julho 13, 2010

CURSO BÁSICO SOBRE DISLEXIA - JULHO 2010


CURSO BÁSICO SOBRE DISLEXIA - JULHO 2010


19 a 24 de Julho 2010

Ficha de Inscrição Contrato de Inscrição Preços



PROGRAMA COMPLETO - 6 DIAS - 50 horas - 24 Palestras

Grade sujeita a alteração

Data Hora Palestras

19 JUL 10 - 2ª. FEIRA 08h00 Credenciamento

09h00 Abertura e Histórico da ABD

Rosemari Marquetti de Melo, presidente voluntária da ABD

Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga

09h15 Apresentação do Curso

Márcia Maria Barreira, psicóloga e coordenadora do curso

Tânia Maria de Campos Freitas, psicopedagoga e coordenadora do curso

09h30 Coffe Break

10h00 Estágios Maturacionais da Criança

Dra. Sylvia Liana Cartolano, médica pediatra

11h30 A Constituição da Personalidade

Marisa Martins de Oliveira, psicóloga

13h00 Almoço

14h30 O Cérebro e suas Funções

Dr. Fernando Nório Arita, médico neuropediatra

16h00 Intervalo

16h30 Aquisição da Leitura e Escrita

Cinthia W. Sá , fonoaudióloga

18h00 Saída



20 JUL 10 - 3ª. FEIRA 09h00 Alterações Gerais da Leitura e da Escrita

Tânia Maria de Campos Freitas, psicopedagoga

10h30 Coffe Break

11h00 A Base Neurobiológica da Dislexia

Profa. Dra. Sylvia Maria Ciasca, psicóloga

12h30 Almoço

14h00 A Dislexia em Foco

Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga

15h30 Intervalo

16h00 Quadro Sintomático da Dislexia

Márcia Maria Barreira, psicóloga

17h30 Saída



21 JUL 10 - 4ª. FEIRA 09h00 Classificação da Dislexia

Dra. Cíntia Alves Salgado, fonoaudióloga

10h30 Coffe Break

11h00 Atenção e Memória

Luciana de Carvalho Monteiro, psicóloga

12h30 Almoço

14h00 Funções Executivas

Cristiana Castanho A. Rocca, psicóloga

15h30 Intervalo

16h00 Avaliação Neuropsicológica

Márcia Maria Barreira, psicóloga

17h30 Saída



22 JUL 10 - 5ª. FEIRA 09h00 Avaliação Fonológica e Psicopedagógica

Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga

10h30 Coffe Break

11h00 Tratamento Psicopedagógico

Tânia Maria de Campos Freitas, psicopedagoga

12h30 Almoço

14h00 A Informática na Intervenção Psicopedagógica

Silvia Amaral de Mello Pinto, psicopedagoga

15h30 Intervalo

16h00 Tratamento Fonoaudiológico

Cínthia Cristina Aranha Wilmers de Sá, fonoaudióloga

17h30 Saída



23 JUL 10 - 6ª. FEIRA 09h00 Vivência da Alfabetização através do Método Multissensorial

Áurea Maria Stavale Gonçalves, psicóloga e psicopedagoga

Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga

10h30 Coffe Break

11h00 Estratégias Específicas de Leitura

Silvana Chatagnier Borges Perez, psicopedagoga

12h30 Almoço

14h00 A Poesia como Estratégia de Produção de Textos

Edith Chacon Theodoro, professora

15h30 Intervalo

16h00 A inclusão do Disléxico em Sala de Aula

Prof. Mário Ângelo Braggio

17h30 Saída



24 JUL 10 - SÁBADO 09h00 Dislexia e a Legislação Brasileira

Dr. Ricardo Bandeira de Mello, advogado e diretor voluntário da ABD

10h30 Coffe Break

11h00 Acolhendo o Disléxico e sua Família

Julieta Al Makul Durce, psicóloga

12h30 Almoço

14h00 Mesa Redonda

Equipe Científica da ABD

15h30 Intervalo

16h00 TCC - Trabalho de Conclusão de Curso

Marcia Maria Barreira, coordenadora do curso

Tânia Maria de Campos Freitas, coordenadora do curso

17h30 Saída

Ficha de Inscrição Contrato de Inscrição Preços

Notícias : ABD apoia evento em Mogi das Cruzes sobre Dislexia.

julho 07, 2010

Psiquiatria e Psicologia: A Nova Ciência da Dislexia.

20/07/2003










Christine Gorman



Quando Sean Slattery, 17 anos, olha para uma página de texto, ele consegue ver as letras. Ele sabe dizer os nomes das letras. Ele até mesmo sabe dizer que sons aquelas letras representam. Mas freqüentemente demora um pouco para o articulado estudante colegial de Simi Valley, Califórnia, dizer que palavras aquelas letras formam. "Eu vejo uma parede", disse ele. "Eu vejo um obstáculo que tenho que superar". Algumas palavras são mais fáceis para Sean determinar do que outras. "Eu entendo palavras maiores, como 'eletricidade'", disse ele. "Mas tenho dificuldade com as menores, como 'quatro' e 'ano'".



Slattery tem dislexia, uma desordem de leitura que persiste apesar de um bom ensino e inteligência normal ou acima da média. É uma deficiência que afeta 1 em cada 5 crianças em idade escolar. Mas a exata natureza do problema tem escapado dos médicos, professores, pais e dos próprios disléxicos desde que ela foi descrita pela primeira vez há mais de um século. De fato, é tão difícil para os leitores normais imaginarem como é não ser capaz de compreender sem esforço a palavra impressa que eles geralmente suspeitam que o problema verdadeiro é preguiça, teimosia ou incapacidade dos pais orgulhosos de reconhecer que seu filho ou filha não é tão inteligente.



O mistério -e talvez parte do estigma- pode estar finalmente começando a ser solucionado. Quanto mais os pesquisadores aprendem sobre a dislexia, mais eles compreendem que não se trata de falta de capacidade, mas sim de um problema biológico -particularmente no cérebro. Não, as pessoas com dislexia não apresentam dano cerebral. Imagens do cérebro mostram que eles são perfeitamente normais, quando não extraordinários. Na verdade os disléxicos parecem ter uma vantagem distinta quando se trata de pensar de forma diferente.



Mas uma crescente quantidade de evidências científicas sugerem que é uma falha no sistema neurológico de transmissão dos disléxicos que torna a leitura extremamente difícil para eles. Felizmente, a ciência também aponta novas estratégias para superar esta falha. Os programas mais bem-sucedidos se concentram no fortalecimento da aptidão do cérebro de vincular as letras aos sons que representam. (Mais adiante falaremos sobre a razão da importância disto.) Alguns estudos sugerem que o tipo certo de instrução ministrado desde cedo pode reconfigurar o sistema neurológico no cérebro de forma tão ampla que a falha desaparece totalmente.



As novas descobertas podem até mesmo estar começando a mudar as políticas públicas. Quando o governo americano lançou uma iniciativa de educação em 2001 chamada "Nenhuma Criança Deixada para Trás", seus administradores deixaram claro que os recursos seriam repassados apenas aos programas de leitura baseados em evidências sólidas, como as reveladas pela pesquisa da dislexia. "Na educação, é nova a idéia de que há evidências de que alguns programas são mais eficazes do que outros", disse Sally Shaywitz, uma neurocientista de Yale que escreveu um novo livro fascinante, "Overcoming Dyslexia" (superando a dislexia, Alfred A. Knopf; abril de 2003), que detalha a mais recente pesquisa de escaneamento do cérebro -grande parte feita no laboratório dela. "A boa notícia é que realmente entendemos os passos de como você se torna um leitor e como você se torna um bom leitor", disse ela.



Neste processo, uma série de mitos sobre a dislexia foram implodidos. Você já pode ter ouvido, por exemplo, que se trata de inverter as letras, escrevê-las ao contrário. Errado. Praticamente todas as crianças fazem cópias invertidas de letras enquanto aprendem a escrever, apesar dos disléxicos fazerem isto mais vezes. Você pode acreditar que mais meninos são disléxicos do que meninas. Errado de novo. Os meninos apenas são notados com mais freqüência porque costumam manifestar mais a sua frustração. Você pode achar que a dislexia pode ser superada com o crescimento. Este é talvez o mito mais prejudicial, porque leva os pais a retardarem a procura pelo ensino especial necessário para impedir que seus filhos fiquem muito para trás. "A maioria dos estudantes que são identificados com desordem de aprendizado o são entre as idades de 11 a 17 anos", disse Robert Pasternack, secretário assistente para Educação Especial e Serviços de Reabilitação. "E aí já é muito tarde". Eles ainda podem aprender a ler, mas sempre será difícil.



Isto não quer dizer que os disléxicos não possam ter sucesso apesar de sua deficiência. Na verdade, os disléxicos estão representados em excesso nas altas posições das artes, ciências e administração de empresas. Talvez porque seus cérebros possuam uma configuração diferente, os disléxicos geralmente são bons solucionadores de problemas, apresentando soluções com abordagens novas ou surpreendentes, e realizando saltos conceituais que deixam os pensadores seqüenciais, passo a passo, comendo poeira. Eles falam sobre serem capazes de ver coisas em Technicolor 3D ou como em um jogo de xadrez multidimensional. Talvez sua luta inicial com a leitura os prepare melhor para lidar com a adversidade de um mundo volátil, em constante mudança.



Mas a dificuldade apresenta dois lados. Os disléxicos também estão representados em excesso na população carcerária. Segundo Frank Wood, professor de neurologia da Universidade Wake Forest em Winston-Salem, Carolina do Norte, novas pesquisas mostram que as crianças com dislexia apresentam maior probabilidade do que os não disléxicos de abandonarem a escola, se afastarem dos amigos e familiares ou tentarem suicídio.



O que está em jogo nunca foi tão alto. No momento nos Estados Unidos há quase 3 milhões de estudantes em classes de ensino especial especificamente porque não conseguem ler. A maioria deles provavelmente é disléxico. Mas há outros alunos com dificuldade de leitura que simplesmente são ignorados -perdidos em meio a salas de aula lotadas ou tratados como se tivessem problemas disciplinares. A menos que uma ação corretiva seja tomada, a autoconfiança deles geralmente é minada à medida que vêem outros estudantes progredindo. Ainda pior, seus pares podem ridicularizá-los ou condená-los ao ostracismo -uma situação que Judy, a mãe de Sean Slattery, conhece muito bem. "Sean chorava por quatro horas todo dia após voltar do jardim de infância", disse ela. "Ele ficava muito infeliz".



Os pesquisadores ainda não sabem tudo o que há para saber sobre as dificuldades de aprendizado. A dislexia, por exemplo, pode consistir de vários subtipos. "Seria perigoso presumir que todas as crianças com problemas de leitura sejam iguais e apresentem os mesmos obstáculos que as impeçam de aprender a ler", disse Mel Levine, um pediatra e autor de vários livros influentes sobre desordens de aprendizado e dislexia, incluindo "A Mind at a Time" (uma mente de cada vez). Mas seja qual for a natureza exata da deficiência, a busca por respostas começa com a palavra escrita.



Quando você pensa a respeito, o fato das pessoas conseguirem ler é uma espécie de milagre. A leitura exige que seu cérebro reajuste seus processadores visuais e de fala de forma que símbolos artificiais, como as letras em um pedaço de papel, sejam vinculados aos sons que representam. Não basta simplesmente ouvir e compreender as palavras diferentes. Seu cérebro precisa desmembrá-las nos sons que as formam, ou fonemas. Quando você "vê" a palavra escrita "gato", seu cérebro deve "ouvir' os sons /g/ ... /a/ ... /t/ ... /o/ e associar o resultado com o animal doméstico.



Diferentemente da fala, que qualquer criança sem problema de desenvolvimento eventualmente aprende imitando outros que falam, a leitura deve ser ensinada ativamente. Isto faz sentido do ponto de vista da evolução. Os lingüistas acreditam que a palavra falada tenha entre 50 mil e 100 mil anos de idade. Mas a palavra escrita -e consequentemente a leitura- provavelmente existe há não mais que 5 mil anos. "Isto não é tempo o bastante para nossos cérebros evoluírem certas regiões apenas para tal propósito", disse Guinevere Eden, uma professora de pediatria da Universidade de Georgetown em Washington, que também usa escaneamentos do cérebro para estudar a leitura. "Nós provavelmente estamos usando toda uma rede de áreas no cérebro que originalmente foram desenvolvidas para fazer algo ligeiramente diferente". Como Eden coloca, o cérebro está trabalhando em um emprego adicional -e alguns das falhas resultantes precisam ser corrigidas.



Para compreender de que tipo de falhas estamos falando, ajuda saber um pouco como o cérebro trabalha. Os pesquisadores há muito estão cientes de que as duas metades, ou hemisférios, do cérebro tendem a se especializar em tarefas diferentes. Apesar da divisão de trabalho não ser absoluta, o lado esquerdo é particularmente apto para o processamento de linguagem enquanto o direito é mais voltado para a análise de informações espaciais. A especialização não pára aí. Dentro de cada hemisfério, regiões diferentes do cérebro realizam uma análise ainda maior de várias tarefas. Assim a leitura de um soneto, pegar uma bola ou o reconhecimento de um rosto exigem uma interação complexa de uma série de regiões diferentes do cérebro.



Grande parte do que os neurocientistas sabem sobre o cérebro veio do estudo de pessoas que se submeteram a cirurgias no cérebro ou que sofreram danos cerebrais. Claramente, esta não é a forma mais conveniente de aprender sobre o cérebro, especialmente se você quer saber mais sobre o que é normal. Mesmo fotos altamente detalhadas, obtidas com as mais avançadas máquinas de imagens de raio X realçadas por computador, revelam apenas a anatomia básica do órgão, não como as várias partes trabalham juntas. O que os pesquisadores precisavam era de um scanner que não sujeitasse os pacientes à radiação e que mostrasse que partes do cérebro estão mais ativas nos pacientes saudáveis quando realizam várias tarefas intelectuais. O que era necessário era um avanço tecnológico.



Tal avanço ocorreu nos anos 90 com o desenvolvimento de uma técnica chamada imagem de ressonância magnética funcional (IRMf). Basicamente a IRMf permite aos pesquisadores ver quais partes do cérebro estão recebendo mais sangue -e consequentemente estão mais ativas- em qualquer instante desejado.



Os neurocientistas usaram a IRMf para identificar três áreas do lado esquerdo do cérebro que têm papéis-chave na leitura. Cientificamente, estas áreas são conhecidas como o giro frontal inferior esquerdo, região temporo-parietal esquerda e região temporo-occipital esquerda. Mas para nós, é melhor pensar nelas como "produtor de fonema", "analisador de palavra" e "detector automático". Nós descreveremos estas regiões na ordem em que são ativadas, mas você estará mais próximo da verdade se pensar nelas trabalhando simultaneamente, como as seções de uma orquestra tocando uma sinfonia.



Usando a IRMf, os cientistas determinaram que os leitores principiantes dependem mais do produtor de fonema e do analisador do palavra. O primeiro deles ajuda a pessoa a dizer as coisas -silenciosamente ou em voz alta- e realiza algumas análises dos fonemas encontrados nas palavras. O segundo analisa as palavras mais amplamente, as dividindo nas sílabas e fonemas que as formam e vinculando as letras aos seus sons.



À medida que os leitores ganham prática, acontece algo interessante: a terceira seção -o detector automático- se torna mais ativo. Sua função é formar um repertório permanente que permite aos leitores reconhecer as palavras familiares assim que as virem. À medida que os leitores progridem, muda o equilíbrio da sinfonia e o detector automático passa a predominar. Se tudo correr bem, a leitura eventualmente se tornará sem esforço.



Além do circuito neurológico apropriado, a leitura exige boa instrução. Em um estudo publicado na atual edição da "Biological Psychiatry", Shaywitz e colegas identificaram um grupo de pessoas com má leitura que não eram disléxicas clássicas, já que seus produtores de fonemas, analisadores de palavras e detectores automáticos estavam todos ativos. Mas as três regiões estavam ligadas mais fortemente aos processadores de memória do cérebro do que aos centros de linguagem, como se as crianças tivessem passado mais tempo memorizando as palavras do que compreendendo seu significado. A situação é diferente nas crianças com dislexia. Os escaneamentos de cérebro sugerem que uma falha em seus cérebros as impede de ganhar acesso facilmente ao analisador de palavras e ao detector automático. No ano passado, vários estudos com IRMf mostraram que os disléxicos tendem a compensar o problema ativando excessivamente o produtor de fonemas.



Aqui está finalmente uma evidência física de que o problema central na dislexia é dobrado. Primeiro, como muitos especialistas em dislexia há muito suspeitavam, há uma dificuldade inerente para extrair o sentido dos fonemas. Segundo, como o reconhecimento das palavras não se torna automático, a leitura se torna lenta e trabalhosa. Este segundo aspecto, a falta de fluência, não tem sido amplamente considerada fora da comunidade de pesquisa.



Imagine ter que lidar com cada palavra que você vê como se nunca a tivesse visto antes, e você começará a entender. Isto é exatamente o que Abbe Winn de Atlanta percebeu que ocorria com sua filha, Kate, agora com 9 anos, no jardim de infância. "Eu percebi que quando a professora dela passava uma lista de palavras para soletrar, ela tinha muita dificuldade", disse Abbe. "Nós estudávamos a palavra e, cinco minutos depois, ela não tinha mais nenhuma idéia do que era".



O que muitos pais gostariam de saber é o que pode ser feito a respeito. Felizmente, o cérebro humano é particularmente receptivo à instrução. Caso contrário a prática nunca levaria ao aperfeiçoamento. Pessoas diferentes respondem a abordagens diferentes, dependendo de sua personalidade e a natureza de sua deficiência. "Os dados que temos não apontam para um único programa que seja superior aos demais", disse Shaywitz. Mas os programas mais bem-sucedidos enfatizam os mesmos elementos centrais: prática no uso dos fonemas, formação de vocabulário, aumento da compreensão e melhoria da fluência na leitura.



Este tipo de instrução não deixa nada ao acaso. "Na maioria das escolas a ênfase é no aprendizado de leitura de sentenças pelas crianças", disse Gina Callaway, diretora da Schenck School em Atlanta, que é especializada no ensino de alunos disléxicos empregando o método Orton-Gillingham. "Aqui nós temos que ensiná-las a reconhecer sons, depois sílabas, e então palavras e sentenças. Há muita prática e repetição". E uma boa quantidade do que as crianças chamam de truques, ou regras, de leitura. Uma boa rota em particular para a fluência é a prática de leitura em voz alta com um bom leitor que possa gentilmente corrigir os erros. Desta forma o cérebro forma as associações corretas entre as palavras e os sons desde o início.



Não há motivo para achar que o sistema de escolas públicas, apesar de sua infinidade de problemas, não esteja à altura da tarefa. Mas é um fato triste, particularmente em instituições maiores e carentes de verbas, que muitas crianças escapem pelas frestas. Os pais podem se ver obrigados a manter a pressão sobre o distrito escolar da criança.



Infelizmente, alguns tiveram que impetrar processos para obter resultados. Em casos extremos, os pais podem ser reembolsados pelo ensino privado, como duas decisões unânimes da Suprema Corte, em 1985 e 1993, deixaram claro.



Ajuda explorar os interesses dos alunos. Para Monique Beltran, 13 anos, de Los Angeles, a virada ocorreu com o jogo de computador Pokémon. "Eu tive que ler para mudar de fase", disse ela. O jogo de computador também mostrou para Monique o valor da leitura além da lição de casa, e ela está devorando ansiosamente o mais recente livro de Harry Potter.



Como você poderia esperar, agir desde cedo resulta nos melhores resultados. Mas por décadas a maioria das escolas não consideraria um ensino especial para uma criança até ela ter perdido pelo menos um ano. Isto pode estar mudando. O Congresso está considerando uma legislação que eliminaria a necessidade de aparecimento de uma discrepância na performance da criança antes dela receber um diagnóstico de dislexia.



O ideal seria todas as crianças serem avaliadas no jardim de infância, para minimizar o atraso educacional e preservar a autoconfiança. Como você sabe que alguém tem dislexia antes dele ou dela aprender a ler? Certos comportamentos -como dificuldade para rimar palavras- são boas pistas. Posteriormente você poderá notar se sua criança está memorizando livros ao invés de lê-los. A observação da professora do jardim de infância de que seu filho ou filha está tendo dificuldade com a leitura pode indicar a hora de entrar em ação.



Se tratada desde cedo, a dislexia da criança pode ser revertida? As evidências são promissoras. Em seu livro, Shaywitz informa que os escaneamentos de cérebro de crianças disléxicas do jardim de infância e da primeira série que se beneficiaram de um ano de instrução especializada, começaram a parecer com os de crianças que nunca tiveram dificuldade para ler.



Isto não significa que os mais velhos precisam se desesperar. Os escaneamentos de cérebro de Shaywitz de disléxicos adultos sugerem que eles podem compensar, explorando o poder de processamento do lado direito do cérebro. Só não espere que o que funciona com as crianças pequenas funcione com os adultos. "Se você tem 18 anos e está prestes a se formar e não tem consciência dos fonemas, esta pode não ser sua maior prioridade", disse Chris Schnieders, diretor de treinamento de professores do Frostig Center em Pasadena, Califórnia. "É um pouco tarde para começar do básico a esta altura".



A tecnologia pode ter um papel de apoio. Alguns disléxicos suprem sua leitura com livros em gravações de áudio. (De fato, em 1995 a organização "Gravações para Cegos" mudou seu nome para Gravações para Cegos e Disléxicos em reconhecimento ao fato.) Como a condição deles afeta a capacidade de escrever tanto quanto a de ler, um número crescente de disléxicos está buscando programas de reconhecimento de voz para ajudá-los na preparação de seus trabalhos, memorandos e relatórios. Dois pequenos estudos mostraram que o programa também pode estimular a capacidade de ler. "Nós encontramos melhora no reconhecimento de palavras, na compreensão da leitura e na ortografia", disse Marshall Raskind, diretor de pesquisa do Frostig Center. Ele suspeita que a capacidade de dizer, ouvir e ver palavras quase simultaneamente fornece um bom treinamento para o cérebro.



Mas não há soluções rápidas. Os alunos disléxicos geralmente precisam estudar mais horas do que aqueles que lêem naturalmente. Mas os resultados velem a pena. Na sétima série, Sean Slattery mal conseguia ler no nível da primeira série. Agora, após quatro anos no Frostig Center, ele quase já alcançou o nível em que deveria estar. Em maio, na sua terceira tentativa, Slattery passou no exame final do colegial na Califórnia.



Esta é outra coisa sobre os disléxicos: eles aprendem a perseverar. Agora Slattery está de olho em uma carreira como soldador submarino. "Há muita leitura envolvida" no curso e nos manuais de instrução, disse ele. "Mas eu estou ansioso para começá-lo". A palavra escrita não vai mais detê-lo.



Com reportagem de Paul Cuadros/ Chapel Hill, Greg Land/Atlanta, Sean Scully/ Los Angeles e Sora Song/Nova York



Tradução: George El Khouri Andolfato



IMPORTANTE

• Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios.

•As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo

FONTE DE CONSULTA: http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/6084

julho 01, 2010

Dislexia: Distúrbio ou Talento?

 
Eu defendo e acredito na nova visão da dislexia, de que ela pode ser vista como um talento e não um distúrbio, e que apesar de estudos e pesquisas apresentarem a dislexia como um distúrbio de origem orgânica, a meu ver é uma alteração genética que pode beneficiar o indivíduo caso ele receba os estímulos corretos. É imprescindível buscar esse talento, e oferecer ao disléxico as condições propícias para que ele tenha um bom desenvolvimento intelectual e emocional. Acredito que ao adotar esta nova visão da dislexia, além de proporcionar ao disléxico uma forma mais adequada de aprender, as escolas e o mercado de trabalho ganharão indivíduos talentosos, criativos e que serão capazes de usar todo o seu potencial explorando melhor sua inteligência.


Davis (2001) aceita que a dislexia é uma dificuldade na aquisição e desenvolvimento da leitura, escrita e soletração. Porém, vê a dislexia como um dom, um talento inato, uma habilidade natural. Existem ainda aqueles que podem vir a ser superdotados, com capacidade intelectual singular, criativa, produtiva e de liderança.


Davis (2001) encontrou na história da humanidade diversos gênios e pessoas famosas que foram disléxicos. Entre eles estão Albert Einstein, Walt Disney, Charles Darwin, Leonardo da Vinci, Pablo Picasso, Agatha Christie, Cher, John Lennon, Whoopi Goldberg e Tom Cruise. Concordo com Davis de que esses gênios não surgiram apesar da dislexia e sim por causa dela.

Além da compreensão e o apoio da família, o papel da escola é de extrema importância no desenvolvimento do disléxico.

Na escola os professores devem reconhecer, estimular, e incentivar as habilidades e talentos do disléxico. Ao oferecer essas motivações, os professores vão reconstruir a auto-estima da criança e fazer com que ela aprenda e produza usando sua capacidade intelectual.

Para o Psicopedagogo, empregar um plano de trabalho individualizado e comprometido com o sucesso em todos os âmbitos (escolar, emocional e social), pode estimular a inteligência do disléxico, otimizando seus talentos e sua auto-estima.

Postado por Wanda Malhotra Cucé às 19:32

FONTE DE PESQUISA: http://construindotalentos.blogspot.com/2010/06/dislexia-disturbio-ou-talento.html

A dislexia é uma dificuldade na leitura, escrita e soletração de palavras, frases e textos .


Especiais e inteligentes

A dislexia é uma dificuldade na leitura, escrita e soletração de palavras, frases e textos que pode comprometer seriamente a evolução escolar de crianças acometidas pelo distúrbio (veja infografia). Normalmente, o disléxico tem atraso na aquisição da linguagem, é propenso a trocar letras na hora de falar, apresenta dificuldades em assimilar as cores, números em sequência e memorização de músicas. A aversão a livros e a tudo relacionado à escrita é inevitável, pois, para os disléxicos, essa representação da linguagem nada mais é do que uma grande sopa de letrinhas.


A fonoaudióloga Alice Sumihara explica que o transtorno pode ser diagnosticado somente depois da alfabetização. Para confirmar um caso de dislexia é preciso uma investigação criteriosa realizada por uma equipe multidisciplinar composta por psicólogo, psicopedagogo e fonoaudiólogo. O diagnóstico é fechado depois da exclusão de outros fatores, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais congênitas ou adquiridas e desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar. No Brasil existem cerca de 15 milhões de crianças e jovens com dislexia.

Não existe um padrão, mas as vítimas desse distúrbio geralmente são excelentes em artes plásticas, música e matemática. O nível de inteligência é, no mínimo, na mesma média apresentada pela população em geral. “Albert Einstein, físico alemão que propôs a Teoria da Relatividade e conquistou o Prêmio Nobel de Física em 1921, era disléxico. Em anos de experiência, nunca avaliei um disléxico que não tivesse uma inteligência superior”, garante Alice Sumihara, que também é psicóloga.

A dislexia pode variar de leve a severa. “Em casos raros, a pessoa jamais conseguirá ser alfabetizada. Já nas situações em que ela se apresenta de forma moderada ou leve, desde que acompanhados e tratados, os disléxicos conseguem desenvolver mecanismos para driblar as dificuldades e levar uma vida acadêmica normal. Muitos se formam e são profissionais extremamente bem-sucedidos”, garante.

Independentemente do grau em que se apresenta, a dislexia sempre abala a criança psicologicamente. “É tudo muito confuso para a vítima desse transtorno. Os disléxicos têm baixa autoestima, julgam que são incapazes e fogem de tudo relacionado à escrita. Ao mesmo tempo, eles desenvolvem outras habilidades muito bem e entram em conflito por conta disso”, explica a psicóloga infantil Vânia Jughartha Bonna.

MÁRCIA NERI CORREIO BRAZILIENSE

FONTE DE PESQUISA: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2952607.xml&template=4187.dwt&edition=14984§ion=1210

A ciência pouco sabe sobre a dislexia.


Atinge três entre 30 alunos

A ciência pouco sabe sobre a dislexia. Por enquanto, estudos evidenciam que o problema é hereditário, mas nada foi comprovado sobre alterações fisiológicas no cérebro dessas pessoas. “Na verdade, o caminho percorrido para a decodificação do processo de leitura no cérebro é que é diferente para os disléxicos”, completa Vânia. Não existem ainda exames específicos que detectam o problema e há demora em fechar o diagnóstico.



A dislexia não é uma doença, mas precisa ser tratada por profissionais especializados. A fonoaudióloga Alice Sumihara observa que de 10% a 17% da população têm esse distúrbio. “Em uma classe de 30 alunos, pelo menos três apresentam algum grau de dislexia”, lamenta.


FONTE DE PESQUISA:
http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2952608.xml&template=4187.dwt&edition=14984§ion=1210

junho 25, 2010

UM DOS MELHORES FILME SOBRE DISLEXIA!!!

Como Estrelas Na Terra-Toda Criança É Especial





(Sinopse)Taare Zameen Par – filme da produção de Bollywood – conta a história de uma criança que sofre com dislexia e custa a ser compreendida. Ishaan Awasthi, de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de repetir de novo. As letras dançam em sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas nem focar sua atenção. Seu pai acredita apenas na hipótese de falta de disciplina e trata Ishaan com muita rudez e falta de sensibilidade. Após serem chamados na escola para falar com a diretora, o pai do garoto decide levá-lo a um internato, sem que a mãe possa dar opinião alguma. Tal atitude só faz regredir em Ishaan a vontade de aprender e de ser uma criança. Ele visivelmente entra em depressão, sentindo falta da mãe, do irmão mais velho, da vida… e a filosofia do internato é a de disciplinar cavalos selvagens. Inesperadamente, um professor substituto de artes entra em cena e logo percebe que algo de errado estava pairando sobre Ishaan. Não demorou para que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia de luz e vontade de viver. O filme é uma obra prima do até então ator e produtor Aamir Khan.

junho 24, 2010

DISLEXIA - UM ESTRANHO NO OUTRO LADO DO PAPEL .

REFERÊNCIA: VOLPI, SANDRA MARA. Dislexia - Um estranho no outro lado do papel. Curitiba: Centro Reichiano, 2003. Disponível em: http://www.centroreichiano.com.br/





Quiçá em outro tempo, a criança incapaz para a leitura suportasse ver-se colocada no pelotão dos incompetentes e coroada com orelhas de burro; mas designarem-na, de golpe e pancada, com uma palavra apenas pronunciável ao disléxico médio, e apontarem-na com o dedo como vítima de um defeito constitucional insuperável, é suficiente para lançar o mais resoluto aprendiz de leitor a uma total inibição. Como evitar então sentir-se parte de uma categoria reservada a indesejáveis, aos que somente falta pôr muletas para que tentem chegar a uma penosa leitura, e a isto dêem o nome de vida? (TOMATIS, 1979, p. 34).
Quando se fala em dislexia, ainda é muito comum que as pessoas reajam de imediato, dizendo:
 “O que é isso? Já ouvi falar, mas não sei o que significa...” Tais comentários partem inúmeras vezes, também, de profissionais ligados diretamente à área da psicologia, da medicina, da educação, e não somente de pessoas que poderiam meramente estar “mal informadas”. Na realidade, a desinformação a respeito da dislexia ainda é comum. Talvez comum demais... Eu mesma não me lembro de ter ouvido sequer uma vez alguém falando em dislexia durante a minha graduação como psicóloga. Hoje penso que “das duas, uma”: ou eu não prestei a devida atenção às aulas ou ninguém tocou no assunto mesmo. Talvez não importe saber, porque o que ficou para trás, ficou.
Talvez o que realmente importe, hoje, seja buscar a mudança de toda uma cultura, que não se restringe apenas à área da saúde e da educação, mas a toda a sociedade, que, muitas vezes sem querer, ainda vem negligenciando uma questão tão importante quanto a compreensão da dislexia. Fiquei muito surpresa, dia desses, ao ver que num programa bastante popular, da maior rede de TV brasileira, um dos assuntos em pauta foi a dislexia, com direito à apresentação de entrevistas gravadas e ao vivo com vários disléxicos e suas famílias e à presença do presidente da Associação Brasileira de Dislexia – ABD. Emocionou-me ver e ouvir o depoimento de um garoto de dez, doze anos, dizendo que poderia não ser tão bom nesse “negócio” de ler e escrever, mas que no campo das idéias, ele tinha muitas... soou-me quase como um apelo por compreensão. Voltei no tempo, para quando eu mesma não sabia o que era dislexia e estava em meio à aventura de realizar a minha primeira avaliação psicopedagógica.
Tive o privilégio de, nessa época, ser orientada pela psicóloga e psicopedagoga Úrsula Simons, que me ajudou a compreender a pessoa que eu tinha na minha frente, e a não me deter numa síndrome, num obstáculo, numa dificuldade. Essa viagem no tempo motivou-me a escrever novamente sobre a dislexia, que se tornou para mim objeto de estudos durante anos após esse primeiro encontro. Realmente não é fácil definir a dislexia. Uma vez que toda a nossa aprendizagem escolar está baseada na leitura e na escrita, em geral, as conceituações de dislexia recaem sobre termos excludentes, ou seja, é mais fácil definir a dislexia pelo radical “dys”: pela dificuldade que os disléxicos apresentam em ler e em compreender a leitura.
O termo provém do grego, sendo que dys significa “dificuldade” e lexis, leitura. Ainda fico desconfortável com o fato da conceituação da dislexia passar muito mais pelo campo do que ela não é, do que pelo que ela realmente é. Já fiquei muito mais desconfortável com isso no passado e hoje procuro entender que essa postura tem haver


com a nossa dificuldade em compreender tudo que foge à norma, ao padrão, ao que nossos olhos estão acostumados a ver. E sei que isso não se relaciona, de forma alguma, com exclusividade à dislexia. Faz parte da couraça do “Zé Ninguém”, de quem Reich nos falou, tentar escapar de tudo que não compreende, pois assim evita deparar-se com suas próprias limitações. A verdade é que a dislexia tem sido estudada desde o século retrasado, uma vez que se tornou impossível negligenciá-la em meio ao crescimento da escolarização, decorrente da necessidade de se preparar indivíduos para o trabalho industrial. Mas isso na Europa, nos Estados Unidos, onde a dislexia se destacou como um “mal marginal”. Sua marginalidade consistia no fato de que os disléxicos concentravam-se na intersecção de duas classes: a dos estudantes ditos “normais” e a dos portadores de alguma espécie de deficiência.

Nesta posição, os disléxicos ou bem permaneciam sentados nos bancos escolares, geralmente sem compreender o que acontecia consigo mesmos, e muitas vezes taxados por colegas, professores e familiares como preguiçosos, indolentes, etc., ou simplesmente acabavam por desistir da escolarização, considerando-a impossível, dada a sua dificuldade. E, saindo da escola, tornavam-se um problema social, para o qual os governantes não poderiam fechar os olhos, bem como toda a sociedade. Para nós, brasileiros, essa cena não parece distante. Ainda que nosso problema não esteja unicamente focado na dislexia, nossa realidade é a da marginalização dos excluídos da escola. Entra governo, sai governo e a educação continua sendo problema. Mas esta é uma outra questão, que renderia um novo artigo.

No Brasil, por muitos anos, a dislexia permaneceu, por assim dizer, diluída em meio a outros problemas como a desnutrição, a evasão escolar causada pela necessidade do trabalho infantil, o despreparo dos professores, entre vários outros. Nem dentro nem fora da escola, durante anos, a dislexia destacou-se como dificuldade de aprendizagem (vale dizer, pelo meio de aprendizagem ao qual estamos acostumados, que é a leitura). E por que ela tem surgido ultimamente? Voltaremos a essa questão mais adiante.
 Compreender o que significa “dislexia” é de fundamental importância, tanto para quem vive a dislexia, quanto para quem se propõe a buscar prevenção, solução ou adaptação para ela, e também para a população, de um modo geral. Concordando com Rita Rudel (1988: 39), pode-se seguramente dizer que
...“a dislexia continua a estar mal definida na mente do público em geral, e inclusive na dos médicos.” Isso há mais de dez anos... Infelizmente, o mesmo se aplica aos dias de hoje. Falemos então um pouco mais sobre como a dislexia tem sido vista e definida ao longo dos anos. L. Eisenberg, citado por MacDonald Critchley, define a dislexia como: “... uma situação na qual a criança é incapaz de aprender a ler com uma facilidade adequada, apesar de possuir uma inteligência normal, sentidos intactos, instrução adequada e motivação normal.” (EISENBERG, s.d. apud CRITCHLEY, 1966, p. 12) Critchley (1966, p. 22) postula ainda, a respeito da dislexia:
 Dentro da heterogênea comunidade de leitores lentos (leitores atrasados) existe uma síndrome específica na qual apresenta-se uma dificuldade particular na aprendizagem do significado convencional dos símbolos verbais e na associação do som com o símbolo. Esses casos caracterizam-se, tem-se dito, por sua gravidade e sua exclusividade (pureza). São “graves” dado que a dificuldade transcende o mais comum atraso na leitura e o prognóstico é mais sério a menos que se adotem medidas especiais na terapêutica educacional. São “exclusivos” (puros) enquanto as vítimas estão livres de defeitos mentais, sérios traços neuróticos primários e déficits neurológicos em geral. Esta síndrome de dislexia de evolução é de origem constitucional e não ambiental e freqüentemente, talvez sempre, determinada geneticamente. É improvável que seja produto de uma lesão cerebral, mesmo mínima, produzida no parto. É independente do fator inteligência e em conseqüência pode aparecer em crianças de Q.I. normal, enquanto que se destaca notavelmente no grupo daqueles que estão acima do nível médio. (...) Do mesmo modo podem ou não estar envolvidos outros sistemas de símbolos, como por exemplo, os matemáticos ou as notas musicais. A síndrome produz-se mais freqüentemente nos meninos. A dificuldade na aprendizagem da leitura não se deve a anomalias visuais periféricas, mas representam um defeito de nível mais alto — em outras palavras —, uma assimbolia. Robert Valett (1992, p. 5) amplia o conceito para além das fronteiras da leitura, citando a definição de dislexia como “... uma síndrome complexa de deficiências neuropsicológicas associadas que pode compreender perturbações na orientação, no tempo, na linguagem escrita, na soletração, na memória, na percepção auditiva e visual, e em atitudes sensoriais.” Para Drake Duane (1988, p. 24) ... a dislexia de desenvolvimento relaciona-se com a redução desigual, constitucional e às vezes familiar, na proporção e qualidade da aquisição e uso da destreza na linguagem escrita. Este transtorno pode acompanhar-se de um mal funcionamento, anterior ou coexistente, da linguagem oral. Podem apresentar-se também, ainda que às vezes não existam, outros problemas de manipulação simbólica, juntamente com o desenvolvimento desordenado dos conceitos de tempo e espaço. Até aqui, os conceitos apresentados relacionam-se à idéia de deficiência, de habilidade não alcançada. Portanto, pode-se dizer, através de tais conceitos que a dislexia não é ler com fluidez, não é ter compreensão do que se lê, não é aprender a manipular adequadamente símbolos, não é desenvolver uma noção coerente de tempo e espaço. Mas será que há outras formas de se definir a dislexia? Para Alfred Tomatis (1979, p. 19), a definição de dislexia é simplesmente “...aprendizagem laboriosa da leitura”. Ron Davis (1997) postula que “... a dislexia não é o resultado de danos cerebrais ou nervosos. Nem é causada por uma malformação do cérebro, do ouvido interno ou dos globos oculares. É o produto de um modo especial de pensamento e uma reação natural à confusão. Antes da invenção do idioma escrito, não existia nenhuma dislexia. As pessoas com o dom da dislexia provavelmente eram os guardiães da história oral, por sua excelente habilidade para memorizar e transmitir a palavra falada. É próprio dos disléxicos perceberem mais e formularem conceitos mentais mais rápido que outras pessoas. Superam nas artes, na arquitetura, na engenharia, na estratégia e na invenção. Podem perceber imaginação como realidade. Esta forma de pensamento intuitivo é o fundamento de sua genialidade. É um modo não-verbal de pensamento, que pode causar dificuldade na aprendizagem do idioma escrito.” Completamente diferente de outras definições, esta, cujo autor é, ele próprio, disléxico, dá uma visão das características da dislexia que a torna uma classe especial e, na visão de Davis, um “dom”.
E, agora, retomemos a questão: por que o interesse pela dislexia parece estar se tornando mais evidente nos últimos tempos? Arrisco algumas hipóteses: o ensino particular tem exigido cada vez mais de seus alunos, uma vez que se tornou comum a competição entre colégios para ver quem aprova mais no vestibular. E disléxicos, muitas vezes, são atropelados por essa “máquina” de fazer universitários (o que não significa fazer graduados nem bons profissionais, diga-se de passagem. Mas essa também é outra questão, para outro artigo...). Assim, ou se dá um “jeito” qualquer na dislexia, ou se a exclui, porque alunos assim não engordam as porcentagens de aprovados no vestibular. Com isso, os profissionais diretamente ligados a esses alunos – professores, pedagogos, psicólogos, psicopedagogos – começaram a estudar mais e a falar mais sobre a dislexia. Uma outra

hipótese é caractereológica. Dia a dia tornam-se mais comuns os comprometimentos precoces por que pode passar um ser humano, ou seja, na visão reichiana, cada vez mais estamos ficando “enroscados” na fase ocular, na fase do contato. E leitura e escrita tem tudo a ver com contato, com comunicação, assim como a compreensão do que se lê relaciona-se à capacidade que se desenvolve na primeira infância de compreender as mensagens maternas. Segundo Navarro (1995), o funcionamento do ser humano deve ser compreendido a partir da distinção entre a vida embrionária, a vida fetal, a vida neo-natal e a vida pós-natal. Em cada uma delas, o ser humano está exposto ao estresse, que poderá, em menor ou maior escala, atingir o funcionamento do indivíduo como um todo. Isto se dá por uma questão energética, tal qual defendida por Reich. No período embrionário e fetal, há dois tipos de energia: a energia autógena, que é concernente ao zigoto, ao óvulo fecundado; e a energia trofoumbilical, que é transmitida de mãe para filho através do cordão umbilical. O nível de energia investido pela mãe à própria situação da gestação, seja através dos cuidados que dispensa à sua saúde e à saúde de seu bebê, seja pela aceitação da gravidez, seja através das condições de vivência da mesma são fundamentais para o desenvolvimento do novo ser. Navarro (1995, p. 26) diz: As situações de estresse na vida embrionária atingem os genes. Na vida fetal, por mediação da mãe, elas atingem principalmente a pele, o aparelho auditivo e o circulatório. O feto pode ter uma simpaticotonia induzida pela mãe. O próprio recém-nascido está sempre exposto a situações de estresse que atingem os cinco sentidos: tato, audição, visão, olfato e paladar. Ouvido e olhos, órgãos freqüentemente associados à questão da dislexia, pertencem, na visão da psicologia corporal, ao primeiro segmento de couraça, chamado ocular. Nele localizam-se quatro, dos cinco sentidos: visão, audição, olfato e tato. Isto se deve ao fato de que, anatomicamente, aí estão localizados os olhos, os ouvidos, o nariz e a pele como um todo. Deve-se lembrar que estes são órgãos responsáveis eminentemente pelo contato. Através do contato, indivíduo e mundo externo comunicam-se, desenvolve-se uma linguagem, da qual a leitura é mais uma representante. Para Navarro, “...o primeiro nível tem, precisamente, no nascimento, a função de tomar contato com o mundo exterior graças aos telerreceptores dos olhos, ouvidos e nariz.” Pode-se então supor que a dislexia nasce na vida fetal e é mantida, na vida neo e pós- natal, por um bloqueio ocular. Este bloqueio, segundo Navarro (1995: 33) “...é a reação do recém-nascido contra a atmosfera de rejeição e destrutividade que se encontra no útero ou após nascer.” Gera, entre vários sintomas físicos, como a cefaléia, a epilepsia, as doenças da visão, etc, a confusão de idéias e pensamentos e a dificuldade no contato, devido à limitação da percepção e da sensorialidade, desintegradas por uma questão energética. Poderíamos considerar toda a gama de dificuldades de comunicação que algumas vezes ocorre entre a mãe e o seu bebê, desde o útero, como um possível componente da dislexia.
 Muitas vezes, pesquisando a história de um disléxico encontramos dados de uma criança que buscava desesperadamente compreender uma figura materna inconstante, desorganizada, que não raro emitia duplas mensagens, deixando a criança confusa e igualmente desorganizada. Não se trata de culpar a figura da mãe pelo resto da vida, mas sim, de compreender que tipo de imagem materna a criança compôs em seu inconsciente a partir das primeiras relações vinculares. Há ainda outras questões que parecem ser um elo de ligação entre a dislexia e o corpo, como a motricidade, especialmente a orientação espacial, muitas vezes comprometida no disléxico, a imagem do corpo e a dominância lateral. Sobre esse último aspecto, diz Tomatis (1979, p. 89): “Converter-se em destro é adaptar-se a algo existente. É tomar o hábito de homem, com todas as dificuldades que isto comporta. Opor-se a isso é ser canhoto. Não conseguí-lo, como ocorre ao disfuncional profundo, é ser disléxico.”

Uma abordagem corporal da dislexia parece possível, mas de nada adiantaria se também essa buscasse apontar (e não fazer nada além disso) para as faltas que ocorreram na vida emocional do disléxico. Apenas detectar o que falta à aprendizagem de um disléxico ou buscar uma etiologia que detecta sempre um culpado em sua história apenas contribui para que ele, quando “diagnosticado”, passe a ver a si próprio como pertencente a uma classe de “inaptos”, especificamente com relação à leitura e sua compreensão, moldando-se à noção de que é portador de uma “doença”, que, infelizmente, não tem “cura”. Raras são as definições que seguem pelo caminho de ressaltar quem é o disléxico e quais as suas habilidades.
Também raras são as soluções educacionais ou terapêuticas que apontem caminhos para o disléxico “sobreviver na selva” dos símbolos grafados no papel, ao invés de tentar adaptá-lo, a qualquer custo, à escolarização formal. É muito mais comum buscarmos seus pontos cegos (aliás, a dislexia, antes de assim ser denominada, foi chamada de cegueira verbal) e entendê-la em sua dissonância com o que é considerado normal. Talvez seja utópico querer que a visão sobre a dislexia mude. Talvez seja utópico achar que o nosso meio de aprender os conteúdos escolares – através da leitura –, bem como a forma de expressar nossos conhecimentos – através da escrita – possam ser revistos, dando lugar a outras formas de apreensão da realidade.

Mas, dentro de nossas limitações, talvez possamos ampliar nossos conhecimentos a respeito da dislexia, de modo a encontrar caminhos mais apropriados a serem seguidos, caminhos que não excluam o disléxico da classe de leitores normais e tomem essa característica como sua própria definição, mas que também criem uma perspectiva de compreensão de um tipo de funcionamento especial para a sociedade e para o próprio disléxico. REFERÊNCIAS CRITCHLEY, M. Dislexia de Evolución. Buenos Aires: Editorial Salerno, 1966. JADOULLE, A. Aprendizaje de la lectura y dislexia. Buenos Aires: Kapelusz, 1988. NAVARRO, F. A Somatopsicodinâmica. São Paulo: Summus, 1995. TOMATIS, A. Educación y Dislexia. Madri: Ciencias de la Educación Preescolar y Especial, 1979. VALETT, R. Dislexia. Barcelona: Ediciones CEAC. Disponível em: http://www.dyslexia.com, 1992. Acesso: 20/01/2002.

junho 11, 2010

PARA TODOS OS DISLEXICOS E DISLEXICAS!!!

Para o tratamento da dislexia,UFRJ é eleita centro de referência nacional.


UFRJ é eleita centro de referência nacional para o tratamento da dislexia


THIAGO ETCHATZ - AGÊNCIA UFRJ DE NOTÍCIAS - CCS

agn1@reitoria.ufrj.br

Ambulatório de Transtornos da Língua Escrita ampliará sua atuação a partir de incentivo de ONG

O Instituto ABCD, braço nacional de organização não-governamental inglesa dedicada ao atendimento e ao incentivo às pesquisas na área de dislexia, elegeu o ambulatório de Transtornos da Língua Escrita da Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina (FM/UFRJ) - localizado no Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC/UFRJ) - como um dos cinco centros de referência nacional para prevenção, diagnóstico e tratamento da dislexia. Durante três anos, o instituto disponibilizará recursos financeiros e apoio técnico para a ampliação e qualificação do agora Centro de Referência de Distúrbios de Aprendizagem e Dislexia da UFRJ.


Em 2009, o recém fundado Instituto ABCD lançou edital para selecionar e fomentar cinco centros de referência do Brasil na área de distúrbios de aprendizagem e dislexia. A primeira etapa da seleção consistiu na entrega de cartas de interesses pelas entidades candidatas. Em seguida, os oito projetos aprovados foram avaliados, sem serem identificados pelo nome, pelo comitê consultivo composto pelos maiores especialistas em dislexia do mundo: Hugh Catts (University of Kansas/EUA), Linda Siegel (University of British Columbia/Canadá), Leonard Katz (University of Connecticut/EUA), Margaret Malpas (British Dyslexia Association/Reino Unido) e José Morais (Université Libre de Bruxelles/Bélgica).

Na última fase, a seleção foi realizada por um comitê consultivo brasileiro formado por profissionais de diferentes áreas como jornalistas, empresários, professores. Eles avaliaram os benefícios dos projetos diante das necessidades da sociedade. Então, no último mês de abril foram escolhidos os seguintes centros de referência: o ambulatório de Transtornos da Língua Escrita da UFRJ - única entidade de fora do estado de São Paulo - a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, a Unesp de Marília/Botucatu, o Instituto Cefac (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica) e a Faculdade de Medicina do ABC.


O projeto

De acordo com Renata Mousinho - mestre e doutora em Linguística e coordenadora do Projeto do Centro de Referência de Distúrbios de Aprendizagem e Dislexia da UFRJ - o trabalho desenvolvido no Instituto de Neurologia Deolindo Couto atuará em cinco frentes: prevenção, diagnóstico, atendimento, apoio aos pais e capacitação de professores. “O projeto está em via de ser assinado, falta apenas uma questão burocrática entre a UFRJ e o Instituto ABCD”, diz a coordenadora.

O trabalho de prevenção é o único no qual a participação é restrita. Ele é feito junto com o Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp/UFRJ). “Uma turma é atendida desde que entrou na escola e continuará até finalizar o curso. As crianças que apresentam risco de dislexia ou distúrbio de aprendizagem participam de oficinas de linguagem e estimulação pedagógica. Se de fato apresentam alguma dificuldade recebem o atendimento propriamente dito. Também é feito contato o tempo inteiro com os professores para orientá-los como lidar com os alunos”, explica Renata.

As demais áreas do projeto são abertas ao público, mas haverá prioridade para alunos e professores da rede pública. Segundo Mousinho, a dislexia é um problema específico de leitura. As crianças e adolescentes não conseguem relacionar o som e as letras de uma forma automática. E por causa disso possuem dificuldades escolares.

Portanto, no diagnóstico está o grande diferencial do centro de referência da UFRJ. “Teremos um primeiro momento de diagnóstico aonde são feitas avaliações interdisciplinares com neuropediatra, fonoaudiólogo, psicólogo e psicopedagogo. Depois dessa avaliação, os que realmente tiverem risco de dislexia e distúrbio de aprendizado vão passar por seis meses de estimulação pedagógica e de atuação dentro das oficinas de linguagem. Em seguida, serão reavaliados e aí sim poderemos determinar quem de fato tem risco de ser dislexo, com uma hipótese diagnóstica, pois eles terão tido um tempo de estimulação pedagógica para retirar a variável pedagógico-social”, analisa a doutora.

Ainda serão desenvolvidas ações de intervenção e acompanhamento com crianças com distúrbios de aprendizagem, em especial, dislexia da Área Programática do SUS 2.1 (que abrange bairros da orla marítima e zona sul do Rio de Janeiro, contemplando as comunidades da Rocinha e Vidigal), além da orientação dos seus pais. A capacitação de professores ocorrerá com a realização de cursos semestrais, em parceria com a Associação Nacional de Dislexia, participação em seminários, congressos e simpósios, em parceria com as “Oficinas de Leitura e Escrita” do Instituto de Psicologia da UFRJ.

“Com a ajuda do Instituto ABCD o projeto foi largamente ampliado. Até agora acontecia apenas um serviço de avaliação que era estritamente fonoaudiológica e não interdisciplinar. Antes não podíamos por falta de mão-de-obra. A prevenção já existia e será ampliado dentro do CAp. O apoio aos pais começou agora e a capacitação dos professores será ampliada. Antes só tínhamos a cada três anos esses cursos que agora serão semestrais e anuais. Teremos a possibilidade de atender mais crianças. O tempo inteiro teremos reuniões e oficinas para conversarmos entre esses cinco centros de referência nacional, além de encontros com centros mundiais que o instituto trará”, revela Renata Mousinho.



Serviço
Os interessados em participar do projeto devem ligar para o telefone (21) 3873-5609 e agendar visita para o processo de triagem. Ele é realizado as segundas e quartas-feiras, das 8h às 12h, no Serviço de Fonoaudiologia do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (Avenida Venceslau Brás, 95, Campus da Praia Vermelha).

Então, como diagnosticar a dislexia?

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...

PORQUÊ, SOMOS DIS !!!

Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.

como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.

Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!

Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.

Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.