junho 07, 2008

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NOS DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM.


Estudo sugere práticas pedagógicas no combate a distúrbios de aprendizagem.
(25/04/2008)
Começa com queixas de professores e de coordenadores escolares e, depois de o problema chegar à família, vem o diagnóstico médico: dislexia, hiperatividade ou outro problema relacionado. A educadora Ynayah Souza de Araújo Teixeira sentiu na pele o problema: teve quatro filhos com distúrbios de aprendizagem na fase escolar.

"Foi um processo longo e traumático, com encaminhamentos a neurologistas, fonoaudiólogos, pedagogas, psicólogos e foniatras. Todos indicavam a necessidade de terapias, exames e medicamentos para tentar contornar a situação. Eu indagava se os problemas eram dos meus filhos ou se era a escola que os criava", conta.

Ynayah decidiu então buscar no curso de Pedagogia elementos que esclarecessem o dilema. Ela não só conseguiu mudar a própria história - todos os filhos cursaram universidade pública - como também relatou, em sua dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), junto ao Programa de Saúde da Criança e do Adolescente, histórias de crianças que sofreram e sofrem esse processo.

A pesquisa aborda as possibilidades de essas crianças superarem histórias de fracasso escolar por meio da adoção de práticas pedagógicas adequadas por parte da escola. Atualmente, Ynayah é professora de uma instituição particular de ensino, transformando em pesquisa o que vivenciou na sua experiência como mãe e professora.

"Acredito no enfrentamento da medicalização pelo trabalho pedagógico. Sei que os relatos podem ajudar muitas pessoas que estão passando pela mesma situação", observa. Orientada pela professora Maria Aparecida Affonso Moyses, ela entrevistou professores, pais e alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental do colégio em que leciona. Todas as crianças entrevistadas sofriam um processo de medicalização, ou seja, tratava-se de alunos diagnosticados e rotulados como portadores de algum distúrbio ou doença que impediam a aprendizagem e que foram encaminhadas para profissionais da área da saúde.

Segundo Ynayah, há uma transferência de responsabilidades, pois o problema passa a ser da criança e, conseqüentemente, da família. "A escola transfere sua responsabilidade e à criança não resta alternativa a não ser incorporar a doença. A criança é estigmatizada, o que acarreta muitos outros problemas, inclusive de auto-estima, pois acredita que suas dificuldades de aprendizagem são conseqüência de suas limitações pessoais", alerta.

Os diagnósticos e rótulos na escola, explica a professora, muitas vezes estão ligados ao fato de o aluno possuir letra ilegível, erros de português, não parar quieto ou ser indisciplinado. A pesquisadora não ignora o fato de que existam crianças que precisem de acompanhamento, mas questiona os modismos criados em torno da situação. "Qualquer problema detectado na escola é encarado como distúrbio, como doença da criança. Já se cristalizaram algumas "verdades" que precisam ser revistas. É preciso abrir novos caminhos para as soluções", acredita.

Um exemplo é que nas entrevistas com professores, ela identificou olhares diferentes em relação ao mesmo problema. Muitos enxergavam as possibilidades do aluno e não, apenas, seus impedimentos. "A postura desses professores foi determinante para a resposta da criança", destaca. Nos três casos analisados pela pedagoga, ela acredita que esta postura foi importante para as crianças vivenciarem histórias de sucesso, inclusive passar em processo seletivo para o ensino médio, o chamado vestibulinho.

Texto: Raquel do Carmo Santos


Fonte: Jornal da Unicamp/http://www.saudeemmovimento.com.br
FONTE DE PESQUISA: http://www.swbrasil.org.br/site/default.php?cod=noticias&id=163

2 comentários:

ThomazJunior_crfand1 disse...

Oi!Foi reconfortante sua experiência!Parece que falou o que estou vivendo...como posso adiantar o laudo de um profissional para que seu prejuízo seja menor?Já que os dreitos só serão garantidos mediante o mesmo...

andrea disse...

Boa tarde. Meu nome é Andrea e estou na fase final do meu trabalho de conclusão de curso. O tema é DISLEXIA E POSSIVEIS TRABALHOS DO PROFESSOR EM SALA DE AULA. Eu visitei seu blog e achei super interessante, pois, fala sobre a dislexia. Gostaria de saber se há alguma possibilidade de você me ajudar respondendo um questionário na qual será anexado no meu tcc sobre a dislexia. Se você puder ficarei muito grata.

Então, como diagnosticar a dislexia?

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...

PORQUÊ, SOMOS DIS !!!

Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.

como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.

Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!

Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.

Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.