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outubro 01, 2012

Dislexia: nova descoberta pode levar a tratamentos.

Dislexia: nova descoberta pode levar a tratamentosPDFImprimirE-mail
Escrito por Alagoas Notícias   
Seg, 10 de Setembro de 2012 08:46

O período de alfabetização das crianças é o momento mais fácil de identificar a dislexia, pois quem apresenta o transtorno mostra dificuldades de aprendizado na área da leitura e escrita. Para essas pessoas, aprender a ler e escrever não é uma tarefa fácil, o que prejudica os estudos e até mesmo a vida social. A dislexia na infância e na vida adulta tem poucos tratamentos efetivos na atualidade, principalmente porque as causas do transtorno sempre foram obscuras. Mas pesquisadores alemães deram um grande passo para a compreensão da causa da dislexia, o que pode levar a tratamentos eficazes no futuro.
Uma nova pesquisa feita no Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais, em Lípsia, na Alemanha, demonstrou que o mau funcionamento de uma estrutura do cérebro que processa os sons da fala pode ser a principal causa da dislexia. Uma deficiência no núcleo geniculado medial do tálamo, que é um centro de organização cerebral, pode ser o causador do transtorno que afeta entre 5 a 10% de todas as crianças do mundo.
Esse mau funcionamento cerebral leva a um baixo nível de processamento de linguagem. A estrutura que transfere as informações auditivas para o córtex não funciona corretamente, gerando dificuldade para processar e entender os sons da fala. Os pesquisadores acreditam que a descoberta da causa do problema é o primeiro passo para chegarmos a um tratamento de sucesso em breve. [MedicalXpress/Isaúde]

Crianças com dislexia apresentam dificuldades no aprendizado.


Crianças com dislexia apresentam dificuldades no aprendizado


Por Ana Manoela
Os primeiros sintomas da dislexia surgem no período
de aprendizagem e leitura. (Foto: Amanda Flores)
O transtorno de dislexia é hereditário e genético.  Alguns sintomas podem ser identificados na leitura, escrita, ortografia e falta de atenção. O filme “Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial” descreve a história de Ishaan Awasthi, um menino de oito anos. O garoto sente que as letras dançam ao seu redor, e por este motivo não consegue se concentrar e compreender as aulas. Ishaan já reprovou no terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de repetir de novo. Seu pai acredita que o problema de Ishaan consiste na falta de disciplina, então trata o filho com rigidez. Na realidade, é um típico caso de dislexia.
As crianças com dislexia sofrem na idade escolar, pois os primeiros sintomas surgem no período de aprendizagem e leitura. A maior dificuldade está principalmente em compreender e interpretar os textos.
Os disléxicos apresentam dificuldades em relação à noção-espaço temporal, horas em relógio analógico, dias da semana, meses, anos. Na escrita, não têm organização na produção textual e têm vocabulário pobre.  É comum apresentarem quadros de alergias, dores de cabeça ou dor de barriga no momento de irem à escola principalmente quando já estão no ensino fundamental. Os pais devem ficar sempre atentos, pois estes sintomas podem ser confundidos com outros transtornos como déficit de atenção, entre outros problemas psicológicos.
A especialista e psicopedagoga Enis Aparecida Mariano Rissi explica outros sintomas. "As mães de filhos disléxicos relatam que eles demoraram mais para falar, apresentaram dificuldades relacionados à coordenação motora, como trocar de roupa, andar de triciclo e bicicleta”, explica a psicopedagoga. “Com frequência esquecem de se alimentar,  perdem  os materiais escolares e outros objetos."
No ambiente escolar os professores devem observar e identificar o comportamento destas crianças, especialmente quando elas se opõem a responder a perguntas ou se recusam a aprender cores, numerais e alfabeto. “Outro sintoma é a lateralidade, quando se confunde o lado direito com o esquerdo", ressalta a psicopedagoga.
O acompanhamento e a confiança da família são aspectos importantes para o desenvolvimento de qualquer criança. No caso da dislexia, o cuidado deve ser redobrado. A consultora de beleza Valdirene Rosa lutou por mais de sete anos para provar que seu filho tem dislexia. Durante este período eles enfrentaram juntos os problemas. "Observei que havia algo de errado na alfabetização do meu filho. Parecia que ele estava gravando as atividades da escola e no outro dia ele simplesmente esquecia o que havíamos estudado”, relembra Valdirene.
A consultora relata que não conhecia o transtorno de dislexia, e só descobriu quando comentou com um amigo que é professor sobre suas dificuldades em relação ao filho.  "Ele me orientou, então comecei a pesquisar sobre o assunto. Procurei ajuda na escola, mas não obtive muito sucesso", conta.
Depois de alguns anos, Valdirene conseguiu o laudo através de um diagnóstico em conjunto com profissionais da área de psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia e neurologia.  Agora a consultora pode apresentar o relatório de dislexia, e o filho tem o direito de realizar suas provas oralmente, já que tem dificuldades com a escrita. 
“Para fechar um laudo de dislexia é necessário uma equipe multidisciplinar: psicopedagoga, fonoaudióloga, psicóloga, neurologista, oftalmologista e otorrinolaringologista. O procedimento se dá através de exames e vários testes”, afirma a psicopedagoga Enis.
A especialista explica que as dificuldades de aprendizagem aumentam com o passar dos anos. "Na educação fundamental, com frequência esquecem o nome das coisas (disnomia), e a caligrafia é feia (disgrafia). Eles se saem muito bem oralmente, são muito inteligentes, com QI médio alto para cima", defende Enis.

Steven Spielberg é disléxico.


Cinema Steven Spielberg confessa que sofre de dislexia
O realizador norte-americano Steven Spielberg revelou que sofre de dislexia, um problema diagnosticado há cinco anos, e confessou que os filmes foram a sua "forma de escape".

Steven Spielberg explicou, numa entrevista com Quinn Bradlee, que desde pequeno sentiu problemas de aprendizagem e que demorou mais dois anos que o resto dos seus colegas a aprender a ler.
O realizador diz que sabia que era diferente dos outros, só "não sabia como chamar" as dificuldades que tinha, até porque nos anos 50 a dislexia nas crianças não era identificada como actualmente.
"Os meus professores não entendiam porque é que eu ia tão atrasado em relação ao resto da minha turma e falaram com os meus pais”, recordou Splielberg.
O cineasta diz que aprendeu a lidar com os problemas de forma criativa: "nunca me senti como vítima, mas os filmes ajudaram-me muito, livraram-me da vergonha, da culpa. Fazer filmes foi a minha forma de escape", admitiu.
Na mesma entrevista, o realizador revela ainda que as suas dificuldades de aprendizagem" inspiraram o filme ‘Os Goodies’ (1985), já que Spielberg se referia ao seu grupo de amigos de infância como "o esquadrão Goon".


setembro 04, 2012

II JORNADA CIENTÍFICA DISCUTE DISLEXIA E TDAH COM PAIS E PROFESSORES DE MACAÉ.

II JORNADA CIENTÍFICA DISCUTE DISLEXIA E TDAH COM PAIS E PROFESSORES DE MACAÉ

segunda-feira, 20 de agosto de 2012



O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil.
Mais de 200 profissionais estiveram reunidos no local.

Foi realizada, em Macaé, a segunda Jornada Científica da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria infantil sobre dislexia. A doença deixa a pessoa com incapacidade de compreender o que lê devido aos problemas no sistema nervoso central e o déficit de atenção. São transtornos diagnosticados principalmente na infância e conhecer os sintomas é fundamental para encontrar o tratamento correto.

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, conhecido como TDAH, dificultam o aprendizado principalmente na infância, porque a criança não consegue ficar parada e concentrada para aprender. O diagnóstico é difícil porque essa inquietação, agitação e impulsividade são traços que podem ser confundidos com falta de interesse ou até com o comportamento mimado de algumas crianças. Conhecer os limites entre as características naturais dessa faixa etária e os sintomas dos transtornos é fundamental.

Para divulgar informações e ampliar esse conhecimento, mais de 200 profissionais da saúde e da educação estão reunidos em Macaé na segunda jornada científica para debater sobre TDAH e dislexia. O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil.

Os pais, atentos, buscam informações para ajudar aos filhos e os professores, foram para ensinar e para aprender. O conhecimento do transtorno ajuda no tratamento e o objetivo do encontro é trocar experiências, para diminuir os preconceitos. O encontro aconteceu no Hotel Blue Tree, na Praia do Pecado.

abril 23, 2012

Programa de computador ajuda criança com dislexia.

Ilustrativa




Um programa para ajudar crianças com dislexia a melhorar o desempenho em leitura e escrita foi desenvolvido por uma pesquisadora da Unicamp e poderá ser usado em sala de aula. O objetivo é estimular a relação entre sons, imagens e palavras.
A dislexia é um transtorno de aprendizagem causado por dificuldade acima do comum para ler e escrever. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, até 7% das crianças em idade escolar têm o transtorno.

Em sua tese de doutorado, a fonoaudióloga Cintia Alves Salgado Azoni formulou um software e desenvolveu o que chamou de Prefon (Programa de Remediação Fonológica).

Participaram da pesquisa 62 crianças, divididas em três grupos: 17 diagnosticadas com dislexia fizeram as atividades do programa; outras 14 com o transtorno não fizeram e 31 sem o problema serviram como grupo-controle.

Após seis meses de sessões semanais, as que utilizaram o Prefon mostraram mais rapidez para nomear cores ou imagens (o tempo caiu de um minuto e meio para 40 segundos, em média) e melhora no nível de leitura.

"No início, algumas crianças dos dois grupos com dislexia só reconheciam as letras, sem conseguir juntá-las. Depois de passar pelo programa, houve quem passou a ler, enquanto algumas das que não participaram da intervenção ainda estavam apenas reconhecendo letras", conta Azoni.

Segundo ela, depois das pesquisas as outras 14 crianças com dislexia também tiveram acesso ao programa.

Os exercícios do software não chegam a exigir escrita das crianças, mas envolvem atividades que são pré-requisitos para a alfabetização.

Diante de imagens de cor vermelha, amarela, verde e azul, por exemplo, uma criança sem dislexia pode levar 30 segundos para falar os nomes de cada uma em sequência. Com dislexia, o tempo pode dobrar, e os erros são mais frequentes (como chamar vermelho de verde).

"Não é só isso que mostra dislexia, mas se a criança segue com muitas dificuldades nessa área, ou não consegue identificar rimas ou guardar a ordem de sons de uma palavra, terá maiores problemas para se alfabetizar", disse a pesquisadora.

"Com o software, as crianças se mostraram mais motivadas, e o trabalho do profissional pode ser agilizado."

ESTÍMULO

Para Cinthia Wilmers de Sá, fonoaudióloga da Associação Brasileira de Dislexia, ferramentas como esse software têm papel fundamental na melhoria das habilidades da criança.

"Ninguém deixa de ser disléxico, mas pode desenvolver estratégias que vão dar a essa pessoa uma condição plena de vida de acordo com o estímulo que recebe", disse.

"Numa era em que tecnologia é preponderante, com certeza essa ferramenta [o Prefon] pode trazer maior interesse e estímulo às habilidades das crianças, mas não se deve restringir o trabalho só ao computador", avalia Sá.




Fonte: FOLHA.COM



 
Publicado em Sábado, 21 Abril 2012 17:30

COPIA DO SITE: http://www.circuitomt.com.br/editorias/mundo-tecnologico/13908-programa-de-computador-ajuda-crianca-com-dislexia.html

abril 16, 2012

Um dos distúrbios de aprendizagem, a dislexia é específica da linguagem .


Como identificar e tratar a dislexiaUm dos distúrbios de aprendizagem, a dislexia é específica da linguagem e seu diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar
Maria Angela Nico






Adislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É específico da linguagem e se caracteriza pela dificuldade de decodificar palavras simples, dificuldade esta não esperada em relação à idade. Apesar de instrução convencional, adequada inteligência, oportunidade sociocultural e ausência de distúrbios cognitivos e sensoriais fundamentais, a criança falha no processo da aquisição da linguagem. A dislexia se apresenta em várias formas de linguagem, freqüentemente incluídos problemas de leitura, aquisição e capacidade de escrever e soletrar. Sabe-se que é um distúrbio genético e hereditário, mas não se sabe ao certo as causas da dislexia. Pesquisas nesse sentido estão sendo realizadas nas áreas biológicas, lingüísticas, neurológicas, auditivas e visuais.
São dezenas os sintomas que caracterizam o distúrbio. Na fase pré-escolar, sinais como pouca atenção, atraso no desenvolvimento da fala, dificuldade de aprender rimas e canções, fraco desenvolvimento da coordenação motora são alguns dos indicativos de que a criança pode ser disléxica. Na idade escolar, adicionam-se dificuldade na coordenação motora para desenhos, pintura, ginástica e dança, confusão entre esquerda e direita, desorganização (por exemplo, constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares) e dificuldade na leitura, matemática, desenho geométrico, entre outros. Quem é disléxico, até na idade adulta sofre para soletrar palavras e tem a memória imediata prejudicada.
Para tratar a dislexia, é fundamental um diagnóstico multidiciplinar feito por uma equipe de psicólogo, fonaudiólogo, psicopedagogo e se necessário outros profissionais para se determinar – ou eliminar – fatores,
em todas as áreas que possam estar comprometendo o processo de aprendizagem. Informações como: o desenvolvimento da criança, histórico familiar, desempe-
nho escolar, métodos de ensino e repertório adquirido também são de muita importância.
A constatação de que uma criança é disléxica, principalmente no grau mais severo, provoca ansiedade tanto na família, quanto na escola e nos profissionais de reeducação, sabedores que são das limitações que existem na colaboração familiar e das difíceis adequações escolares. Em relação à criança, definir a causa de suas dificuldades provoca mais sensação de alívio do que angústia, pois, pelo menos, não ficará mais exposta ao rótulo de preguiçosa, desatenta, bagunceira, etc.
O profissional mais adequado para trabalhar com o disléxico é o fonaudiólogo, pois sua principal dificuldade é fazer a relação letra e som. Mas dependendo do grau da dislexia (leve, média ou severa) e do tipo (visual, auditiva ou mista), um psicopedagogo também poderá acompanhá-lo. Os adolescentes e adultos disléxicos normalmente têm a auto-estima muito rebaixada e necessitam de acompanhamento psicológico. O tratamento é longo, cumulativo e sistemático.
Maria Angela Nico é fonoaudióloga formada pela Universidade de São Paulo (USP), psicopedagoga clínica, coordenadora técnica e científica da Associação Brasileira de Dislexia e especialista em diagnóstico e tratamento de disléxicos



copiado do site: 
http://www.terra.com.br/istoegente/223/saude/index.htm 









abril 06, 2012

Dislexia em jovens e crianças é tema de encontro em São Caetano neste sábado


Especialistas, professores e pais vão discutir técnicas de ensino nas escolas
JÉSSICA RODRIGUES
Da Redação*
O Grupo Aprendiz, parceria entre o Instituto ABCD, a Faculdade de Medicina do ABC e municípios, vai discutir neste sábado (31), em São Caetano, técnicas atuais de ensino a crianças e jovens com dislexia. Segundo especialistas, a demora para diagnosticar o transtorno de aprendizagem atrasa a formação escolar dos alunos. O transtorno de aprendizagem faz com que a pessoa demore para conseguir ler e escrever. O cérebro tem dificuldade de associar o som com a letra escrita.
A diretora do Instituto ABCD, Mônica Weinstein, explica que a causa para dislexia é genética e defende que o aluno com esse problema consegue acompanhar a classe quando o professor oferece diferentes técnicas de aprendizado.
“Com estímulos multissensoriais facilitam o processo, pois a informação chega ao cérebro por várias vias, visão, audição.” Mônica afirma ainda que muitos professores não estão preparados para ajudar um aluno com dislexia. Por não conhecerem o transtorno, podem demorar a perceber que o aluno tem esse problema de aprendizado.
Segundo Mônica, os disléxicos são muito criativos e se destacam em atividades relacionadas a arte. “ O ator Tom Cruise, o chefe de cozinha Jamie Olivier e o ex-piloto de Fórmula 1 James Stewart são alguns exemplos”.
As cidades de São Caetano, São Bernardo e Santo André contam com equipes de profissionais relacionados à saúde e educação para fazer o diagnóstico e tratamento da dislexia. Para saber mais basta entrar em contato com o setor de aprendizagem da Faculdade de Medicina do ABC pelo telefone: 4993-5447.

Local:

Reunião Grupo Aprendiz: Sábado (31),  das 08h às 12h no CECAPE  Drª Zilda Arns - Rua Tapajós, 300 - Bairro Barcelona - São Caetano do Sul - SP.

Dislexia: transtorno causa dificuldade para compreender textos

31 de março de 2012 · 14:00

Dislexia: transtorno causa dificuldade para compreender textos

Divulgação
Notas baixas na escola pode ser sinal do problema
Notas baixas na escola pode ser sinal do problema
mais menos
Albert Einstein, Leonardo da Vinci, Pablo Picasso. Você sabe o que esses gênios da humanidade têm em comum? Todos eles eram portadores de dislexia, um transtorno de linguagem que compromete a capacidade de ler, escrever e compreender textos. Por isso, saiba como o problema pode afetar crianças ainda na escola e como é possível ajudá-los a superar suas dificuldades.

Quem olha pra Bernardo estudando nem imagina, mas o menino de 12 anos é portador de dislexia e descobriu o transtorno somente há três anos. Heloisa Pappalardo Collet, mãe de Bernardo, conta que quando ele estava na terceira série a escola desconfiou que o atraso dele em termos de leitura e compreensão de textos não era mais considerada normal. Ele era sempre mais atrasado que os outros para ler e escrever. A situação foi tão gritante que a escola a chamou e pediu que fossem à Associação Brasileira de Dislexia (ABD) para saber se este era o problema do estudante. Após os testes, Bernardo foi diagnosticado como disléxico severo.

Maria Angela Nogueira Nico, fonoaudióloga da ABD, explica que o portador de dislexia tem muita dificuldade em fazer a relação da letra com o som, o que pode ocasionar a troca, omissão e inversão de letras dentro de uma palavra. Como consequência, há dificuldade para entender o conteúdo do texto. Pacientes também podem apresentar dificuldade para decorar tabuada, reconhecer símbolos e conceitos matemáticos e até para aprender outros idiomas.

A dislexia é um problema genético e hereditário, tendo como causa alterações celulares no cérebro, o que dá origem a um funcionamento diferente dele. Quem não tem dislexia, utiliza três áreas dele enquanto está lendo. A primeira faz a identificação das letras. A segunda parte faz com que entendamos o significado da palavra. Por fim, uma terceira área processa todas essas informações. Em uma pessoa com dislexia, as duas primeiras áreas são menos ativas. Em compensação, a parte frontal é obrigada a trabalhar mais e até o lado direito do cérebro é ativado.

O diagnóstico, segundo Maria Angela, é feito por uma equipe multidisciplinar e interdisciplinar, contando com a ajuda de neurologistas, oftalmologistas, fonoaudiologistas, psicólogos e psicopedagogos. E para que seja diagnosticado o problema, é essencial que a inteligência deste paciente seja considerada normal, ou, como em grande parte dos casos, acima da média.

É muito importante estabelecer o diagnóstico de dislexia o quanto antes, para evitar reflexos negativos sobre a autoestima e projetos de vida futuros. Ainda não se conhece a cura para o problema, mas o tratamento é bastante eficaz. Especialistas em várias áreas precisam ser acionados para ajudar o portador a superar suas dificuldades. O apoio da família, é claro, é indispensável.



novembro 29, 2011

Pais e educadores devem ficar atentos aos sinais e evitar preconceitos.

Saiba identificar e tratar a dislexia em crianças


Pais e educadores devem ficar atentos aos sinais e evitar preconceitos

POR CAROLINA GONÇALVES



De acordo a Associação Nacional de Dislexia (AND), pesquisas mostram que de 5% a 17% da população mundial apresenta dislexia, que é um distúrbio ou transtorno de aprendizado na área de leitura, escrita e soletração. Apesar de ser o distúrbio de maior incidência nas salas de aula, um estudo apresentado na Associação Britânica de Dislexia afirma que cerca de 70% dos profissionais das áreas de saúde e educação têm pouco conhecimento sobre ele.


Muitas vezes, os pais também não conseguem identificar a dificuldade. Pensando nisso, conversamos com profissionais especializados no assunto, que explicaram como identificar a dislexia e como pais e professores podem agir para ajudar a criança.


Como identificar?


Por se tratar de um transtorno de linguagem, a dislexia só se manifesta no final da alfabetização e nos primeiros anos escolares (1ª e 2ª ano). A criança começa a apresentar dificuldades inesperadas de aprendizagem de leitura, apesar de ter outras habilidades.

A fonoaudióloga e psicopedagoga da Associação Nacional de Dislexia Clélia Estill afirma que o principal indicador escolar é a criança não ler com a mesma desenvoltura dos colegas e a escrita apresentar muitas falhas e trocas de letras. "As resistências aos trabalhos de leitura e escrita vão se evidenciando cada vez mais, substituindo o entusiasmo inicial, como consequência das frustrações que ela começa a vivenciar, e não por preguiça ou desinteresse", ressalta Clélia.

Porém, de acordo com Clélia, é fundamental lembrar que nem todas as dificuldades de aprendizagem são da ordem da dislexia. Por isso, o diagnóstico precoce é necessário, seja ele de dislexia ou de outro distúrbio de aprendizado. 

Feito o diagnóstico, é importante que o professor se junte ao profissional que tratará a criança e, dessa forma, combine uma maneira de aprendizado diferente. A psicoterapeuta de crianças e adolescentes Mirian Barros conta que não é só o psicólogo quem faz o diagnóstico, e sim o conjunto professor, pais, fonoaudiólogo, psicopedagogo etc.


Quanto mais tarde é feito o diagnóstico, mais a criança fica com a autoestima baixa, podendo ser excluída pelos grupos de amigos, e isso vai acarretando em diversos problemas. Estudos mostram, inclusive, que as taxas de suicídio infantil estão relacionadas à escola e, principalmente, à dislexia, por conta do bullying. Às vezes, até o professor pode influenciar a baixa autoestima, uma vez que não consegue identificar o problema.



O papel do professor



Quanto mais são destacadas as habilidades positivas do disléxico, mais é fortalecida a sua autoestima. O professor não deve chamar a atenção para as a dificuldades da criança, e sim para os seus sucessos.

Clélia conta que o ideal é que crianças com qualquer tipo de necessidade especial sejam incluídas naturalmente nas atividades do grupo, não perdendo de vista as suas dificuldades específicas. "Contando com bom senso pedagógico, sensibilidade e formação do professor, ele saberá distribuir as tarefas de acordo com as possibilidades de cada um", diz a especialista.

Provas e trabalhos escolares

Feito o diagnóstico de dislexia e identificado o seu grau (leve, médio ou severo), é preciso entender que a criança pode necessitar de mais tempo para execução dos trabalhos.

É importante que o professor leia as questões em voz alta para toda a sala e, depois, revise essa leitura individualmente com o disléxico, atendendo a dúvidas que ele possa ter na compreensão dos enunciados, como afirma Clélia. Também pode ser permitido ao aluno responder oralmente as questões, uma vez que ele saiba o conteúdo das respostas, mas tenha dificuldade em redigi-las. Outros métodos podem ser utilizados na realização das provas e trabalhos em classe, dependendo das dificuldades e habilidades da criança.



Pais e alunos: como lidar com o preconceito


Para que haja uma boa convivência dentro da sala de aula, é de extrema importância que o professor não individualize o disléxico, mas, sim, cuide para inseri-lo no grupo. Ele deve explicar à classe a noção de diferença: "Se as crianças da escola estiverem acostumadas a perceber que essas diferenças existem e que alguns precisam de mais atenção do que outros, os alunos não sofrem", diz a psicoterapeuta Miriam.

O professor deve explicar para a classe o que é dislexia, contar que pessoas famosas e bem sucedidas foram e são disléxicas - como Albert Einstein e Bill Gates - e conversar com os alunos sobre as diferentes condições de aprendizagem que existem. Clélia diz que o educador não deve nunca apelar para a piedade, e sim para o conhecimento e entendimento. "Isso é educar!", afirma. E essa ação acontece em conjunto com os pais, tanto do disléxico quanto dos colegas, que devem reforçar esse aprendizado

A psicopedagoga Clélia alerta que, na maioria das vezes, o preconceito chega através dos pais, que sentem o seu filho injustiçado pelo fato de receber um tratamento diferente. "Nesses casos, é sempre interessante realizar uma reunião de pais para discutir o tema, explicando que cada um tem uma necessidade especial que deve ser atendida", aconselha a profissional.



Os pais da criança com dislexia devem entender que o que eles consideram um tratamento diferente, no sentido de "facilitar" para a criança, na verdade é atender às suas necessidades. "É igual a uma família de muitos filhos, na qual cada um é atendido de acordo com o que precisa", diz Clélia.




O que os pais podem (e devem!) fazer



O papel dos pais é essencial para a plena formação da criança. "Eles devem incentivar cada sucesso que ela tiver, tendo sempre muita paciência, lendo e se informando sobre o assunto", diz Miriam. Ela conta que, na medida em que os pais se informam, eles encaram o distúrbio de outra forma. "Os pais devem conhecer a doença e entender que isso não é um bicho de sete cabeças", afirma a psicoterapeuta.

Dificuldades de leitura e escrita se desenvolvem através da ação de ler e escrever, conta a fonoaudióloga Clélia, que recomenda auxiliar a leitura dos filhos. Mas é preciso levar em conta, no entanto, a diferença entre ler para os filhos e ler com os filhos: é importante visitar livrarias ou bibliotecas com os filhos e escolher um livro adequado para que leiam juntos, trocando impressões sobre os livros. "Os pais devem se sentar ao lado do filho, para acompanhar a leitura com ouvidos, olhos e coração", diz.

Feita a leitura, os pais podem propor jogos de perguntas e respostas sobre cada parágrafo do texto, pedir para que o filho conte o que leu e o que ouviu, buscar na memória assuntos relacionados com o tema da leitura atual, descobrir palavras no texto, entre outras coisas que tornem a leitura uma atividade familiar, uma leitura compartilhada.

Além da leitura, existem jogos de tabuleiro que envolvem conhecimentos gerais e podem auxiliar na assimilação, como palavras cruzadas. Eles tornam a leitura e a escrita uma coisa prazerosa, e não um simples "dever de casa".




FONTE: http://terra.minhavida.com.br/familia/materias/13740-saiba-identificar-e-tratar-a-dislexia-em-criancas

setembro 10, 2011

Entrevista com Hélio Magri Filho: Autor do livro ‘Sou Disléxico e Daí?’


Vejamos abaixo a entrevista de Hélio Magri Filho concedida ao Bigmae.com,  que poderá esclarecer e orientar  mães, pais e educadores acerca do tema Dislexia:


1- O que é dislexia?


A definição oficial, aceita pela Associação Brasileira de Dislexia: Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária.

Minha definição: Nosso cérebro, quando visto de cima, lembra duas metades de uma noz. Cada metade recebe o nome de hemisfério cerebral. Os hemisférios comunicam-se através de um feixe de fibras nervosas denominado CORPO CALOSO. A grande maioria das pessoas foi acostumada a pensar e agir de acordo com o paradigma cartesiano, baseado no raciocínio lógico, linear, sequencial, deixando de lado suas emoções, a intuição, a criatividade, a capacidade de ousar soluções diferentes. Utilizando mais o hemisfério esquerdo, considerado racional, deixamos de usufruir dos benefícios contidos no hemisfério direito, como a imaginação criativa, a serenidade, visão global, capacidade de síntese e facilidade de memorizar, dentre outros. Eu costumo dizer que não tenho “atleticidade” cerebral suficiente para cruzar a “ponte” (corpo caloso) do hemisfério esquerdo para o direito, e vice versa, do meu cérebro. Tenho uma tendência maior em permanecer no lado direito, ou seja, mais no mundo da “lua”, comprometendo atenção, concentração e aprendizagem.

2- Conte-nos um pouco da sua experiência de vida como disléxico.

A vida com dislexia, discalculia (dificuldades com números), desatenção e outros “dis” me deixou sempre numa posição de questionamento, é como se eu tivesse que mentalizar todos meus movimentos, minhas ações e reações, antes de manifestá-los. Isso é desgastante, muito estressante, mas também enriquecedor. Sempre sentia que era diferente, não conseguia me inserir no cenário e questionava, interna e incessantemente minha postura. Isso para quem está tentando assimilar os caminhos do mundo é um peso extra que carregamos. Se não entendemos quem somos e como somos, como poderemos entender a vida como ela é? Como tudo na vida parece ter sempre um jeito, eu criava estratégias para lidar com números, evitava leituras em voz alta, alegava sempre algum mal estar súbito e outras tantas desculpas. E nessa introspecção eu fui descobrindo quem realmente sou… e daí escolhi manifestar isso todos os dias da minha vida.

3- O que foi mais difícil em sua infância?


O mais difícil na infância, e na vida adulta, são os rótulos. Entendo que as pessoas não têm a paciência suficiente, e nem o conhecimento necessário para entender que somos diferentes. A crueldade destes rótulos, mais a incapacidade de desempenhar tarefas consideradas normais para as outras crianças deixaram suas marcas na auto-estima. A frustração de uma criança que não consegue se ajustar é algo silencioso e pessoal. Uma batalha constante. Isso foi o mais difícil: Cada dia era uma luta para se inserir nos cenários e corresponder às expectativas da família, da escola e etc.

4- Como pode ser identificado precocemente que uma criança tem dislexia?


A dislexia pode ser identificada já nos primeiros anos escolares, sendo que a primeira condição para o diagnóstico é que a criança já tenha sido alfabetizada e que a criança já tenha tido uma vivência com a leitura e escrita de, pelo menos, dois anos para que seja possível a caracterização das dificuldades disléxicas.

A dislexia necessita de um tratamento apropriado. Por não ser um problema que passa com o tempo, a dislexia merece atenção para não passar despercebida. É importante que o diagnóstico seja efetuado o quanto antes, assim, as crianças tratadas desde cedo, têm grandes chances de superar ou conviver melhor com os sintomas.

São vários os sinais que identificam a dislexia: Dificuldade com cálculos mentais, dificuldade em organizar tarefas, dificuldades com noções espaço- temporais, entre outras. Podemos observar também um desempenho inconstante com relação à aprendizagem da leitura e da escrita; Dificuldade com os sons das palavras e, consequentemente, com a soletração; Escrita incorreta, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas; Relutância para escrever; Confusão entre letras de formas vizinhas, como “moite” por “noite”, “espuerda” por “esquerda”; Confusão entre letras foneticamente semelhantes: “tinda” por “tinta”, “popre” por “pobre”, “gomida” por “comida”; Omissão de letras e/ou sílabas, como “entrando” por “encontrando”, “giado” por “guiado”, “BNDT” por “Benedito”; Adição de letras e/ou sílabas: “muimto” por “muito”, “fiaque” por “fique”, “aprendendendo” por “aprendendo”; União de uma ou mais palavras e/ou divisão inadequada de vocábulos: “Eraumaves um omem” por “Era uma vez um homem”, “a mi versario” por “aniversário”; Leitura e escrita em espelho; Existem ainda outros sinais importantes de dislexia na idade escolar: Lentidão na aprendizagem dos mecanismos da leitura e escrita; Trocas ortográficas, dependendo do tipo de dislexia; Problema para reconhecer rimas e alterações; Desatenção e dispersão; Desempenho escolar abaixo da média, em matérias específicas, que dependem da linguagem escrita; Melhores resultados nas avaliações orais, do que nas escritas; Dificuldade de coordenação motora fina (para desenhar, escrever e pintar) e grossa (é descoordenada); Dificuldade de copiar as lições do quadro, ou de um livro; Problema na lateralidade (confusão entre esquerda e direita, ginástica) Dificuldades de expressão: vocabulário pobre, frases curtas, estruturas simples, sentenças vagas; Dificuldades em manusear mapas e dicionários; Esquecimento de palavras; Problema de conduta: retração, timidez excessiva e depressão; Desinteresse ou negação da necessidade de ler; Leitura demorada, silabadas e com erros. Esquecimento de tudo o que lê; Salta linhas durante a leitura, acompanha a linha de leitura com o dedo; Dificuldade em matemática, desenho geométrico e em decorar sequências; Desnível entre o que ouve e o que lê. Aproveita o que ouve, mas não o que lê; Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa; Não gosta de ir à escola; Apresenta “picos de aprendizagem”. Em alguns dias parece assimilar e compreender os conteúdos e em outros, parece ter esquecido o que tinha aprendido anteriormente; Pode evidenciar capacidade acima da média em áreas como: desenho, pintura, música, teatro, esporte, etc;

Quando um aluno demonstra contínua dificuldade com os problemas acima, deverá ser imediatamente encaminhado aos profissionais especializados, estes farão averiguações concretas. O diagnóstico deve sempre ser feito por uma equipe multidisciplinar composta de fonoaudiólogos, neuropsicólogos, psicólogos, e etc.

5- Como devem agir os pais ao perceber que o filho tem dislexia?

Tudo deve ser feito em PARCERIA com a escola. Constatado a dislexia, é fundamental que o professor esclareça em sala de aula quanto às dificuldades do colega, para que se mantenha um ambiente de respeito e consideração sem rejeições. Quero enfatizar a importância do acompanhamento dos pais com o disléxico, estes devem ser esclarecidos para que possam entender melhor as dificuldades que seu filho demonstra e ajudá-lo a contorná-las. A Associação Brasileira de Dislexia (ABD) através de seu site: www.dislexia.org.br disponibiliza ferramentas, apoio e recursos que os pais podem usar para lidar com o problema. Além de tudo isso, os pais devem encontrar uma escola que possa atender as necessidades do seu filho disléxico. As escolas devem oferecer adaptações do sistema escolar às necessidades do aluno disléxico, para que ele possa entrar em contato com experiências e informações, para a construção de sua aprendizagem. Não há uma escola perfeita, o fundamental então é selecionar uma escola que mais se adapte às prioridades da Criança, e acompanhar sistematicamente sua aprendizagem, contando com o auxílio de uma equipe multidisciplinar. A busca por uma escola é essencial, pois no Brasil, a maioria dos modelos de escola que conhecemos, públicas e particulares, geralmente não foram feitas para disléxicos. Um bom programa educacional para crianças disléxicas precisa estabelecer objetivos específicos de progresso para o ano letivo. É necessário dedicar muita atenção para que a dislexia seja superada; sendo assim, seja paciente com um aluno ou filho disléxico, e não deixe que ele sofra de baixa auto-estima. Incentive-o a buscar novas atividades e interesses, tais como esportes ou música, e sempre o recompense quando ele progredir em seus estudos.

6- Porque em pleno 2011, os educadores e as escolas ainda têm dificuldade em identificar a dislexia numa criança?

Eu tenho um sonho: O ideal seria que toda criança fosse testada para detectar se ela sofre de dislexia. Porém, o sistema educacional brasileiro é deficiente e há uma falta de recursos na maioria das escolas do País. Apesar das salas de aula estarem lotadas e apesar da falta de recursos para pesquisas, a dislexia precisa ser combatida. Muitos casos de dislexia passam despercebidos em nossas escolas por causa da falta de conhecimento dos educadores, dos pais e pelo próprio sistema de ensino que ignora as necessidades mais básicas de alfabetização. Eu morei no exterior por mais de vinte anos, e em minhas pesquisas descobri que em outros países a questão da dislexia, e de outros distúrbios de aprendizagem, está ligada aos assuntos de SAÚDE. Aqui no Brasil, insistimos que isso tudo é do ENSINO. Muitas vezes, crianças inteligentíssimas, mas que sofrem de dislexia, aparentam ser péssimos alunos; muitas dessas crianças se envergonham de suas dificuldades acadêmicas, abandonam a escola e se isolam de amigos e familiares. Muitos pais, ainda por falta de conhecimento, se envergonham de ter um filho disléxico e evitam tratar do problema. Isso é lamentável, pois crianças disléxicas que recebem um tratamento apropriado podem não apenas superar essa dificuldade, mas até utilizá-la como benefício para se sobressair pessoal e profissionalmente.

Não é suficiente incluir uma criança disléxica em sala de aula, precisamos, antes de tudo, de professores e coordenadores capacitados em dislexia para atender com eficiência as necessidades que estas crianças apresentam. A abrangência da inclusão escolar é muito ampla. Uma educação para todos precisa valorizar a diversidade em todos os sentidos, dinamizando e enriquecendo as relações e interações, despertando nos alunos o desejo de conhecer e conviver com grupos diferentes do seu. A escola é um lugar privilegiado de encontro com o outro, onde o respeito às diferenças deve prevalecer. Fica aqui um desafio para os professores: VOCÊ, COMO EDUCADOR, É CAPAZ DE ENSINAR DE ACORDO COM A NECESSIDADE DA CRIANÇA, OU ACHA QUE A CRIANÇA DEVE APRENDER DE ACORDO COM O SEU MÉTODO DE ENSINO?

7- Qual caminho os pais devem seguir ao constatar que o filho tem dislexia?

Além do que já falamos anteriormente quero acrescentar ainda que, assim como qualquer criança, os disléxicos necessitam do apoio dos pais. Não só para a satisfação das suas necessidades imediatas e físicas, mas também para ajudar na criação de mecanismos para superar suas dificuldades.

Usar exercícios criativos que envolvam a memória, tais como recitar poemas infantis em conjunto, ler poemas, utilizar mímica, teatro, falar de imagens, utilizar a ação, os jogos de tabuleiro, e cantar músicas, podem ser muito úteis.

Estas são algumas dicas/estratégias que também poderão ser importantes:

* Incentivar a prática de exercício físico, em que se promova o atirar, capturar, chutar bolas, saltar e treinar o equilíbrio;

* Incentivar a prática de atividades lúdicas e artísticas, como dança, pintura ou outra que a criança se sinta inclinada;

* Incentivar o gosto pela leitura, usando a linguagem dos livros — as imagens, as palavras e as letras — para perceber que os livros podem ser analisados, lidos e desfrutados;

* Mostrar como segurar um livro, de que forma ele abre, onde começa a história, onde é o topo da página e que direção segue o texto, apreciar as imagens;

* Promover o aspecto cultural: visitar museus, assitir peças de teatro ou musicais, conhecer outras cidades, etc

* Ajudar a criança disléxica a aprender a seguir instruções, por exemplo, “por favor pegue no lápis e coloque-o na caixa”, e fazer gradativamente sequências mais longas, por exemplo, “ir à prateleira, encontrar a caixa vermelha, trazê-la para mim”.

Incentive sempre a criança disléxica a repetir a instrução antes de realizar a tarefa desejada.

8- Existe alguma metodologia de ensino específica para crianças disléxicas?

O professor, quando preocupado com o desempenho e o progresso de um aluno, deve consultar os pais e a própria escola a fim de obter maiores informações sobre a vida escolar do aluno. Se a preocupação e os sinais persistirem, o professor deve sugerir, juntamente com o psicólogo da escola, um acompanhamento clínico especializado. Desta forma, tornará sua ajuda muito valiosa, já que não é o professor que fará as terapias e tratamento necessários, mas tem o dever de identificar e posteriormente dedicar-se de maneira especial ao aluno disléxico em sala de aula, resgatando também, sua autoconfiança.

O professor de um aluno disléxico deve rever suas estratégias metodológicas e descobrir habilidades nestes alunos, para que eles possam descobrir-se, conhecer-se e possivelmente destacar-se em outras áreas, pois se os disléxicos fracassarem no período escolar, significa que não fracassaram sozinhos: a escola, desde o gestor até o professor, também fracassou.

Não há um só tratamento, ou intervenção escolar, que seja adequado a todas as pessoas. Contudo, a maioria dos tratamentos e intervenções enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. Esses tratamentos e intervenções ajudam o disléxico a reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. É aconselhável que a criança disléxica leia em voz alta com um adulto para que ele possa corrigi-la. É importante saber que ajudar disléxicos a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção e repetição. Mas um bom tratamento e intervenção adequados, certamente rendem bons resultados. Alguns estudos sugerem que quando administrados ainda cedo na vida escolar de uma criança, podem amenizar e até mesmo corrigir as falhas nas conexões cerebrais.

9- O que fazer para facilitar a vida de uma criança disléxica?

Crianças precisam de amor… Uma criança disléxica precisa de muito amor e da conscientização, pelos pais e professores de três regras básicas: Nunca julgue; Nunca critique e Nunca condene!

Se os pais e professores sabem que a dislexia persiste, apesar da boa escolaridade. É necessário que estejam cientes de que um alto número de crianças sofre de dislexia. Se você julgar, certamente confundirá dislexia com preguiça ou má disciplina. E, se critica, certamente verá que as crianças disléxicas expressam sua frustração por meio de mal-comportamento, dentro e fora da sala de aula. Portanto, pais e educadores devem saber identificar, sem condenar, os sinais que indicam que uma criança é disléxica – e não preguiçosa, pouco inteligente ou mal-comportada.

10- Para finalizar deixe-nos as suas considerações finais sobre o tema ‘Dislexia’ que julgar importante ser esclarecido.

Nunca é tarde demais para ensinar disléxicos a ler e a processar informações com mais eficiência. Entretanto, diferente da fala – que qualquer criança acaba adquirindo – a leitura precisa ser ensinada. Utilizando métodos adequados de tratamento e com muita atenção e carinho, a dislexia pode ser derrotada. Crianças disléxicas que receberam tratamento desde cedo apresentam uma menor dificuldade ao aprender a ler. Isso evita com que a criança se atrase na escola ou passe a detestar estudar.

O primeiro sinal de possível dislexia pode ser detectado quando a criança, apesar de estudar numa boa escola, tem grande dificuldade em assimilar o que é ensinado pelo professor. Crianças cujo desenvolvimento educacional é retardatário podem ser bastante inteligentes, mas sofrer de dislexia. O melhor procedimento a ser adotado é permitir que profissionais qualificados examinem a criança para averiguar se ela é disléxica. A dislexia não é o único distúrbio que inibe o aprendizado, mas é o mais comum.

São muitos os sinais que identificam a dislexia. Crianças disléxicas tendem a confundir letras com grande freqüência. Entretanto, esse indicativo não é totalmente confiável, pois muitas crianças, inclusive não-disléxicas, freqüentemente confundem as letras do alfabeto e as escrevem de lado ou ao contrário. No Jardim de Infância, crianças disléxicas demonstram dificuldade ao tentar rimar palavras e reconhecer letras e fonemas. Na primeira série, elas não conseguem ler palavras curtas e simples, têm dificuldade em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil. Da segunda à quinta série, crianças disléxicas têm dificuldade em soletrar, ler em voz alta e memorizar palavras; elas também freqüentemente confundem palavras. Esses são apenas alguns dos muitos sinais que identificam que uma criança sofre de dislexia.

Um último esclarecimento: A dislexia é tão comum em meninos quanto em meninas.




Outros comentários também podem ser encontrados em meu livro:

Sou Disléxico… E daí? Disponível no site: www.mbooks.com.br

Ou em meu site: http://www.heliomagrifilho.com.br/
 
 
FONTE DE PESQUISA: http://www.bigmae.com/o-que-e-dislexia-entrevista-com-helio-magri-filho/

Então, como diagnosticar a dislexia?

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...

PORQUÊ, SOMOS DIS !!!

Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.

como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.

Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!

Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.

Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.