbio, quando se discute dificuldade de leitura. Sugerimos que se deve discutir distúrbio específico, definido em termos de domínio operacional coerente. Do ponto de vista epidemiológico, dificuldade de leitura, afeta pelo menos 80% da população. Isto constitui o mais prevalente tipo de distúrbio de aprendizagem.Como já foi dito antes Lyon (1995) é importante reconhecer que muitos indivíduos com dislexia têm também deficiência e comorbidades em outras áreas cognitivas e acadêmicas como v.g. : a atenção ( Schnkweiler, at al.,1995; B.A Shaywitz, Fletcher, & S.E.Shaywitz,1994), matemática ( Fletcher & Loveland, 1986 ) a soletração e expressão escrita (Lindamood, 1994; Moats,1994).Essas observações de comorbidades não vão ao encontro da especificidade da definição proposta da dislexia, mesmo porque características cognitivas como déficit de atenção e matemática são bem diferentes daquelas características de cognição, associadas ao déficit na habilidade básica para leitura (Lyon, Fletcher, & Barnes, 2003).

.... que é de origem neurobiológica.

Essa frase mostra um grande avanço na compreensão das bases neuronais da dislexia nos últimos oito anos, desde a primeira definição e vai muito além da frase “de origem constitucional (1995). Suspeitou-se da origem neurobiológica da dislexia há mais de um século. Em 1891 uma neurologista francesa, Djerine, sugeriu que a porção posterior do lado esquerdo do cérebro é crítica para a leitura. A partir de Djerine, uma grande quantidade de trabalhos a respeito da inabilidade na aquisição da leitura (alexia) descreve as lesões neuroanatômicas mais encontradas localizadas na área parietal-temporal (incluindo o giros angular , supramarginal e as porções posteriores do giro temporal superior) como a região principal no mapeamento da percepção visual para a impressão das estruturas fonológicas do sistema da linguagem,( Damásio). Outra região posterior do cérebro (mais ventral na área occipto-temporal) foi também descrita por Djerine (1892) como crítica para a leitura. Mais modernamente a investigação neurobiológica usa cérebros de disléxicos mortos,(Galaburda, Sherman, Rosen, Aboitz, & Geschwind,1985), Morfometria craneana (Brown, et al., 2001; Eliez, et al., 2000; Filipek, 1996) e Imagem de Ressonância Magnética por Tensão Difusa (técnica que acessa a conectividade das fibras nervosas cerebrais). Esse método dá uma estimativa da orientação das fibras e da anisotropia (qualidade peculiar a certas substâncias cristalizadas de reagir de modo diferente a outros fenômenos físicos: como propagação da luz , calor, crescimento do cristal , dureza etc) tecidual para estabelecer seu caminho, segundo a direção considerada capaz de produzir dupla polarização. Fornece informação sobre conexões na matéria branca. Essa informação é de interesse no estudo da neurologia, psiquiatria e distúrbios de desenvolvimento e (Klingberg, et al.,2000) suporta a crença de que há diferenças nas regiões temporo-parieto-occiptais no cérebro entre disléxicos e leitores sem dificuldade.Talvez a mais convincente evidência para base neurobiológica da dislexia vem dos achados das investigações sobre a imagem funcional do cérebro. Mais do que examinar por autópsia cerebral ou medir o tamanho de regiões do cérebro usando dados morfométricos estáticos, e imagem funcional oferece a possibilidade de se examinar o cérebro funcionando durante uma tarefa cognitiva. Em princípio a imagem funcional do cérebro é muito simples. Quando é pedido para um indivíduo realizar uma tarefa cognitiva simples, essa tarefa demanda processamento em regiões particulares do sistema neuronal cerebral. Para atingir o resultado, é necessário, ativação de sistemas neuronais específicos em regiões cerebrais e estas mudanças de atividades neuronais podem ser medidos por técnicas de imagem funcional por ressonância magnética (fMRI) e magnetoencefalografia (MEG). Como os procedimentos de (FMRI) e (MEG) não são invasivos e são seguros, podem ser usados repetitivamente, propriedade ideal para estudar pessoas, especialmente crianças.

Uma grande variedade de investigações neurobiológicas por cientistas de todo mundo, tem documentado o sistema neuronal para a leitura em disléxicos através das linguagens e culturas.

Usando imagem funcional do cérebro de adultos disléxicos leitores, é evidente a falha no hemisfério esquerdo posterior cerebral que não funciona adequadamente à leitura, (Brunswick, McCrory, Price, Frith & Frith 1999; Helenius, Tarkiainen, Cornelissen, Hansen, & Salmelin,1999; Horwitz, Rumsey, & Donohue,1998; Paulesu, et al., 2001; Rumsey, et al.,1992; Rumsey et al.,1997; Samelin, Service, Kiesila, Uutela, & Salonen,1996; S.E. Shaywitz, et al .,2003; E.Shaywitz et al.,1998; Simos, Breier, Fletcher, Bergman, & Papanicolaou, 2000). Assim também tarefas de processamento não visual (Demb, Boynton, & Heerger,1998; Eden, et al.,1996) nos sistemas anteriores especialmente envolvendo regiões ao redor do giro frontal inferior também têm sido implicados na leitura.Em trabalhos com indivíduos com lesões cerebrais (Benson, 1997) assim como imagens funcionais cerebrais (Brunswick, et al.,1999; Corina, et al., 2001; Georgiewa, et al.,1999; Gross-Glenn, et al .,1991; Paulesu, et al.,1996; Rumsey, et al ,1997; S.E. Shaywitz, et al.,1998).Essa evidência neurobiológica de disfunção nos circuitos de leitura no hemisfério esquerdo posterior, está evidente em crianças com dificuldade de leitura causadas por falta de estímulos.(Seki, et al., 2001; B. Shaywitz, et al.,2002; Simos, et al. , 2000; Temple, et al.,2001).

Esses dados permitem aos cientistas e clínicos usar o modelo de trabalho dos sistemas neurais para leitura baseada num histórico trabalho de Djerine e em uma teoria mais moderna de Gordon Logan. Logan (1998,1997) propôs dois sistemas críticos no desenvolvimento das habilidades do processamento automático. Um envolve a análise da palavra separando-a em fonemas e isto requer atenção e seu processamento é relativamente vagaroso. O segundo sistema opera na palavra como um todo.É um sistema obrigatório que não requer atenção sendo processada muito rapidamente. Dados convergentes de linhas de investigação indicam que o sistema de análise de palavras de Logan está localizado dentro da região parietal-temporal enquanto que a nomeação rápida automatizada é localizada dentro da área visual da palavra (Cohen, et al., 2000; Cohen, et al ., 2002; Dehaene, Le Clec'H, Poline, Lê Bihan,& Dehaene, 2003, et al., 2001; McCandliss, Cohen & Dehaene, 2003; Moore & Price,1999). A área visual da palavra parece responder preferencialmente a estímulos apresentados rapidamente (Price, Moore, & Frackowiak,1996) e está ligada mesmo quando a palavra não tenha sido conscientizada. (Dehaene, et al.,2001).È esse sistema occiptal-temporal que parece predominar, quando o leitor se torna hábil e junta tudo como uma unidade ortográfica, fonológica e semântica de palavras.

É caracterizada por dificuldade no reconhecimento fluente da leitura e pobre habilidade de decodificação e soletração de palavras simples.

Essa definição substitui a de 1995 que se refere simplesmente a “dificuldade de decodificar uma palavra”. A nova definição amplia esta frase referindo-se especificamente ao reconhecimento correto das palavras (identificando as verdadeiras palavras ) e as habilidades de decodificação (pronunciando logatomas ). Também reconhece a soletração pobre como uma característica da dislexia. A soletração esta intimamente relacionada com a leitura não só porque os sons estão ligados às letras, mas porque as palavras estão literalmente colocadas em código ao invés de meramente decifradas (S.Shaywitz, 2003). Talvez a mais importante mudança nesta parte da decodificação é o reconhecimento do que caracteriza os indivíduos disléxicos, particularmente disléxicos adolescentes e adultos: a inabilidade de ler fluentemente. Fluência é a habilidade de ler um texto rapidamente , precisamente e com bom entendimento. (Report of the National Panel, 2000; Wolf, Bowers, & Biddle, 2001). É a marca registrada de um bom leitor. Os dados indicam que leitores disléxicos podem melhorar a leitura conforme vão se tornando mais maduros mas continuam com falta de fluência, que resulta num sobre-esforço e lentidão. (Lefly & Pennington,1991; Shaywitz, 2003).

Essas dificuldades resultam tipicamente na deficiência do componente fonológico da linguagem.

A teoria sobre dislexia tem sido proposta baseada no sistema visual (Stein & Walsh,1997), e outros fatores como processamento temporal (auditivo) do estímulo dentro deste sistema (Talcott, et al., 2000; Tallal, 2000). Existe agora uma forte consciência dos investigadores neste campo de que, a dificuldade central na dislexia reflete um déficit dentro do sistema da linguagem (Ramus, et al., 2003 ). Investigadores de há muito sabem que a fala proporciona a quem a usa criar um infinito número de palavras combinando e permutando um pequeno número de segmentos fonológicos, as consoantes e vogais que servem como constituintes naturais da especialidade biológica: a linguagem. .Uma transcrição alfabética (leitura) mostra estas mesmas habilidades aos leitores, mas somente quando eles conectam estes caracteres arbitrários (representam o sistema fonológico por letras). Fazer esta conexão requer uma consciência de que todas as palavras podem ser decompostas em segmentos fonológicos. Essa consciência permite ao leitor conectar as letras (ortografia ) e a unidade da fala que eles representam (consciência fonológica ). A consciência de que todas as palavras podem ser decompostas nesses elementos básicos (fonemas), permite ao leitor decifrar o código de leitura. Para ler, a criança deve desenvolver a visão de que as palavras podem se dividir em fonemas e que estas letras numa palavra escrita, representem este som. Como mostram numerosos estudos, tal consciência, entretanto, não existe nas crianças e adultos disléxicos ( Bruck, 1992; Fletcher, et al.,199; Liberman & Shanweiler,1991).Estudos bem feitos em grandes populações com distúrbios de leitura confirmam que, na idade escolar de crianças e jovens (Fletcher, et al .,1994; Stanovich & Siegel,1994) assim como em adolescentes, (S.E.Shaywitz, et al.,1999) o déficit fonológico representa a mais forte e específica co-relação com o distúrbio de leitura. (Morris, et al.,1998 ).Tais achados formam a base para a melhor intervenção baseada em evidência destinada à melhora da leitura (Report of the National Reading Panel,2000).

Não é esperada em relação a outras habilidades cognitivas consideradas no grupo (faixa etária)

Essa afirmação gerou grande discussão no Comitê. Por outro lado o Comitê reconheceu que a noção de dificuldade inesperada no aprendizado da leitura é básico em quase todas as definições de dislexia, incluindo a definição de 1995 (Lyon,1995; Orton,1937 ).

Por outro lado, enquanto preserva o conceito de aprendizagem defasada, o Comitê não quer abraçar a idéia de que déficits básicos na decodificação e reconhecimento de palavras devam ser significantemente inferior ao QI como está especificado na fórmula de discrepância típica. “De fato há entre os pesquisadores e clínicos um conceito crescente da dependência da discrepância entre o QI (geralmente muito alto) e aquisição de leitura para o diagnóstico da dislexia(S. Shaywitz, 2003,p.137). Ao invés disso os dados sugerem que essa defasagem deve ser acessada através de comparação da idade de leitura com a idade cronológica e ou por comparação entre habilidade de ler o nível educacional e o professor envolvido. ( S.Shaywitz,2003,p.133) A maior preocupação que repousa nessa discrepância é que isso freqüentemente resulta num atraso na identificação do problema de leitura e esse atraso resulta no atraso no fornecimento de ensino adequado. (Fletcher ,et al 2002 and Lyon, et al 2003).

Novo neste componente da definição é o conceito de que a criança necessita de ensino adequado. A história de instrução individual é crítica no entendimento da natureza da dificuldade observada. Por exemplo, muitas crianças de risco vêm do meio ambiente não adequado com educação de pré-escola com falha. Portanto, freqüentemente, entram na escola com falha de muitas características lingüísticas essenciais e pré-requisitos para a leitura (ou seja, sensibilidade fonológica, vocabulário e motricidade fina) fatores críticos para proficiência da leitura. Se o ensino de leitura, fornecido para a criança na sala de aula não preencher as lacunas das habilidades fundamentais, e não for ajustado para se ensinar essas habilidades faltantes, ocorrerão falhas típicas na leitura (Lyon ,et al.,2001). Por outro lado, numerosos estudos recentes (Torgesen, 2000 ) mostraram muitas crianças identificadas como de risco na pré –escola e 1 a série fundamental e que lhes foram dadas ensino adequado desenvolveram proficiência desde cedo. Torgesen (2000) , afirma que a intervenção precoce tem a capacidade de reduzir a possível falha na leitura e escrita de 18% na população escolar, para de 1,4 até 5,4.

Mas, o estudo sobre intervenção precoce, resumido por Torgesen (2000), indica claramente que nenhum dos professores que atuaram na intervenção precoce foram igualmente efetivos para todas as crianças de risco estudadas, mesmo quando a intervenção foi feita intensamente por professores e profissionais (fonoaudiólogos e psicopedagogos) bem preparados.

Enquanto o Comitê discutia esses achados, surgiu um consenso de que o papel da história educacional deve ser levado muito a sério. Especificamente a falta de resposta para instrução científica dada é um fator que diferencia a dislexia severa agravada com ensino inadequado. Portanto a definição de dislexia de desenvolvimento e a identificação desses indivíduos, pode nos levar a desconfiar da qualidade de resposta dada por especialistas.

... Conseqüências secundárias podem influir na compreensão da leitura que impedirão o conhecimento do vocabulário.

É fato que o entendimento das dificuldades fonológicas leva a problemas de fluência e precisão, que pode levar a problemas de vocabulário. Tudo isso junto interfere na leitura e entendimento do texto como um todo. È importante afirmarmos que essa explicação remove o argumento antigo de que precisão e fluência na palavra escrita “não é realmente leitura”.



SUMÁRIO

Houve um relevante desenvolvimento na epidemiologia, neurobiologia e características lingüísticas e conectivas de dislexia, desde a definição inicial que o Comitê publicou em 1995. Assim também, desde 1995, nosso entendimento sobre dislexia tem sido formado por um número de intervenções e tratamentos que agora dão oportunidade de integrar as informações sobre a natureza e a magnitude da resposta, ao ensino no nosso conceito de dislexia de evolução. A definição proposta em 2003, discutida neste trabalho reflete nosso respeito à natureza dinâmica do processo científico e sua utilidade em aumentar nossa compreensão sobre a dislexia. Fizemos a revisão da definição de 1995, com base nas evidências relevantes no desenvolvimento da leitura e escrita, dificuldade de leitura e escrita e ensino da leitura e escrita. Mas a tarefa não está completa. Nosso entendimento de dislexia é um trabalho em andamento e irá continuar. Para termos certeza nos próximos cinco anos teremos de comparar pesquisas metodológicas e modalidades investigativas para o estudo da dislexia . Literalmente garantirá a aquisição de novos conhecimentos que mais tarde, modificarão a definição. A única constante é que isso e as futuras definições refletirão o que a ciência tem de melhor para oferecer.



(Tradução e adaptação do “Annals of Dyslexia” volume 53, 2003, feita por M.Ângela.N. Nico e José Carlos Ferreira de Souza).

Formação continuada ajuda a identificar dislexia na sala de aula.


terça-feira, 19 de outubro de 2010


Um transtorno neurológico específico que causa dificuldade na leitura e escrita. Assim é definida a Dislexia. Um tipo de deficiência que atinge cerca de 25% da população escolar do pais. Os dados, repassados pela professora mestre em Distúrbios do Desenvolvimento, Maria Cristina Bromberg, são amostragens de pesquisas realizadas em grandes centros, pois em muitas partes do país, como em Mato Grosso, o desconhecimento faz os casos passarem despercebido pelas escolas.



Segundo Maria Cristina, que está em Cuiabá a convite da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para realizar capacitação, existe métodos para a identificação de crianças e de adolescentes com dislexia. Contudo é preciso que o professor esteja preparado. A lacuna na formação inicial do educador está sendo suprida em Mato Grosso com a formação continuada.


Professores formadores participam do curso de Dislexia, ministrado pela especialista Paranaense, durante uma semana. A proposta é multiplicar junto às escolas, principalmente de ensino fundamental, técnicas para identificar o estudante com dislexia e verificar se o aluno se enquadra no perfil.


“A dificuldade do disléxico é na leitura e conseqüentemente na escrita e isso é perceptível com base na observação de quesitos como idade, experiências do aluno e dinamismo, esperado para cada faixa etária”, destaca. O diagnóstico fica difícil antes da fase da linguagem – 6 a 7 anos – pois o reconhecimento se dá com a dificuldade de assimilar sons e decodificar a escrita. “Nas séries iniciais do Fundamental a criança oferece pistas na dificuldade do aprendizado que a identificam como disléxica”, informa.


O profissional da educação é a chave para a identificação do problema. A dislexia quando não identificada leva a criança e o adolescente a constantes repetências, o que provoca o desestímulo e o afastamento da escola. Conforme a especialista, a pessoa com dislexia tem potencial de aprendizado, mas precisa de práticas diferenciadas.


A professora formadora, Cássia Aparecida do Vale, de Sinop, vivenciou as situações apresentadas na capacitação. Cássia lutou durante onze anos com um filho disléxico, e durante muito tempo acreditou que as dificuldades dele eram descaso, preguiça. “ Ele apanhou muito até que descobrisse o transtorno”, diz.

Hoje, aos 28 anos, o filho de Cássia é Bioquímico. Conforme ela, as dificuldades apresentada com o transtorno ainda existem, mas são vencidas com práticas estabelecidas por ele, muitas desenvolvidas durante a fase de estudante. “Ele gerencia as dificuldades com apoio de dicionário, agenda e outras práticas”, diz. Na fase de estudante, as provas eram realizadas de forma oral, pois a dificuldade do disléxico é na decodificação, ou seja, leitura e escrita. “Acredito que a capacitação irá ajudar a muitas crianças, pais e professores. Estou muito feliz por participar”, destaca Cássia.



*atualizada



ROSELI RIECHELMANN

Assessoria/Seduc-MT

agosto 27, 2010

Diagnóstico é diferencial para os dislexicos.

Embora a dislexia tenha um componente genético, ela também pode estar ligada a uma má formação cerebral. Segundo o neuropediatra Saul Cypel, um exame chamado tractografia permite observar como alguns circuitos cerebrais se organizam de forma inadequada. "Além disso, nas pessoas com dislexia, os feixes de fibras cerebrais do lado esquerdo são reduzidos de forma importante", explica.


Mas não há como chegar a um diagnóstico a não ser por uma equipe multidisciplinar que inclua psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo clínico.

Daí se inicia uma investigação detalhada com parecer de outros profissionais, como neurologista, oftalmologista, da própria escola e dos pais.

Para chegar a um diagnóstico correto, outros fatores - como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar - devem ser descartados.

"Apenas um profissional não tem as ferramentas necessárias para o diagnóstico. É preciso uma psicóloga para avaliar os relacionamentos e testes psicométricos que possam balizá-lo", diz Rosamari Marquette de Melo, presidente da Associação Brasileira de Dislexia.

Ela defende que, quanto antes for detectada a dislexia, melhor para a criança. "Só descobri que era disléxica quando meu filho tinha 10 anos, na primeira entrevista para tratar o caso dele. Abandonei a escola porque eu achava que era burra. Nunca tinha lido um livro até os 37 anos. Imagina o que é isso?", questiona.

Rosemari diz que reconhecer precocemente a dislexia ajuda a criança a criar estratégias para aprender, o que evitará baixa auto estima e o estigma entre colegas. (ACB)


FONTE DE PESQUISA: http://www.otempo.com.br/jornalpampulha/noticias/?IdEdicao=208&IdCanal=20&IdSubCanal=&IdNoticia=6452&IdTipoNoticia=1#Nem toda dificuldade é dislexia

Universidades já têm vestibular diferenciado para os dislexicos.


Se antes os dislexos eram considerados preguiçosos e indisciplinados na escola, hoje eles podem ter uma vida intelectual tranquila e oportunidades graças ao entendimento melhor do que é o distúrbio. A universidade Mackenzie, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e a Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, já possuem vestibular diferenciado para os disléxicos.


"Uma pessoa lê a prova e depois passa o resultado para o gabarito. Como também há uma dificuldade com a escrita, o candidato dita a redação porque oralmente ele não tem problema nenhum. São coisas simples de fazer, mas que fazem muita diferença para um disléxico", diz Rosemari Marquette de Melo, presidente da Associação Brasileira de Dislexia.

Segundo ela, na Europa e Estados Unidos, todos os alunos disléxicos têm, por lei, o direito a um computador com corretor ortográfico e mais tempo para fazer os exames, além de poderem optar pelo exame oral.

"É isso que queremos que seja adotado no Brasil. Que a escola dê o suporte para a aprendizagem. Existe a Lei da Inclusão, mas ela é insuficiente nesses casos", aponta. Outra demanda da Associação Brasileira de Dislexos é que os concursos e a prova para obter a carteira de habilitação de motorista levem em conta as especificidades dos disléxicos. "A pessoa pode fazer a mesma prova, só precisa de um pouco mais de tempo e uma assistência que não comprometa o processo de seleção", afirma.

Segundo ela, o Ministério da Educação (MEC) criou um grupo de trabalho para debater o assunto e a expectativa da Associação Brasileira de Dislexia é que em 2010 um projeto de lei seja encaminhado ao Congresso Nacional. "A dislexia não é o resultado de má alfabetização, desa-tenção, desmotivação, condição sócioeconômica ou baixa inteligência. Os disléxicos só precisam de apoio". (ACB)






FONTE DE CONSULTA:  http://www.otempo.com.br/jornalpampulha/noticias/?IdEdicao=208&IdCanal=20&IdSubCanal=&IdNoticia=6452&IdTipoNoticia=1#Nem toda dificuldade é dislexia

Nem toda dificuldade é dislexia.

Especialista diz que é preciso ter no mínimo dois anos de escolaridade para um diagnóstico confiável




ANDRÉA CASTELLO BRANCO

Estima-se que entre 10% e 15% das crianças em idade escolar têm alguma dificuldade durante o processo de alfabetização. Mas uma, especificamente, causa maior preocupação e ansiedade nos pais: a dislexia. Contudo, o fato de a criança ser lenta na leitura, na cópia e cometer erros de grafia - omitindo letras ou invertendo sua posição nas palavras - não pode levar a um diagnóstico automático de dislexia.


É o que afirma o neuropediatra Saul Cypel, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Para ele, a dislexia está sendo superestimada e pode causar pânico desnecessário nas famílias. "Existem muitos transtornos um pouco mais complexos que uma simples dificuldade, mas que não chegam a ser dislexia. O que vejo é uma variedade de situações intermediárias bem mais frequentes", diz.

Ele conta que, entre as 600 crianças encaminhadas para sua clínica com suspeita de dislexia, apenas uma teve o diagnóstico confirmado. Segundo o neuropediatra, o processo de aprendizagem nem sempre tem uma evolução linear como se espera.

"Algumas crianças podem demorar um pouco em cada uma das etapas, ter dificuldades com sílabas, o que é totalmente tolerável". Segundo ele, é importante que os professores e a família conheçam como se dá o processo de aquisição da leitura e escrita para não banalizar o problema e criar um diagnóstico.

"Acho exagerada a forma como a dislexia é usada para explicar qualquer dificuldade no aprendizado. Nas escolas que tem professores mais esclarecidos, a ocorrência da dislexia é muito menor. Por quê? Porque há um entendimento melhor das várias dificuldades que podem ocorrer nesse período. Há uma intervenção quais qualificada desse professor", diz.

Desenvolvimento. Apesar de o diagnóstico de dislexia ainda ser visto pelos pais como uma sentença de maiores dificuldades intelectuais e profissionais na vida adulta, o dislexo pode, com o apoio adequado, desenvolver-se intelectualmente. "Como qualquer outro tipo de dificuldade, só é preciso criar estratégias que permitam o desenvolvimento. Em todos os casos de dislexia há canais de aprendizagem que são permeáveis", diz Saul Cypel.

Para Rosemari Marquette de Mello, presidente da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), o mais importante é investir na formação dos professores. "Algumas atitudes simples podem ajudar muito: deixar o aluno sentar próximo do professor, dar mais tempo para copiar a tarefa, ter um amigo que empreste o caderno para ele copiar depois, adotar a prova oral. Se a criança for treinada a aprender de uma maneira que é não a convencional, ela vai deslanchar e a dislexia não será empecilho para ela", diz.

Heloisa Collet, mãe do Bernardo, 11, sabe bem disso. Quando teve o diagnóstico, ela se desesperou. "Achei que o futuro dele estava perdido, que ele não ia se formar nem no ensino médio", lembra. Mas Bernardo se revelou um ótimo aluno. "Toda a matéria dada na sala de aula eu estudo com ele em casa oralmente e com desenhos porque a memória dele é muito visual. Então, tiro proveito disso. Ele sempre teve boas notas", conta.

Como Bernardo agora está na 5ª série e tem várias disciplinas, Heloísa conversou com a orientadora pedagógica para que o filho fosse avaliado oralmente. Hoje Bernardo faz duas provas - uma escrita e, logo em seguida, uma prova oral - e das duas avaliações é feita uma média. Segundo Heloísa, infelizmente, nem todos os professores têm boa vontade.

"Nos dois primeiros anos, tive muito apoio da escola. Mas agora ele tem dois professores que não estão muito a fins de ajudar, acho que nem acreditam que ele tenha dislexia. Quando entendem o que ele tem, ele vai muito bem na disciplina", diz.

agosto 19, 2010

Para quem sofre de dislexia ler torna-se num verdadeiro problema.


Quando Ler é um Quebra-Cabeças


Para quem sofre de dislexia ler torna-se num verdadeiro problema. É essencial compreender as suas causas para conseguir um tratamento eficaz.

Por Miguel Matos 

Depoimentos


Há sete anos que Maria Alexandrina Pereira, de Albergaria-a-Velha, se vê a braços com as dificuldades de aprendizagem da sua filha, Sónia. Actualmente com dez anos de idade, a pequena Sónia começou a sentir que não acompanhava os seus colegas na pré-primária. Já então, o seu comportamento era muito diferente do das outras crianças e foi quando iniciou a aprendizagem da leitura que tudo piorou. Como não conseguia enraizar os fundamentos básicos da linguagem, começou a ganhar uma aversão à escola que só complicava ainda mais os seus problemas.



«A Sónia nem sempre conseguia identificar os sons das letras e nunca conseguia associar os sons às letras no papel. Por isso, para ela, ler era uma tarefa quase impossível. Ela até dizia que queria desistir da escola e começar a trabalhar», conta a mãe. No entanto, a Sónia teve um acompanhamento profissional muito precoce, o que impediu que a dislexia ganhasse esta batalha. Primeiro fez terapia da fala e em seguida foi acompanhada por um psiquiatra. Hoje em dia já lê mas ainda com dificuldades e já reprovou um ano pois acompanhar o programa lectivo ainda é difícil para ela.



Segundo a definição mais consensual da Associação Internacional da Dislexia e do National Institute of Child Health and Human Development, a dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem cuja origem é neurológica. Caracteriza-se por dificuldades no reconhecimento exacto e fluente das palavras e por uma capacidade deficiente de as soletrar e compreender. Nuno Lobo Antunes, neuropediatra e Director Clínico do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil, em Cascais, define a dislexia como «uma dificuldade da leitura e/ou escrita que é desproporcionada ao grau de inteligência da criança e à oportunidade que lhe foi dada de aprender. Assim, para se fazer o diagnóstico é necessário demonstrar uma velocidade de leitura que é pelo menos dois anos académicos abaixo do esperado».



Portugal tem muitas Sónias – crianças disléxicas cujo diagnóstico tarda em chegar, muitas vezes só se descobrindo o problema no terceiro ano de escolaridade, ou mesmo depois disso. Neste estádio, a relutância da criança para ler pode já ser grande devido à baixa auto-estima que este problema provoca. «Isto acontece quando não há uma intervenção precoce», refere Bárbara Pinto da Rocha, de Caxias, autora do livro A Criança Disléxica. «Hoje temos mecanismos para poder avaliar o problema atempadamente. No entanto, muitas vezes descobre-se o problema demasiadamente tarde, até por culpa dos pais, que adiam a ida a um especialista, muitas vezes por falta de informação». Por outro lado, em muitas escolas, os professores esperam que um aluno reprove vezes sucessivas antes de encaminhá-lo para uma ajuda específica. Tudo isto é tempo valioso desperdiçado. «O que acontece a maioria das vezes, para além dos travões burocráticos, é que os profissionais deixam de investir na criança ficando à espera de um diagnóstico que justifique o problema da aprendizagem e possa de alguma forma desculpar o possível “desinvestimento” dos professores», lamenta Ana Mécia Aleixo, terapeuta da fala em Águeda.



A criança disléxica é, principalmente, um mau leitor crónico: «ter de ler um texto em voz alta, perante os colegas e o professor é para ela uma tarefa muito difícil. A leitura é lenta, hesitante, pouco expressiva e, se for interrogada sobre o que leu, não se lembra do essencial e tem dificuldade em expressar-se por palavras suas. Consegue ler mas não é capaz de entender bem o que lê, daí a dificuldade em interpretar o texto», explica Bárbara Pinto da Rocha.



Muitos pais e professores ainda possuem ideias erradas acerca da dislexia e desconhecem os seus sinais de alerta. Outros há que se preocupam em demasia, quando muitas vezes a criança apresenta um simples problema que se resolve facilmente. Há ainda aqueles que respiram de alívio quando notam que a criança começa a identificar palavras e a ler frases. No entanto, formas mais ligeiras de dislexia podem manifestar-se em anos escolares mais avançados. Por outro lado, muitos pais entram em pânico quando detectam um [R] ou um [3] ao contrário por entre os escritos dos filhos, sem saberem que inverter letras representa uma falha quase universal de desenvolvimento.



A dislexia existe em todas as línguas e culturas. Ainda que os investigadores não estejam de acordo acerca de quão comum seja este distúrbio, a maioria aponta para uma margem de 5% a 15% de crianças afectadas. Para Octávio Moura, psicólogo no Porto e responsável pelo Portal da Dislexia (www.dislexia.portalpsi.com), «a percentagem de crianças disléxicas em idade escolar situa-se entre os 5 e os 10%, o que significa que menos de um estudante inteligente em cada dez, apresenta uma dislexia mais ou menos importante.» Outros dados que reforçam a ideia da hereditariedade referem que 40% dos irmãos de crianças disléxicas apresentam de uma forma mais ou menos grave a mesma perturbação e uma criança cujo pai seja disléxico apresenta um risco 8 vezes superior à da população média.



Antes de se saber os resultados de longas investigações, alguns especialistas punham a hipótese de alguns casos de dislexia estarem relacionados com uma fraca exposição da criança às palavras. Segundo Bárbara Pinto da Rocha, «o nível sociocultural influencia a literacia. No entanto, não existe relação entre aquele e a dislexia, que abrange todos os níveis socio-económicos».



Alguns professores têm dificuldade em perceber como é que crianças com um quociente de inteligência (QI) elevado sofrem de dislexia, sendo por isso acusadas de serem preguiçosas ou desmotivadas. De acordo com Octávio Moura, «não existe uma relação directa entre o QI e o aparecimento de uma dislexia, isto é, não é pelo facto de um sujeito ter um QI de nível superior que vai ter uma maior probabilidade de ser disléxico, mas se apresentar um QI deficitário, então, será excluído o diagnóstico de dislexia». O especialista acrescenta que «uma criança que apresente dificuldades na aprendizagem e automatização da leitura e que revele uma eficiência intelectual geral deficitária não poderá ser considerada disléxica, uma vez que as suas dificuldades resultam de lacunas cognitivas, que se repercutem não só na leitura mas igualmente, em outras áreas de aprendizagem como por exemplo na matemática.»



Por outro lado, muitas das crianças que recorrem aos especialistas devido a problemas de aprendizagem, apresentam outras perturbações como a hiperactividade. No entanto, embora a dislexia e a hiperactividade ocorram frequentemente em conjunto, nem sempre há uma relação directa entre elas. As crianças podem tornar-se desatentas quando se sentem frustradas e desencorajadas devido à incapacidade de ler e aprender. O chamado “bicho-carpinteiro” pode explicar porque é que os rapazes são mais vezes diagnosticados com dislexia do que as raparigas. Octávio Moura refere que «verifica-se uma desproporção entre os rapazes e as raparigas quanto à prevalência da dislexia. Assim, alguns autores referem que 70 a 80% dos sujeitos diagnosticados com uma perturbação da leitura são do sexo masculino. Estudos mais recentes apontam para uma proporção mais igualitária entre sexos, muito embora continuem a ser os rapazes que evidenciam uma maior prevalência.» Tal desproporção pode ser explicada pela maior plasticidade neuronal nas raparigas, o que lhes permite utilizar outras áreas cerebrais para compensar os défices provenientes de outras regiões».



Em muitos casos, a dislexia deriva de uma incapacidade de processar sons e combinações de sons - o chamado processamento fonológico, que permite a discriminação dos sons e suas combinações na palavra e na frase. «A capacidade de leitura e escrita está muito dependente da integridade deste sistema», diz Ana Mécia Aleixo. «Os símbolos gráficos têm formas próprias e diversas – por vezes, muito próximas entre si –, com uma dada orientação espacial, distribuindo-se nas sílabas em diferentes posições relativas. Os símbolos auditivos articulam-se e soam de forma própria e diversa, surgindo na sílaba e na palavra segundo uma dada orientação temporal. Uns e outros têm de ser adequadamente identificados e associados entre si, organizados num todo complexo, sem deixar de ser percebidos apenas como unidades simples, mas também como partes componentes desse todo. Em todas estas exigências estão implicados processos psicológicos complexos. Relativamente às falhas no sistema fonológico, a criança tem dificuldade em estabelecer a ligação existente entre as formas gráficas e as suas formas acústicas, fazendo confusão entre fonemas que têm, por exemplo, o mesmo ponto de articulação e cujos sons são parecidos acusticamente».



Quando os disléxicos se debatem com a capacidade de leitura, encaram uma verdadeira batalha com o cérebro – cérebro esse que simplesmente não está “formatado” para a leitura. Um número cada vez maior de provas localiza a dislexia numa falha no circuito cerebral, o que torna a leitura extremamente difícil. Através da ressonância magnética, identificaram-se três áreas no hemisfério cerebral esquerdo que estão envolvidas na leitura – duas na parte posterior do cérebro e uma à frente. Quando uma criança disléxica lê, as zonas posteriores não são “activadas” da mesma forma como acontece em leitores normais. «Sabe-se que os indivíduos com dislexia utilizam para ler áreas do cérebro que não são as apropriadas», explica Nuno Lobo Antunes. «O motivo para que isso aconteça pode ir desde anomalias microscópicas da organização cerebral a factores genéticos mal compreendidos».



Isto levanta a seguinte questão: o que origina estas falhas neurológicas? Ao que parece, um factor importante é o conjunto de genes que influencia as partes do cérebro envolvidas na linguagem, em particular no modo como as letras escritas são convertidas para sons. «Há famílias em que a dislexia tem um carácter claramente hereditário. Os genes ainda não estão identificados mas seguramente mais do que um gene está envolvido nesta disfunção», adianta Nuno Lobo Antunes. Um estudo recente realizado no Canadá com 96 famílias propensas à dislexia identificou um distúrbio num gene na região específica do cromossoma 2, em muitos dos indivíduos testados confirmando um estudo norueguês anterior. E uma análise de famílias americanas e britânicas propensas à dislexia encontrou uma ligação às áreas dos cromossomas 18 e 6 no que respeita à leitura, processamento de fonemas e problemas de escrita.



Dito isto, é de salientar que embora haja uma base genética para o aparecimento de dificuldades em conjugar letras e articulá-las fonética e ortograficamente, o tratamento mais eficaz é educacional e não médico. Os programas de reaprendizagem que explicam como as letras do alfabeto se relacionam no discurso são, regra geral, a solução.



Os avanços científicos reforçam a importância da intervenção precoce e levaram os educadores a considerar os prejuízos provocados às crianças que tiveram de “esperar até aos oito anos” para obterem um diagnóstico. Hoje em dia alguns infantários efectuam testes de rastreio que identificam crianças de alto risco e fornecem-lhes apoio precoce na aprendizagem. «Quanto mais depressa se diagnosticar a dificuldade da criança, mais depressa se pode ajudar, fazendo uma reeducação pedagógica mais eficaz», afirma Manuela Cruz, psicóloga responsável pelo Centro de Psicologia Clínica e Psicoterapias de Lisboa. «No entanto, a dislexia é um problema escolar e alguns autores são da opinião que está relacionada com uma entrada na escola demasiadamente precoce. A dislexia tem a ver com o facto de a criança não compreender as letras, o seu lugar e aplicação. Se houver uma aprendizagem demasiado cedo, elas não conseguem compreender estas matérias pois ainda não têm maturidade cerebral, e até emocional, para compreender determinados tipos de raciocínio. Hoje em dia, as crianças vão muito cedo para a escola, os professores querem que elas aprendam depressa demais e elas muitas vezes ainda não têm essa capacidade. Por isso, fazem erros sistemáticos de leitura. Se forem ajudadas, rapidamente se faz uma reeducação bem sucedida. Por outro lado, é importante fazer um diagnóstico rigoroso, uma vez que os professores, à mínima dificuldade da criança, recorrerem imediatamente aos psiquiatras ou psicólogos. Esta é uma patologia agravada pela má qualidade do ensino e dos professores e pelo elevado número de alunos por sala. Para além disso, os professores estão sempre a mudar, o que agrava estes problemas. Se tiverem um professor atento e dedicado, os alunos aprendem mais facilmente».



As crianças que sofrem de dislexia necessitam de apoios pedagógicos específicos e, muitas vezes, esta necessidade educativa só é perceptível quando a criança enfrenta a sua inclusão nas salas de aula e só aí se começa a investigar o que poderá explicar as falhas. «Este início tardio dos apoios pode comprometer a aprendizagem a vários níveis. O ambiente de aula, sem os apoios necessários, baixa o rendimento escolar e aumenta a aversão à escola. A auto-estima destas crianças é muito fragilizada e o seu comportamento sofre alterações drásticas. Facilmente uma criança com dislexia passa de um estado de agressividade para uma intensa timidez», diz Ana Mécia Aleixo. Se a escola do seu filho continua a dar-lhe respostas insatisfatórias, pode recorrer a um psicólogo ou terapeuta da fala ou a uma instituição especializada nestes casos. A Associação Portuguesa de Dislexia (www.apdis.com), poderá encaminhá-lo e fornecer mais informações.



Por outro lado, poderá pensar que o seu filho está livre de enfrentar a dislexia se ele se mantiver ao nível dos colegas no ensino básico. No entanto, algumas crianças escondem os seus problemas de aprendizagem com uma boa memória e por isso, aqueles só se tornam evidentes em anos mais avançados, quando lhes é pedido que aprendam palavras mais complexas. Segundo Manuela Cruz, «muitas vezes o problema arrasta-se até ao ensino secundário mas, do ponto de vista emocional, o jovem evolui e acaba por fazer a sua própria auto-pedagogia». Como é possível detectar estas “dislexias tardias” antes que os problemas de compreensão surjam efectivamente? Uma das pistas pode ser o facto de o seu filho ter problemas em entender livros que são apropriados para a sua idade.



Uma vez identificado o problema de leitura, o passo seguinte é ajudar o seu filho a ultrapassá-lo. Nesta fase, o método a seguir não pode enunciar-se como se de uma receita se tratasse. Depende essencialmente das dificuldades específicas de cada criança e, consequentemente, da abordagem mais eficaz para cada caso. Na opinião de Ana Mécia Aleixo, «sem desvalorizar a importância do diagnóstico, a ideia chave que deve pautar o trabalho dos técnicos é que se deve efectuar um inventário das dificuldades funcionais da criança e começar a trabalhá-las desde que se iniciam as suspeitas para evitar que elas se mantenham ou agravem».



O José tem 15 anos e vive em Lisboa. Desde sempre que tem uma grande dificuldade em conseguir pôr no papel os sons que ouve. «Notámos que ele tinha um problema muito cedo, porque não conseguia dizer algumas palavras, conta a mãe, Cristina Silva. «Ele trocava o [s] pelo [f]. Em vez de José dizia Jofé, por exemplo. Entretanto com a ajuda da professora conseguiu ultrapassar estas dificuldades iniciais, mas cometia muitos erros ortográficos. Na escola não percebiam como é que ele tendo um vocabulário elaborado, não conseguia passá-lo para o papel. Mas a partir do sétimo ano, a professora de Português começou a detectar sinais de dislexia. As redacções estavam bem estruturadas mas cheias de erros e os colegas estavam sempre a corrigi-lo. Após uma consulta na Clínica da Juventude do Hospital Júlio de Matos e a realização de testes foi-lhe diagnosticada uma disgrafia, que é um ramo da dislexia. Nunca dei muita importância ao problema porque o José nunca reprovou, mas a dada altura os professores chamaram-me a atenção e ele próprio quis resolver a situação». Começou então a ser acompanhado pela psicóloga da escola. No entanto, devido à falta de capacidade da instituição, só um ano após a requisição dos testes específicos para estes casos é que o José começou programa de reaprendizagem. Tem também aulas de Português com uma professora particular, que o ajuda a vencer as dificuldades. «Neste momento o José já anda no 10º ano e tem 19 a Matemática e 10 a Português, mas as coisas estão a correr muito bem e estou convicta que rapidamente ele vai conseguir ultrapassar tudo” afirma Cristina.



Os especialistas trabalham todos os dias para concretizar os avanços no tratamento da dislexia. De acordo com Nuno Lobo Antunes, as principais evoluções têm surgido «no entendimento da patofisiologia da situação, ou seja, nos mecanismos biológicos subjacentes. Não há qualquer razão hoje em dia para encarar o problema sob uma óptica que não seja a do funcionamento anómalo do sistema nervoso para este tipo de material linguístico. Naturalmente que a frustração de estar constantemente a lutar com uma dificuldade que outras crianças não têm, pode levar a problemas emocionais importantes, que são contudo consequência e não causa da disfunção». Mas um correcto e rigoroso acompanhamento profissional da criança pode melhorar drasticamente a situação. «Após melhoria da capacidade de leitura através do treino da consciência fonológica, as áreas do cérebro que tratam o material linguístico modificam-se, passando a ser utilizadas as áreas que à partida são mais "correctas"», conclui o neuropediatra.

FONTE DE PESQUISA: http://www.seleccoes.pt/quando_ler_%C3%A9_um_quebra_cabe%C3%A7as

agosto 14, 2010

Dislexia: Desafio de pais, professores e profissionais de saúde


Neste Artigo:



- O que é Dislexia


- Métodos de Diagnóstico


- Equívocos em Relação à Dislexia


- Visão Psicológica


- Visão Fonológica


- Tratamento



O que é Dislexia

O número de crianças que termina o período escolar obrigatório sem a fluência de leitura e escrita que se considera adequada, e, portanto, portadoras de dislexia, é de fato preocupante para especialistas, pais, educadores, psicólogos e médicos e constitui-se em um problema social de grande gravidade. Em função disso, mundialmente pesquisam-se processos capazes de resolver esta situação, nem sempre com bons resultados. É de supor que os resultados pouco satisfatórios, até então obtidos, resultem de uma abordagem incompleta do problema Dislexia.

De acordo com a ABD, Associação Brasileira de Dislexia, a definição vem do grego e do latim: Dis, de distúrbio, vem do latim, e Lexia, do grego, significa linguagem. Ou seja, Dislexia é uma disfunção neurológica que apresenta como conseqüência dificuldades na leitura e escrita. A Fonoaudióloga Suely de Miranda Gomes, também especialista em voz, define dislexia como a dificuldade específica que afeta a aprendizagem da decodificação do sistema verbal escrito, classificada entre as patologias de linguagem, mais especificamente de linguagem escrita.

Para a Drª Graciete Serrano, Licenciada em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, pós-graduada em Neuropsicologia e autora do livro "Dislexia – uma nova abordagem terapêutica", onde publicou os resultados de seu trabalho de investigação com crianças disléxicas, a doença corresponde, simplesmente, a uma perturbação na capacidade de leitura e escrita. Este termo, Dislexia, é aplicável, segundo a Dra. Graciete, "a uma situação na qual a criança é incapaz de ler com a mesma facilidade com que lêem as crianças do mesmo grupo etário, apesar de possuir uma inteligência normal, saúde e órgãos sensoriais intactos, liberdade emocional, motivação e incentivos normais, bem como instrução adequada".

"A observação e acompanhamento de crianças disléxicas mostrou-nos que estas apresentam perturbações que ultrapassam, em larga escala, a simples função da leitura", diz a Dra. Graciete. Segundo a especialista, associada à Dislexia encontra-se, a maior parte das vezes, uma Disgrafia. Do ponto de vista gráfico, o disléxico comumente confunde, omite ou inverte as letras, apresentando um texto defeituoso. "Muitas vezes a criança não consegue seguir as linhas", aponta a especialista. Os textos da criança disléxica carecem de pontuação ou, quando esta é feita, é colocada de forma anárquica. "A sintaxe é defeituosa e há uma má compreensão das funções dos vários elementos da frase (sujeito, predicado e complementos)", define.

A criança disléxica, por seus problemas de leitura e escrita, é freqüentemente alvo de piadas por parte dos colegas. Com o isolamento, começa a repetir anos e a perder cada vez mais o interesse pela escola, "a qual vê transformada num elemento extremamente agressivo, desencadeando processos de hostilidade e fuga", completa a psicóloga.

Conforme publicou a Dr.ª. Sally Shaywitz, na Scientific American, de novembro de 1996, há cem anos, em novembro de 1896, um médico de Sussex, Inglaterra, publicou a primeira descrição do distúrbio de aprendizagem que viria a ser conhecido como dislexia desenvolvimental. Em 1996, assim como em 1896, a capacidade para ler é tomada como um "sinal" de inteligência, a maioria das pessoas supõe que se alguém é inteligente, motivado e escolarizado, ele ou ela irá aprender a ler. Mas a experiência de milhões de disléxicos demonstrou que aquela suposição é falsa. Na dislexia a aparentemente invariável relação entre inteligência e capacidade para ler não se aplica.

Em particular, a dislexia reflete uma deficiência no processamento das unidades lingüísticas distintas, chamadas fonemas, que constituem todas as palavras faladas e escritas.


Métodos de Diagnóstico

Distinguimos dois grandes tipos de diagnóstico e de intervenção clínica: o psicológico e o médico.

Do ponto de vista psicológico, elegemos como teste central para detecção da disfunção perceptiva a reprodução, em cópia e em memória, da Figura Complexa de Rey (F.C. Rey).

Quando se tornou necessário considerar a hipótese de uma deterioração mental ou simplesmente confirmar os dados da F.C.Rey, utilizamos o Teste de Retenção Visual de Benton. Este teste permite avaliar a diminuição ou deterioração das funções cognitivas.

Trata-se de testes pontuáveis e ao mesmo tempo qualitativos que nos permitem avaliar com grande precisão o grau de disfunção dos indivíduos testados.

Temos hoje possibilidade de fazer um diagnóstico precoce de uma criança potencialmente disléxica, logo a partir do Jardim de Infância. Um dos sintomas mais alarmantes nestas crianças é o seu distúrbio psicomotor o qual permite ao técnico especializado fazer um prévio despistamento do problema disléxico.


Equívocos em Relação à Dislexia

Segundo a Dr.ª. Sally Shaywitz, Diretora do Centro Yale para o Estudo da Aprendizagem e da Atenção e professora de pediatria na Yale University School of Medicine, há uma série de mitos sobre a questão que devem ser esclarecidos:

- As escritas de trás para frente e as inversões de letras e palavras são comuns nos estágios iniciais do desenvolvimento da leitura entre todas as crianças. Crianças disléxicas têm problemas na nomeação de letras, mas não na cópia de letras.

- Mais de duas décadas de pesquisa mostraram que a dislexia reflete um déficit lingüístico, não havendo evidências de que o treinamento dos olhos possa diminuir o distúrbio.

- Mesmo que muitos disléxicos aprendam a ler, eles continuam a fazê-lo de forma lenta, e não automaticamente, ou seja, a dislexia não é superada.

- A inteligência não está relacionada ao processamento fonológico, como as medidas de disléxicos inteligentes e perfeitos (William Butler Yeats, Albert Einstein, George Patton, John Irving, Charles Schwab and Nicholas Negroponte, atestam).


Visão Psicológica

Segundo a psicanalista Silvana Rabello, professora da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e do Instituto Sedes Sapientiae, através da história da criança, colhida junto aos pais, e do exame direto da criança, deve-se, antes de mais nada, diferenciar um quadro orgânico de um quadro emocional. A incidência deste último evidenciada por problemas de fala é bem alta. "Temos crianças sem intenções comunicativas, que dizem respeito aos quadros emocionais mais graves como autismo. Existem ainda outros quadros emocionais graves, como a psicose, que aparece através de um discurso incoerente, falas estranhas e às vezes, apenas gritos e ruídos. A fala é uma tarefa simbólica por excelência, logo, quadros emocionais importantes apresentam alterações graves de fala – problemas sérios no processo de subjetivação que a criança deve atravessar".

Ao ser indagada sobre o papel das famílias de crianças com problemas de fala e linguagem, a Dr.ª. Silvana relatou que eles devem ser inseridos no tratamento, pois trata-se de um quadro de deficiência comunicativa e a família é o maior estímulo e modelo comunicativo. "A família deve ser bem orientada, assim como acolhida no seu sofrimento frente um filho com problemas graves".



Visão Fonológica

Segundo a pesquisadora Dr.ª Sally Shaywitz, nas duas últimas décadas surgiu um novo modelo coerente de dislexia que se baseia no processamento fonológico. O modelo fonológico é coerente com os sintomas clínicos da dislexia e com o que os neurocientistas conhecem sobre a organização e o funcionamento do cérebro.

O fonema, definido como o menor segmento significativo da língua, é o elemento fundamental do sistema lingüístico. Diferentes combinações de apenas quarenta e quatro fonemas produzem todas as palavras da língua inglesa. Antes que as palavras possam ser identificadas, compreendidas, armazenadas na memória e evocadas, primeiro devem ser segmentadas, ou analisadas, em suas unidades fonéticas pelo módulo fonológico.

Na linguagem falada este processo ocorre automaticamente, em nível pré-consciente. Como Noam Chomsky e, mais recentemente, Steven Pinker, do Massachusetts Institute of Technology, defenderam convincentemente, a linguagem é instintiva - tudo que é necessário é que os humanos sejam expostos a ela.

Ao produzir uma palavra, o aparelho de fala humano - laringe, palato, língua e lábios - automaticamente comprime e mistura os fonemas. Como resultado, as informações dos diferentes fonemas se fundem em uma única unidade de som.

A criança disléxica possui um déficit no sistema de linguagem no nível fonológico que prejudica sua capacidade para segmentar a palavra escrita em seus componentes fonológicos subjacentes. Esta explicação de dislexia é chamada modelo fonológico. Um déficit circunscrito ao processamento fonológico prejudica a decodificação, impedindo a identificação da palavra. O impacto é mais evidente na leitura, mas ele também pode afetar a fala de modos previsíveis. Diversos estudiosos norte americanos esclarecem que os déficits fonológicos são os sinais cognitivos mais significativos da criança disléxica.

Segundo a Dr.ª Sally, muitos disléxicos aprendem a ler e mesmo se destacam nos estudos, apesar de suas dificuldades. Esses, chamados disléxicos compensados, têm um desempenho tão bom quanto os não disléxicos em testes de precisão da palavra. Contudo, eles não são automáticos nem fluentes em sua capacidade de identificar palavras e muitos relatam que a leitura é cansativa.

Para a pesquisadora, o modelo fonológico cristaliza exatamente o que queremos dizer com dislexia: um déficit encapsulado quase sempre cercado de poderes significativos no raciocínio, solução de problemas, formação de conceitos, pensamento crítico e vocabulário. O modelo demonstra que a memorização mecânica e a recuperação rápida da palavra são particularmente difíceis para os disléxicos. Mesmo quando conhecem as informações, quase sempre a necessidade de recuperá-las rapidamente e apresentá-las oralmente resulta na recordação de um fonema relacionado ou na organização incorreta dos fonemas recuperados. "Sob tais circunstâncias, os disléxicos irão salpicar sua fala com hesitações. Por outro lado, quando não pressionados a fornecer respostas instantâneas, os disléxicos podem fazer uma excelente apresentação oral", completa a pesquisadora.

Da mesma forma, na leitura, enquanto leitores não prejudicados podem decodificar palavras automaticamente, indivíduos disléxicos precisam recorrer ao uso do contexto para ajudá-los a identificar palavras específicas. Essa estratégia os deixa ainda mais lentos.

A experiência do Yale Center sugere que muitos disléxicos compensados têm uma vantagem distinta sobre os não disléxicos em sua capacidade para raciocinar e conceituar e que o déficit fonológico mascara o que freqüentemente são excelentes capacidades de compreensão.

Segundo revela a Dr.ª Sally, a dislexia é o mais comum dos distúrbios de aprendizagem. O número de crianças identificadas como apresentando distúrbio de aprendizagem subiu de 780.000 em 1976 para 2,3 milhões em 1993. Estima-se que são gastos 15 bilhões de dólares anualmente no diagnóstico, no tratamento, e no estudo de tais distúrbios.



Tratamento

No tratamento do disléxico, há, ao nível da clínica médica, neste âmbito da correção das perturbações posturais e proprioceptivas, três processos que se complementam: reprogramação postural e psicomotricidade; modificação da informação visual através de lentes prismáticas de pequena potência; apoio psicopedagógico especializado.

A Dr.ª Sally Shaywitz, em seu artigo publicado na Scientific American de novembro de 1996, relatou que o tratamento é uma área que tem estado cheia de controvérsias e, freqüentemente, de decepções. Através dos anos os educadores e os pais apoiaram muitas técnicas que prometiam ajudar as crianças a superar suas dificuldades de aprendizagem, apesar da falta de pesquisas independentes para sustentar aquelas alegações.

Segundo a autora, um dos mais elogiados tratamentos para os distúrbios de aprendizagem foi desenvolvido por um grupo liderado por Paula Talllal, co-diretora do Centro de Neurociência Molecular e Comportamental da Rutgers University em Newark, New Jersey, e por Michael M. Merzenich do Centro Keck de Neurociência Integrada da Universidade da Califórnia, em San Francisco. Essas pesquisas não se concentraram em disléxicos em si, mas em crianças com dificuldades de compreensão da fala. Nem todas as crianças com a linguagem prejudicada são disléxicas, nota Tallal, e nem todos os disléxicos têm a linguagem prejudicada. Os estudos sugeriram que 8% de todas as crianças devem ter linguagem prejudicada, deste grupo, mais do que 85% também apresentam dislexia.

Há alguns anos, vários pesquisadores associados desenvolveram a terapia computadorizada para o treinamento de crianças com linguagem prejudicada, é um programa de processamento de fala que permite aos pesquisadores a amplitude e a duração dos sons gravados. Tallal e Merzenich relataram na revista Science que onze crianças

treinadas com esses métodos adquiriram o equivalente a dois anos de habilidades de linguagem em apenas um mês.

FONTE DE PESQUISA: http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3804&ReturnCatID=1511

Qual a lei que garante o direito ao disléxico de fazer prova oral?


Qual a lei que garante o direito ao disléxico de fazer prova oral?


por Dr. Ricardo Bandeira de Mello (*)

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A legislação brasileira atual não possui regras específicas para os disléxicos, não havendo, portanto, uma lei em particular garantindo ao disléxico o direito de fazer prova oral, ter um tempo maior para realização de provas ou de que ele não possa ser reprovado.

O que existe são várias leis que, apreciadas em conjunto, possibilitam defender os direitos dos educandos com necessidades especiais, como são considerados os disléxicos.

Aproveita-se para observar que a avaliação de dislexia deve ser realizada através de uma equipe multidisciplinar (psicóloga, fonoaudióloga e psicopedagoga clínica, pelo menos), visto ser a dislexia uma avaliação de exclusão de outras possíveis comorbidades.

Para defender os direitos dos disléxicos é necessário observar a Constituição Federal (art. 208), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394) (art. 4º), a Resolução CNE/CEB nº 02 de 11 de dezembro de 2001 (art. 3º, 5º e 8º), o Estatuto da Criança e do Adolescente (arts. 53 e 54), além de outros artigos dessas leis e de outros documentos legais venham a existir, sendo estes os básicos.

Também auxilia nesta questão a Lei Estadual n.º 12.524, de 2 de janeiro de 2007, que dispõe sobre a criação do Programa Estadual para Identificação e Tratamento da Dislexia na Rede Oficial de Educação. Esta lei foi aprovada, mas ainda não foi regulamentada, o que impede a sua aplicação.

Os pais podem ainda procurar a Diretoria Regional de Ensino responsável pela escola onde se encontra matriculada a criança disléxica, e, se assim entenderem necessário, efetuar uma queixa contra a escola que não está cumprindo com a sua obrigação de efetuar a inclusão desse educando com necessidades especiais.

São as considerações básicas a serem observadas, de forma genérica, devendo cada caso individual ser analisado para buscar a solução mais adequada.
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* Ricardo Bandeira de Mello é Advogado e membro da diretoria da Associação Brasileira de Dislexia - ABD

Contato pelo Tel./Fax: 00 55 11 3151-3927

FONTE DE PESQUISA: http://www.dislexia.org.br/

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ CRIA O PROGRAMA ESTADUAL PARA IDENTIFICAÇÃO E TRATAMENTO DA DISLEXIA NA REDE PÚBLICA DE ENSINO




PROJETO DE INDICAÇÃO Nº 131/2007


CRIA O PROGRAMA ESTADUAL PARA IDENTIFICAÇÃO E TRATAMENTO DA DISLEXIA NA REDE PÚBLICA DE ENSINO.

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ INDICA:

Artigo 1º - Fica o Poder Executivo autorizado a criar o Programa Estadual para Identificação e Tratamento da Dislexia na Rede Pública de Ensino, objetivando a detecção precoce e acompanhamento dos estudantes com o distúrbio.

Parágrafo único - A obrigatoriedade de que trata o “caput” refere-se à aplicação de exame nos educandos matriculados na 1ª série do Ensino Fundamental, em alunos já matriculados na rede quando da publicação desta lei, e em alunos de qualquer série admitidos por transferência de outras escolas que não da rede pública estadual.
Artigo 2º - O Programa Estadual para Identificação e Tratamento da Dislexia na Rede Pública de Ensino deverá abranger a capacitação permanente dos educadores para que tenham condições de identificar os sinais da dislexia e de outros distúrbios nos educandos.
Artigo 3º - Caberá às Secretarias da Saúde e da Educação a formulação de diretrizes para viabilizar a plena execução do Programa Estadual para Identificação e Tratamento da Dislexia na Rede Pública de Ensino.
Artigo 4º - O Programa terá caráter preventivo e também proverá o tratamento do educando.
Artigo 5º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

SALA DAS SESSÕES DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ, em 4 de junho de 2007.
DEPUTADA LÍVIA ARRUDA
JUSTIFICATIVA

A Finalidade maior do projeto é criar o Programa Estadual para Identificação e Tratamento da Dislexia na Rede Pública de Ensino, objetivando a detecção precoce e acompanhamento dos estudantes com o distúrbio.
A dislexia é definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 05% e 17% da população mundial é disléxica.

(Fonte: Associação Brasileira de Dislexia)

A dislexia não é considerada uma doença. Pessoas com dislexia apresentam um funcionamento peculiar do cérebro para os processamentos lingüísticos relacionados à leitura. O disléxico tem dificuldade para associar o símbolo gráfico, as letras, com o som que elas representam, e organizá-los, mentalmente, numa seqüência temporal. É uma dificuldade de linguagem inesperada, pois não está relacionada a problemas visuais, auditivos, lesões neurológicas, retardo, problemas psicológicos e sócio culturais, segundo informação da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.

A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 10% da população têm necessidades especiais. Estas podem ser de diversas ordens - visuais, auditivas, físicas, mentais, múltiplas, distúrbios de conduta e também superdotação ou altas habilidades. Se essa estimativa se aplicar também no Brasil, teremos cerca de 15 milhões de pessoas com necessidades especiais. Os números de matrícula nos estabelecimentos escolares são tão baixos que não permitem qualquer confronto com aquele contingente. Em 1998, havia 293.403 alunos, distribuídos da seguinte forma: 58% com problemas mentais; 13,8%, com deficiências múltiplas; 12%, com problemas de audição; 3,1% de visão; 4,5%, com problemas físicos; 2,4%, de conduta. Apenas 0,3% com altas habilidades ou eram superdotados e 5,9% recebiam "outro tipo de atendimento"(Sinopse Estatística da Educação Básica/Censo Escolar 1998, do MEC/INEP). (Fonte: dislexia.org.br)

A Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seus arts. 12, I e V, 23 e 24, V “a”, determina o seguinte:

Art. 12- Os estabelecimentos de ensino, respeitado as normas comuns e as do sistema de ensino, terão a incumbência de:

I- elaborar e executar sua Proposta Pedagógica.

V- prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento

Art. 23- A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.
Art. 24- ...
V- ...
a) Avaliação contínua e cumulativa; prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período.

O Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, fruto da Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990, do direito à educação, em seu art.53, incisos I,II e III, disciplina:

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - direito de ser respeitado por seus educadores;
III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;

Portanto, a criação do Programa Estadual para identificação e tratamento da dislexia será um importante instrumento de apoio a formulação de políticas sociais para a detecção e prevenção da dislexia na rede pública de ensino no Ceará.

Assim sendo, confiamos e solicitamos o apoio dos Senhores Parlamentares para essa iniciativa que consideramos de alta relevância social.

SALA DAS SESSÕES DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ, em 4 de junho de 2007.

DEPUTADA LÍVIA ARRUDA

FONTE DE PESQUISA: http://www.al.ce.gov.br/legislativo/tramit27/pi131_07.htm

Assegura atendimento psicopedagógico aos estudantes com dislexia na rede pública de ensino do Distrito Federal.


LEI Nº 4.095, DE 1º DE FEVEREIRO DE 2008
Leis - Alunos de Inclusão
Assegura atendimento psicopedagógico aos estudantes com dislexia na rede pública de ensino do Distrito Federal.

O PRESIDENTE DA CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL, NO EXERCÍCIO DO CARGO DE GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL,

Faço saber que a Câmara Legislativa do Distrito Federal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica assegurado ao estudante com dislexia o direito ao acompanhamento por equipe de apoio psicopedagógico da rede pública de ensino do Distrito Federal.

Art. 2º O diagnóstico da dislexia será feito por equipe de apoio psicopedagógico, preferencialmente quando do ingresso da criança na escola.

Art. 3º Os estudantes com dislexia receberão atendimento conforme determina o Capítulo V da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

Art. 4º É assegurado aos estudantes com dislexia o acesso a materiais didáticos adequados ao desenvolvimento de suas potencialidades de aprendizagem.

Art. 5º As equipes de apoio psicopedagógico desenvolverão estudos para a identificação precoce da dislexia e repassarão essas informações aos professores e pais de alunos por meio de cursos.

Art. 6º O Poder Público assegurará aos professores da rede pública de ensino acesso a cursos de formação continuada sobre a dislexia, as formas de diagnóstico e de intervenção.

Parágrafo único. (VETADO).

Art. 7º Na elaboração de estratégias de diagnóstico, de atendimento, de produção de materiais e de formação de profissionais para lidar com estudantes disléxicos, o Poder Público poderá contar com o apoio de universidades, centros de pesquisa e entidades da sociedade civil que se tenham destacado no estudo da dislexia ou na prestação de serviços a pessoas disléxicas.

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 9º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 1º de fevereiro de 2008

120º da República e 48º de Brasília

ALÍRIO DE OLIVEIRA NETO

Criar ambientes na escola que apoiem a inclusão do dislexico.


“Criar ambientes na escola que apoiem a inclusão de todos os alunos requer empenho, planificação colaborativa e colaboração na resolução de problemas, assim como uma constante atenção à harmonização de princípios inclusivos com práticas educativas."(Correia, 2003, p. 55).


Na escola inclusiva, o papel do professor deve passar por contemplar uma variedade de estratégias instrucionais e de adequações curriculares, de forma a melhorar a resposta às diferentes necessidades dos alunos com dislexia. É na diversificação das actividades que o aluno disléxico poderá ter a oportunidade de adquirir mais rapidamente o seu objectivo, o de tornar-se um leitor proficiente.

Todavia, a literatura aponta que existe, nas nossas escolas, falta de conhecimento dos professores sobre perturbação da Dislexia. Serra (2006, in Revista Educare: 23/10/2006), questiona o que podem estar eles a fazer de errado e, com frequência, desvalorizarem as dificuldades destes alunos, condenando-os ao insucesso e abandono escolar. Poucos são os professores que obtiveram formação sobre esta problemática na sua formação inicial e que têm vindo realizá-la sob a forma de autoformação, ao longo de práticas pedagógicas, por vezes, menos acertivas. Na prática, a intervenção do professor reflecte-se na pedagogia diferenciada em sala de aula e para isso é necessário um plano de desenvolvimento para estes alunos, de forma a evitar 'desconfigurações' ou 'desvios' em relação ao conhecimento de metodologias e estratégias apropriadas, para avaliação do processo.

Publicada por Cirila Cardoso em 11:10
http://apoiodislexia.blogspot.com/2010/08/dislexia.html

Identificação da Dislexia na Rede Estadual de Ensino do Estado de Mato Grosso do Sul

Lei institui a Semana de Identificação da Dislexia na Rede Estadual de Ensino


Da Redação /12/08/2010 » 09:44 /JORNAL DO POVO.

Publicada nesta quarta-feira (11), no Diário Oficial, a lei nº 3.950, que institui o Programa Semana de Identificação da Dislexia na Rede Estadual de Ensino do Estado de Mato Grosso do Sul.

A iniciativa refere-se à aplicação de exame nos educandos matriculados na Rede Estadual de Ensino com enfoque para o Ensino Fundamental. O Programa “Semana de Identificação da Dislexia na Rede Estadual de Ensino” aplica-se também na capacitação periódica do corpo docente, proporcionando palestras, seminários, informativos, ou quaisquer outros, a fim de que aprendam a identificar, inicialmente, os sinais da dislexia e de outros distúrbios nos alunos.

De acordo com a lei, caberá à Secretaria de Estado da Saúde e da Educação a formulação de diretrizes para viabilizar a plena execução do Programa, sendo necessária a criação de equipes multidisciplinares de profissionais para a execução plena do trabalho de prevenção, e após identificados os casos, encaminhá-los a um tratamento adequado.





Fonte: Notícias MS

agosto 07, 2010

Dislexia na escola em debate

A mestre em educação Sônia Moojen vai falar sobre o ensino da ortografia na escola e na clínica, com foco nos transtornos da disortografia neste sábado, no Leblon. Sônia trará conteúdos que visam ampliar o conhecimento teórico sobre as formas de apropriação dos processos de escrita e, assim, desenvolver atividades práticas para a apropriação e automatização da ortografia.




A palestra é no Centro Integrado de Diagnóstico, no auditório do terceiro andar, de 9h às 17h. Telefone: 2235-4293.


Entrevista com: Dra. Sônia Moojen


Andrea Racy e Patricia Vieira

1- Fale-nos a respeito de sua formação profissional e suas atividades atuais.

Sou fonoaudióloga pelo Decreto nº 87.218/1982, graduada em Pedagogia pela UFRGS em 1967 e Mestre em Educação: área de concentração Psicologia Educacional pela FACED/UFRGS. A título de curiosidade, a tese defendida na conclusão do mestrado, em 1976, teve como título Avaliação de Sintomas das Dificuldades de Aprendizagem em crianças de 1ª, 2ª e 3ª séries do 1º grau de quatro classes socioeconômicas. Na ocasião, investiguei 1384 alunos a partir de depoimentos de seus professores em busca de dados sobre a incidência de crianças do 1º grau com dificuldades de aprendizagem, a compreensão desse tipo de problema por parte do professor, bem como a identificação das providências tomadas em nível escolar naquela época. Também relacionei dados referentes à classe social e ao sexo.

O Curso de Especialização em Psicopedagogia Terapêutica foi feito em 1972-1973, na Clínica Médico-Pedagógica de Porto Alegre, sob a coordenação do Dr. Nilo Fichtner.

Em 1974-1975, coordenei, junto com Dr. Nilo, o 1º curso de Especialização em Psicopedagogia Terapêutica, feito em universidade no Brasil. O curso foi desenvolvido na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tinha 1200 horas. Na mesma Faculdade, lecionei, entre os anos de 1969 e 1992, as disciplinas de Psicopedagogia Terapêutica I e II; Didática I e II; Prática de Ensino do Curso de Pedagogia; Técnicas do Exame Psicopedagógico e Bases Sociais e Psicopedagógicas da Aprendizagem.




A dislexia é um tema que me preocupa desde 1969. Naquela ocasião, a significação do termo era mais ampla que a atual, abarcando qualquer transtorno na leitura e escrita. O 1º disléxico que encontrei na minha carreira foi atendido em 1969 e reavaliado recentemente em pesquisa longitudinal.

Quanto à minha atuação no momento, trabalho em consultório fonoaudiológico e psicopedagógico desde 1969. Iniciei essa atividade a partir de cursos e da observação do trabalho da equipe do Dr. Julio Bernaldo de Quirós, na Argentina.

Acompanhei, durante todos esses anos, as diversas teorias e práticas relacionadas à dislexia. Mesmo assim somente em 2000 encontrei maior identidade do meu trabalho com as idéias e as pesquisas de professores Emílio Sanchez Miguel, Mercedes Rueda e Jesus Martins, da Universidade de Salamanca. Desde essa data, estudo periodicamente com esses professores, observando atividades clínicas e, particularmente, estudos de investigação em dislexia.

Atualmente, aposentada pela UFRGS, leciono a disciplina de Diagnóstico e Tratamento das Dificuldades/Transtornos de Aprendizagem em cursos de especialização em Santa Maria, Erechim e Frederico Westphalen. Em Santa Maria também coordeno o estágio supervisionado.

Tenho o privilégio de ser membro consultor de duas Sociedades de Dislexia: a do Rio de Janeiro e a de Porto Alegre.

Desenvolvo algumas pesquisas na área psicopedagógica que serão mais detalhadas em resposta à última pergunta.

2- O que é dislexia?

A dislexia é um transtorno específico nas operações implicadas no reconhecimento das palavras que compromete, em maior ou menor grau, a compreensão da leitura. Possui uma moderada evidência de origem genética, e afeta um subconjunto, claramente minoritário, de alunos com problemas na aprendizagem da leitura e da escrita.

Considero a dislexia um Transtorno de Aprendizagem da Leitura e Escrita em nível severo, em sujeitos com capacidade intelectual normal.

3- Quais as características apresentadas por um indivíduo para poder diagnosticar dislexia?

O disléxico apresenta necessariamente dificuldades nas habilidades nucleares, quais sejam reconhecimento de palavras (falta de precisão e rapidez), reconhecimento de pseudopalavras e escrita ortográfica. Também são muito freqüentes dificuldades em habilidades associadas, como compreensão leitora, erros ortográficos e redação de texto.

Tais dificuldades estão presentes em sujeitos que tiveram escolarização adequada, visão e audição normal ou corrigida e não são portadores de problemas psíquicos ou neurológicos graves (que justifiquem, por si só, as dificuldades escolares). Normalmente estão atrasados na leitura e na escrita, com relação a seus pares, em dois anos, no mínimo, (se a criança tem mais de 10 anos) e um ano e meio (se tem menos dessa idade). Essa consideração é importante e condiciona a época de diagnóstico: após o final de 2ª série ou início de 3ª.

Outra característica definitiva é a persistência do problema apesar de tratamento adequado, tornando o prognóstico reservado.

4- Quais os instrumentos utilizados na área da psicopedagogia clínica para diagnosticar um disléxico?

Indicamos os seguintes procedimentos básicos para uso do psicopedagogo:

a) Anamnese com pais ou cuidadores, com a finalidade de obter informações sobre a história da criança. É preciso verificar também se a experiência educativa foi normal, descartar problemas auditivos ou visuais, bem como verificar a ocorrência de problemas semelhantes em familiares.

b) Testes de leitura

Utilizamos um teste de decodificação de sílabas, palavras e pseudopalavras onde se observa o uso das vias de reconhecimento, a velocidade, a presença de substituições, omissões, inversões, transposições, adições e retificações.

A observação da leitura (silenciosa e oral) de textos visa analisar estratégias de reconhecimento de palavras e de compreensão, velocidade, nível de esforço, tipos de erros, ritmo e expressão, aproximação texto-olhos, movimentos de olhos e cabeça, sentimentos expressos antes, durante e depois da leitura.

c) Testes de escrita

Para avaliar a escrita aplico um ditado balanceado e padronizado e um ditado de texto, acompanhado de análise quantitativa e qualitativa dos erros, vacilações, re-escritas, sentimentos expressos. Também analiso a produção textual espontânea ou semi-dirigida para avaliar a coerência, coesão, uso de pontuação, concordância nominal e verbal, ortografia, etc.

Muitas vezes é útil a análise de uma cópia de texto (máximo 5 minutos) para observar distância texto-olhos, porções copiadas, velocidade, tipos de erros, qualidade do grafismo, postura, etc

d) Teste de Consciência Fonológica – CONFIAS (Moojen e colab., 2003) um instrumento de avaliação seqüencial das habilidades metafonológicas.

O estudo do disléxico deverá ser complementado por uma análise minuciosa do material escolar e das fichas de avaliação, desde o início de sua vida escolar.

O psicopedagogo que não aprofundou estudos na área da linguagem necessita do auxílio de um fonoaudiólogo para complementar a avaliação com testes de vocabulário e de fluência verbal e, particularmente, a testagem de processamento auditivo que é de competência da fonoaudiologia.

5- Um indivíduo disléxico pode superar a dificuldade de aprendizagem ou necessitará de um acompanhamento constante?

Como já foi referido anteriormente, a dislexia tem um prognóstico reservado, o que a torna um problema persistente. Os disléxicos não automatizam plenamente as operações relacionadas ao reconhecimento de palavras, razão pela qual despendem mais tempo e energia em tarefas de leitura. O aluno disléxico que, evidenciando alto grau de adaptação escolar, consegue entrar na universidade, apresenta dificuldades importantes na leitura de palavras não-familiares.

O tratamento do disléxico envolve um processo lento, laborioso e sujeito a recaídas, conforme sugerem os dados de estudos longitudinais de sujeitos reabilitados (Rueda e Sanchez, 1994).

Tenho entrado em contato com faculdades cursadas por pacientes disléxicos, com a concordância deles, para informar aos professores sobre as características desse transtorno, bem como para oferecer as orientações necessárias para uma adequada avaliação dos alunos disléxicos universitários.

7- No momento, quais são suas investigações e estudos nessa área?

Estou envolvida em dois tipos de investigação relacionadas às duas habilidades nucleares da leitura. A primeira diz respeito à elaboração e padronização de dois testes: um de decodificação de sílabas complexas; e outro de leitura de palavras e de pseudopalavras. A segunda investigação refere-se à elaboração de textos informativos para avaliação da compreensão leitora de alunos desde a 2ª série até a idade adulta.

A pesquisa que considero mais importante atualmente é supervisionada pelo prof. Emílio Sanchez e envolve um estudo longitudinal de 20 disléxicos atendidos desde 1968.

Sinto-me uma “eterna aprendiz” em dislexia.

Então, como diagnosticar a dislexia?

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...

PORQUÊ, SOMOS DIS !!!

Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.

como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.

Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!

Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.

Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.