agosto 03, 2009

O problema da Dislexia


Dificuldades na Leitura e na Ortografia.

Por Luciene Rodrigues Rochael Galvão


Atualmente, entende-se por dislexia o distúrbio isolado do aprendizado da leitura e da escrita em crianças com uma inteligência normal. Cerca de 3% a 8% das crianças são portadoras desse distúrbio. Pais e professores são chamados a procurar ajuda eficaz. Veja alguns pontos de vista para melhor compreensão e atenuação desses distúrbios.

Aprender a grafia das letras exige da criança a capacidade e a prontidão para decifrar fonemas isolados a partir das palavras que ela conhece como todo, ou seja, fragmentos da palavra. Em vez de captar seu sentido pela audição, ela deve prestar atenção somente numa parte do som da palavra. Ao mesmo tempo, exige-se ainda uma segunda abstração: acreditar que um sinal gráfico não-figurativo seja o próprio som.

Esses sinais abstratos, constituídos de retas e curvas, só adquirem sentido devido a uma posição bem determinada em relação a nós mesmos. Nós nem sequer conseguimos pronunciá-las sem juntar-lhes uma vogal. Fazer surgir palavras a partir dessas coisas imprecisas é, realmente, uma “arte enigmática”. Por que não escrevemos a palavra “papel” com “u” no fim, e por que ouvimos “toque” e escrevemos “toque”? Quando pronunciamos o “q” sozinho, tampouco ele é escrito com um “u” depois.

Essas indicações podem apontar algumas das causas que provocam inseguranças e distúrbios. Crianças que ainda reconhecem um sinal como uma imagem terão dificuldade; e também aquelas que tomam as afirmações do professor ao pé da letra, principalmente quando este lhe diz: ” escreva como você ouve e fala” e elas acreditam fielmente nisso. Isto já mostra que, para fazermos jus à criança, o processo da aprendizagem da escrita e da leitura deve ocorrer num período de tempo bem amplo. Mas também aparece o desejo de que o professor seja realmente um entendido em escrita, no sentido de conhecer as armadilhas para os disléxicos, e assim estruturar o processo de escrever em etapas seguras, pesquisadas pela análise fonética.

Podemos notar que algumas crianças aprendem a ler e escrever quase por si mesmas, e elaboram todas as exceções às regras brincando. Elas dão a impressão de estarem apenas recordando como se escreve. Para outras, ao contrário, parece que o mundo desaba, pois até então elas aparentemente não tinham qualquer dificuldade de orientação, ou muito pouca, e facilmente, participavam de tudo, enquanto agora subitamente lhes é exigido algo que elas não compreendem. Por algum tempo, elas ainda escrevem seguindo leis que os especialistas de dislexia identificam como tentativas de ouvir muito bem: mais tarde aparecem erros cada vez mais pronunciados na estrutura da palavra escrita, o que lhes permite reconhecer a resignação crescente da criança. Nessa época, muitas vezes se manifestam sintomas vegetativos, como: palidez, predisposição a doenças, cansaço, fraqueza, distúrbios do sono, dores de barriga, enurese e agressividade. Encontram-se até mesmo doenças orgânicas graves no rol das crianças não reconhecidas como disléxicas e que vem para tratamento médico. Especialmente nessas crianças com doenças orgânicas, facilmente se deixa considerar como causa ou como fator de piora um distúrbio de escrita. Mas também os sintomas vegetativos e psíquicos indicam claramente que agora a situação adquire valor de doença. É importante que na presença de todos esses sintomas também se pense numa dislexia, fazendo os testes correspondentes.

Naturalmente, não é suficiente apoiar-se apenas nas trocas entre ‘b’ e ‘d’ ou ‘p’ e ‘q’. Mais difícil é avaliar as outras falhas do desempenho do aluno surgidas nesse meio tempo, quanto à sua origem. Aqui se faz necessário um diagnóstico minucioso, seguido de um trabalho de estímulo individual.

Devem-se analisar detalhadamente os erros da escrita da criança, e também sua capacidade global de orientação, o domínio corporal, a percepção estrutural, a capacidade de compreender o que é dito e a capacidade de falar. A terapia é planejada individualmente, de acordo com cada situação. Logo que a criança percebe progressos e os primeiros resultados da terapia se manifestam, sua confiança aumenta e os sintomas vegetativos cedem rapidamente.

Para o êxito do ensino da escrita e da leitura, é preciso estimular por períodos longos; quando o problema é constatado precocemente e a criança recebe atendimento integral, deve-se contar com um a dois anos, caso contrário o tempo geralmente será maior. Em casos graves, recomenda-se procurar uma instituição especializada na terapia da dislexia. O tratamento pode ser complementado com uma terapia de integração sensório-motora e/ou com eurritmia curativa, para melhorar as condições de êxito do tratamento. Em todos os casos, é preciso haver estreita cooperação entre o terapeuta, professores e pais.

Crianças pequenas que parecem apresentar retardo no desenvolvimento da fala, podem ser estimuladas quanto à sua atividade sensorial e à formação de sua memória. Esses estímulos dão suporte à necessária metamorfose das forças de crescimento em forças de pensamento, a precondição para qualquer atividade mental, que ocorre de forma irregular na dislexia. Para crianças com distúrbios de orientação espacial, temporal e de consciência, recomenda-se medidas que possam ser executadas por um professor ou terapeuta no contexto escolar, nos primeiros anos escolares, tais como:

- exercícios de percepção;

- seguir o trajeto de formas e suas imagens espelhadas no chão;

- desenhar formas com o pé (prender o giz entre os dedos do pé e desenhar sobre o papel de embulho claro – melhor ainda, com de giz de cera grosso);

- desenhar no ar a forma com a mão, tendo os olhos fechados;

- no dia seguinte, desenhar a forma de memória no papel, depois de todo o processo ter sido rememorado e repetido concretamente com a criança;

- repetir todos os passos, tendo como modelo as formas das letras;

- fazer exercícios progressivos em que o aluno escreva o que ouviu, começando com sílabas simples. Passar de maneira lúdica mas sistemática para palavras de várias sílabas, cuja grafia seja fonética, e somente mais tarde para palavras que só possam ser escritas corretamente obedecendo a certas regras;

- Posteriormente, fazer com regularidade ditados breves com palavras de grafia fonética, que acarrretem o mínimo de experiências de fracasso;

- tratamento com eurritmia curativa. (arte do movimento desenvolvida por Rudolf Steiner entre os anos de 1911 e 1924, em que os elementos da linguagem e da música tornam-se visíveis em formas dinâmicas e específicas. Seu fundamento é a compreensão exata das diferentes qualidades da linguagem, dos fonemas e tons.)

Quando se lida com crianças disléxicas, deve-se irradiar alegria e otimismo. Muitas vezes, os problemas presentes ainda pioram porque as crianças sofrem com as situações de fracasso, sem receber apoio suficiente, ou até vendo adultos resignados.

Referência bibliográfica:

GOEBEL, Wolfgang; GLÖCKLER, Michaela. Consultório Pediátrico. São Paulo: Antroposófica, 2003.

FONTE DE PESQUISA: http://psicologiaeeducacao.wordpress.com/2009/08/02/o-problema-da-dislexia/

3 comentários:

camila disse...

tenho um filho de 20 anos ele teve epilepcia hoje ja nao toma mais remedios nem da convulsao,mas ele tem dificuldade pr escrever e ler,então descobri q ele tem dislexia,queria saber como fazer pra ele aprender a ler escrever bem se é possivel?ele sonha em fazer direito,não sei o que fazer?estou observando q ele se fecha para convivio social,fica nervoso por não saber ler,me ajudem o que faço?meu nome é simone moro no interior de goias,

camila disse...

tenho um filho de 20 anos ele teve epilepcia hoje ja nao toma mais remedios nem da convulsao,mas ele tem dificuldade pr escrever e ler,então descobri q ele tem dislexia,queria saber como fazer pra ele aprender a ler escrever bem se é possivel?ele sonha em fazer direito,não sei o que fazer?estou observando q ele se fecha para convivio social,fica nervoso por não saber ler,me ajudem o que faço?meu nome é simone moro no interior de goias,

camila disse...

sou irma do felipe que tem dislexia eu e minha mae simone queremos saber mais sobre dislexia e saber como ajudar meu irmão

Então, como diagnosticar a dislexia?

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...

PORQUÊ, SOMOS DIS !!!

Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.

como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.

Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!

Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.

Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.