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junho 12, 2011

A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO SOBRE OS DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM

Disturbios de aprendizagem


Há anos os pesquisadores vêm se mobilizando para entender o porquê de tantos fracassos dos alunos frente ao seu processo acadêmico. Desde os anos básicos do Ensino Infantil aos bancos das universidades, o alunato encontra severas


dificuldades para adquirir as habilidades necessárias que o permita dar continuidade ao seu aprendizado, a tornar possível sua educação formal e que possa introjetar conhecimentos para transformar a realidade e resolver as questões que se apresentem.

Temos como ferramenta principal e básica, isto é a chave-mestra para este processo a aquisição da leitura e da escrita, já que nossa sociedade delas se utiliza em grande parte, para a evolução da aprendizagem como um todo.

Ler significa, sobretudo conhecer-se, significa tomar contato e apropriar-se do mundo, significa interpretar este mesmo meio e tudo que o cerca. Significa a luz e o conhecimento. Já a escrita tem a função de perpetuar nossa cultura e estas percepções de si e do meio. Ela nos permite a expressão máxima, livre e necessária do convívio entre seres.

O aprendiz que não consegue se desenvolver nestes aspectos, desde cedo apresenta sinais que poderiam ser identificados e diagnosticados precocemente. Desta forma a escola, os pais e cuidadores poderiam desenvolver programas, métodos e estratégias mais adequadas e específicas ao seu universo e criarem assim, condições favoráveis e reais para seu processo de aprendizagem.

Alguns destes sinais são mais freqüentes, sendo que a figura do professor é fundamental na percepção deles, pois é na esfera da sala de aula (desde o maternal) que são notados. Podemos enumerar alguns deles, tais como: deficiências na oralidade, seja na expressão de um vocabulário pobre, seja na articulação, ou mesmo crianças e adolescentes que se expressam adequadamente, mas que apresentam dificuldades para contar um fato ou uma história dentro de uma ordem coerente e coesa.

Observam-se ainda as dificuldades na motricidade geral, crianças que desde cedo revelam dificuldades para se equilibrar, não demonstram habilidades nas brincadeiras ou nas aulas de educação física, que não se destacam nos esportes, ou que apresentam dificuldades nas habilidades mais finas, relativas à coordenação visuo-motora como amarrar sapatos, recortar, desenhar, e mais tarde dificuldades com o traçado de letras.

Outro fator muito comum é relativo à dificuldade que alguns manifestam em se manterem atentos às solicitações dos pais e professores e posteriormente às aulas. São alunos que demonstram claramente dificuldade em focar, o que ocasiona perdas de dados significativos. Não devemos deixar de apontar questões mais relativas ao comportamento inadequado ou às dificuldades que se apresentam desde cedo destas crianças em adquirir rotina de vida, organização e disciplina para o trabalho.

Já na fase das aquisições formais, propriamente ditas, pode-se perceber aquele aluno que é mais lento ou manifeste dificuldades em adquirir a alfabetização e/ou posteriormente se apresente apto à leitura mecânica, mas demonstre pouca eficiência em compreender o que lê, ou ainda que tenha dificuldades para redigir, desde a apropriação ineficiente da ortografia à própria arte de se expressar por escrito.

Nota-se ainda, as dificuldades como o raciocínio lógico matemático ou resistência em adquirir os conceitos aritméticos básicos.

Estes sinais, por exemplo, podem ser indicadores (não em sua totalidade, nem um aspecto isolado, mas um conjunto deles) de possível distúrbio de aprendizagem. Importante ressaltar que os indivíduos que não são identificados em suas reais dificuldades e/ou deficiências, são impedidos de desenvolverem suas habilidades e potencialidade, levando-os ao fracasso, pouca motivação com os estudos e muitas vezes à evasão escolar.

Questões afetivo-emocionais conflituosas, como insegurança e sentimentos de baixa estima vêm agravar o quadro. Por outro lado, se o educador tiver conhecimento sobre que respostas esperar de seus alunos em cada fase etária e acadêmica, poderá identificar as dificuldades que eles manifestam e encaminhá-los aos profissionais habilitados, quando suspeitar de que possam ser portadores de distúrbios, ou mesmo, caso se configurem apenas dificuldades, que possam apropriar-se de métodos e estratégias mais eficientes que auxiliem na recuperação de seus educandos.


Tânia Freitas

tania@abcdislexia.com.br



FONTE DE PESQUISA
http://www.abcdislexia.com.br/dislexia/disturbios-de-aprendizagem.htm

fevereiro 08, 2011

É dislexia ? necessário separar a real dificuldade da criança e a incapacidade dos professores .

COMO A ESCOLA E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM INFLUENCIAM NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA



A psicóloga mestra em educação, Fernanda Araújo Cabral, fala sobre como lidar com a criança que apresenta dificuldade nos estudos escolares.



Algumas crianças ao começarem a estudar apresentam dificuldade para aprender o que é ensinado. Isso pode ser desencadeado por problemas como TDA-H (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), Dislexia, Deficiência Intelectual, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento ou mesmo dificuldade de aprendizagem. Também pode haver somente um desinteresse por situações escolares.




“Geralmente os professores são os primeiros a perceberem este problema. Visto que normalmente a criança não apresenta essas dificuldades em casa e as demonstram por volta dos seis e sete anos de idade quando iniciam o ensino fundamental. No entanto, é possível realizar um diagnóstico precoce quando as crianças desde muito cedo (2 ou 3 anos) apresentam distúrbios de linguagem ou dificuldades acentuadas para se relacionar com outras crianças (isolamento das outras crianças ou agressividade)”, afirma a psicóloga, mestre em educação, Fernanda Araújo Cabral.



Antes mesmo da escola falar sobre este assunto com os pais estes podem identificar o empecilho por meio das frequentes notas baixas, incapacidade de compreender o que a professora explica mesmo após esta ter utilizado diversas maneiras diferentes de abordar um determinado tema. Além disso, pode haver o desinteresse acentuado pelas atividades escolares e agressividade.



Ao diagnosticar o motivo pelo qual o desempenho escolar não vai bem é bastante importante que os pais compreendam a dificuldade do filho e se disponham a auxiliá-lo, evitando cobranças excessivas ou rótulos como o de “incapaz”. Todavia, também é necessário que o outro lado seja visto. Apesar de compreensivos os pais devem impor limites e mostrar a importância da escolarização.



É necessário separar a real dificuldade da criança e a incapacidade dos professores em compreenderem que ela aprende de forma um pouco diferenciada. Em qualquer caso é importante um profissional conversar com a escola para investigar quais os motivos da dificuldade apresentada pelos alunos e elaborar, em parceria com a instituição escolar, uma melhor forma de planejar o ensino para a classe, de maneira a contemplar todos os alunos que estudam na mesma sala.



O tratamento terapêutico é recomendado quando a dificuldade de aprendizagem começa a rotular a criança e acentuar a diferença. Quanto antes o início da terapia melhor, para que a criança tenha um bom prognóstico quanto ao desenvolvimento escolar.



O trabalho psicológico compreende as questões psicopedagógicas presentes na dificuldade de aprendizagem da criança. Para tanto, nos momentos de clínica o uso do lúdico (tratamento psicológico que possibilita o desenvolvimento da percepção, da imaginação, da fantasia e dos sentimentos) colabora para o desbloqueio do lado emocional da criança que impede o aprendizado. Também auxilia a criança no desenvolvimento de estratégias que facilitem seu aprendizado, utilizando os potenciais que tem de aprendizado. Por exemplo, se uma criança é muito agitada, o psicólogo age canalizando essa agitação para realizar as tarefas escolares. Além disso, o profissional deve trabalhar em conjunto com a escola e com a família, no intuito de auxiliar a compreenderem o processo de aprendizagem da criança, assim como criar planejamentos que favoreçam essa aprendizagem.



Portanto, a terapia, orientações aos pais e acompanhamento escolar são essenciais para a melhoria do problema que aflige a criança. “Se não houver um tratamento, a criança pode desencadear sérios atrasos no desenvolvimento escolar, acarretando até o total abandono da escola. Desinteresse pelos estudos, baixa autoestima, timidez ou agressividade. Nos piores casos podem ocorrer a somatização da dificuldade e a criança passa a reclamar de dores de cabeça ou de estômago na hora de ir à escola, ou até mesmo distúrbios mais graves como inapetência”, alerta a especialista Fernanda Araújo Cabral.



Sobre Fernanda Araújo Cabral – Psicóloga formada pelo Mackenzie, especializada em Processos de Ensino e Aprendizagem no Ensino Superior pela FMU e mestre pela PUC (fev.2011) em Educação, com dissertação sobre Inclusão de Pessoas com Deficiência Intelectual. Docente da FMU nas disciplinas relacionadas ao desenvolvimento infantil e psicopatologias. Fernanda também atende em consultório crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem, e emocionais, deficiências e/ou psicopatologias. Além disso, ministra palestras e mini cursos sobre inclusão social da pessoal com deficiência.



http://www.psicosyn.com/
Ter, 08 de Fevereiro de 2011 16:15 Priscila Pacheco NOTÍCIAS - Saúde
fonte de consulta: http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=30005:como-a-escola-e-as-dificuldades-de-aprendizagem-influenciam-no-desenvolvimento-da-crianca&catid=47:cat-saude&Itemid=328

janeiro 21, 2011

DISLEXIA: O GRANDE DESAFIO EM SALA DE AULA.







Divulgação Científica da Faculdade Don Domênico - 2ª Edição – Outubro de 2009


DISLEXIA: O GRANDE DESAFIO EM SALA DE AULA.

Giselia Souza dos Santos de Almeida1

Resumo: O presente artigo abordará os diferentes tipos de dislexias, os sinais
na infância e na iniciação escolar facilitando assim a sua identificação, citará
algumas leis para melhor entendimento da classificação de necessidades
educacionais especiais. Trará também dicas de como o educador deverá atuar
em sala de aula e a importância de estratégias utilizando recursos para as aulas
com crianças disléxicas.

Palavras chave: dislexia, aprendizagem, professor

Abstract: This article will address the different types of dyslexia, the signs in
childhood and initiation school facilitating the identification, some laws to
better understand the classification of special education needs. Will also tips
for the teacher to work in the classroom and the importance of strategies for
using the classes with dyslexic children.
Keywords: dyslexia, learning, teacher.


1. INTRODUÇÃO
Vivemos em busca do perfeito. Não sabemos lidar com o diferente. Tudo está
em torno do comum. Somos tomados por um senso comum e por nossos saberes
cotidianos e deixamos de buscar um conhecimento científico.
Marilena Chaui nos alerta que uma das características do senso comum e dos
saberes cotidianos é por serem subjetivos, generalizadores, nossas certezas cotidianas e
o senso comum de nossa sociedade ou do nosso grupo social, cristalizam-se em
preconceitos com a qual passamos a interpretar toda a realidade que nos cerca e todos os
acontecimentos.
Temos que formar melhor nossos professores, o meio educacional está em
profunda mudança tanto no ponto de vista de conceitos e valores, como da prática.
Apesar de tantas mudanças, o professor ainda resiste em mudar as práticas pedagógicas
justificando essa resistência com argumentos do senso comum.
1 Aluna do curso de Pós-graduação lato sensu em Psicopedagogia da Faculdade Don Domênico.

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Revista Eletrônica de Divulgação Científica da Faculdade Don Domênico - 2ª Edição – Outubro de 2009
Hoje trabalhamos com uma nova realidade, que é Educação Inclusiva, que tem
gerado muitas dúvidas em seu processo de implementação. Trabalhamos com várias
síndromes, distúrbios e dificuldades de aprendizagem, falaremos em especial da dislexia
que é um dos grandes desafios em sala de aula, como diagnosticar, seus principais
sintomas, como avaliar e incluir o aluno no processo de ensino-aprendizagem.

2. Dislexia
Identificada pela primeira vez por BERKLAN, o termo dislexia foi denominado
pela primeira vez por Rudolf Berlin um oftalmologista da Alemanha. Ele usou o termo
para se referir a um jovem que tinha dificuldade de leitura e escrita ao mesmo tempo
que apresentava habilidades intelectuais normais.Acreditava-se nessa época que o
problema seria de visão, em 1925 Samuel T. Orton, neurologista e um dos primeiros
pesquisadores a estudar a dislexia observou que a dificuldade de leitura escrita não
estava correlacionada com a visão, ele acreditava que essa condição era causada por
uma falha da lateralização do cérebro.2
A palavra dislexia é formada pela contração das palavras gregas dis que
significa difícil e lexis, palavra caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura,
escrita e soletração.
Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) a definição utilizada é a de
1994 da International Dyslexia Association (IDA): “Dislexia é um dos muitos distúrbios
de aprendizagem caracterizado pela dificuldade de decodificação das palavras simples,
mostrando uma insuficiência no processamento fonológico”.
Em um levantamento feito pela ABD, em média 40% dos casos diagnosticados
na faixa mais crítica, entre 10 a 12 anos, são de grau severo, 40% são de grau moderado
e 20% de grau leve, existe maior incidência em meninos do que em meninas.
19 Orton (1925). Word-blindness in school children.. Archives of Neurology and Psychiatry 14: 285–
516.

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Segundo Aliende e Cobdenmarin3 a dificuldade de aprendizagem relacionada
com a linguagem (leitura, escrita e ortografia), pode ser inicial e informalmente (um
diagnóstico mais preciso deve ser feito e confirmado por neurolingüista) diagnosticada
pelo professor da língua materna, com formação na área de Letras e com habilitação em
Pedagogia, que pode observar a velocidade da leitura da criança, utilizando critérios
citados abaixo:
• A criança movimente os lábios ou murmura ao ler?
• A criança movimente a cabeça ao longo da linha?
• A leitura silenciosa é mais rápida que a oral, ou mantém o mesmo rítmo de
velocidade?
• A criança segue a linha com o dedo?
• A criança faz excessivas fixações do olho ao longo da linha impressa?
• A criança demonstra excessiva tensão ao ler?
• A criança efetua excessivos retrocessos da vista ao ler?
Atualmente generalizou-se o termo dislexia, qualquer distúrbio de linguagem
apresentado pela criança, logo é qualificado como dislexia, tanto pelos pais como pela
escola. O problema não está na criança, mas nos processos educacionais, sob a
responsabilidade familiar, ou nos processos formais de aprendizagem na incumbência
da instituição escolar.
Em virtude da alfabetização precoce, cada vez mais as crianças estão menos
prontas para iniciar o processo de aprendizagem da leitura e escrita, como diz Le
Boulch4 tem que ser respeitado o desenvolvimento humano, o qual está dividido em três
momentos:

a) O corpo vivido, 0 – 3 anos compreende a expressão do corpo em sua
totalidade, as sensações exteriores ao seu corpo são recebidas através do contato
afetivo-corporal-cinestésico com a mãe;
3 ALLIENDE, Felipe; CONDEMARIN, Mabel. Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento. Porto
Alegre, Artes Médicas, 1989.
4 BOULCH, Jean Le. Educação psicomotora: a psicogenética na idade escolar.
No caso da criança em idade escolar, a
Psicolingüística define a dislexia como um fracasso
inesperado na aprendizagem da leitura (dislexia), da
escrita (disgrafia) e da ortografia (disortografia) na
idade prevista em que essas habilidades já devem ser
automatizadas. É o que se denomina de dislexia de
desenvolvimento.
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b) O corpo percebido, 4 – 7 anos é o estágio da estruturação perceptiva do
corpo que compreende o processo de organização corporal a partir das funções de
ajustamento, de interiorização, funções gnósticas e da percepção espacial, temporal e
rítmica; e a

c) O corpo representado, 8 – 12, em que a criança está iniciando no processo
de escolarização formal. Partindo das idéias de Le Boulch perceberemos que a
sociedade cada vez mais impõe regras equivocadas no processo ensino-aprendizagem.
Quanto mais cedo diagnosticar melhor será para a criança e família, visto que
todos sofrem com a situação, estudos feitos nos EUA comprovaram que 80% dos jovens
infratores tiveram ou tem alguma dificuldade de aprendizagem na vida escolar.
Um dos pontos fundamentais presente nas crianças disléxicas é o abalo da
autoestima, sentem-se burras e não entendem o que se passa com elas, por isso é
fundamental o acompanhamento psicológico, como diz a Dr. Shirley de Campos5 a
autoestima é importante na idade escolar, a capacidade de aprendizagem é uma das
primeiras a ficar afetada sempre que haja uma perturbação emocional da criança

3. Tipos de Dislexia
A dislexia pode ser classificada de várias formas, para seu diagnóstico alguns
autores têm como base testes fonoaudiológicos, pedagógicos e psicológicos.
Geralmente o diagnóstico é feito por equipe multiprofissional, dada a complexidade de
se confirmar o quadro.

A dislexia pode ser classificada em:
3.1 Dislexia disfonética: dificuldades de percepção auditiva na análise e síntese de
fonemas, dificuldades temporais, e nas percepções da sucessão e da duração ( troca de
fonemas – sons, grafemas – diferentes, dificuldades no reconhecimento e na leitura de
palavras que não têm significado, alterações na ordem das letras e sílabas, omissões e
acréscimos, maior dificuldade na escrita do que na leitura, substituições de palavras por
sinônimos);

5 Professora do curso de pós-graduação em Nutrição funcional da Universidade Ibirapuera em São Paulo
,Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.
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3.2 Dislexia diseidética: dificuldade na percepção visual, na percepção gestáltica, na
análise e síntese de fonemas (leitura silábica, sem conseguir a síntese das palavras,
aglutinações e fragmentações de palavras, troca por equivalentes fonéticos, maior
dificuldade para a leitura do que para a escrita);
3.3 Dislexia visual: deficiência na percepção visual; na coordenação visomotora (não
visualiza cognitivamente o fonema);
3.4 Dislexia auditiva: deficiência na percepção auditiva, na memória auditiva (não
audiabiliza cognitivamente o fonema)
3.5 Dislexia mista: que seria a combinação de mais de um tipo de dislexia.
Para Moojen apud Rotta6 é possível classificar a dislexia em três tipos:
Dislexia fonológica (sublexical ou disfonética): caracterizada por uma dificuldade
seletiva para operar a rota fonológica durante a leitura, apresentando, não obstante, um
funcionamento aceitável da rota lexical; com freqüência os problemas residem no
conversor fonema-grafema e/ou no momento de juntar os sons parciais em uma palavra
completa. Sendo assim, as dificuldades fundamentais residem na leitura de palavras
não-familiares, sílabas sem sentido ou pseudopalavras, mostrando melhor desempenho
na leitura de palavras já familiarizadas. Subjacente a essa via, encontra-se dificuldades
em tarefas de memória e consciência fonológica. Considerando o grande esforço que
fazem para reconhecer as palavras, portanto, para manter uma informação na memória
de trabalho, são obrigados a repetir os sons para não perdê-los definitivamente. Como
conseqüência, toda essa concentração despendida no reconhecimento das palavras
acarreta em dificuldades na compreensão do que foi lido.

Dislexia lexical (de superfície): as dificuldades residem na operação da rota lexical
(preservada ou relativamente preservada a rota fonológica), afetando fortemente a
leitura de palavras irregulares. Nesses casos, os disléxicos lêem lentamente, vacilando e
errando com freqüência, pois ficam escravos da rota fonológica, que é morosa em seu
funcionamento. Diante disso, os erros habituais são silabações, repetições e retificações,
6 ROTTA, Newra Tellecha…[et al.] Transtornos da Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e
Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed,2006
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e , quando pressionados a ler rapidamente, cometem substituições e lexicalizações; às
vezes situam incorretamente o acento prosódico das palavras.
Dislexia Mista: nesse caso, os disléxicos apresentam problemas para operar tanto com a
rota fonológica quanto com a lexical. São assim situações mais graves e exigem um
esforço ainda maior para atenuar o comprometimento das vias de acesso ao léxico.
4. Sinais de dislexia
É importante que pais e professores fiquem atentos aos sinais de dislexia, esses
sinais podem ser detectados quando criança. Pais e professores devem ficar atentos
quando esgotam-se todos os subsídios de aprendizagem, a criança mesmo que
estimulada de várias formas apresenta déficit do conteúdo, isso inicia-se com mais
freqüência nos primeiros anos escolares, no período da alfabetização, tendendo a se
acentuar no decorrer dos anos.
É fundamental que o processo de alfabetização ocorra dentro dos padrões
normais, em que a criança esteja preparada psicologicamente e tenha idade suficiente
por volta dos seis anos de idade.
Uma das características mais comuns é as trocas de letras, as crianças tendem a
confundi-las com grande freqüência, mas não podemos classificar como indicativo
totalmente confiável, pois muitas crianças tendem a confundi-las principalmente na
iniciação da alfabetização.

4.1 Sinais na primeira infância
Estudos realizados no Brasil e também no exterior, constataram alguns possíveis
sinais de dislexia na infância:
1. Atraso no desenvolvimento motor (engatinhar, sentar e andar);
2. Atraso ou deficiência na aquisição da fala;
3. Dificuldade para entender o que está ouvindo;
4. Distúrbio do sono;
5. Enurese noturna;
6. Suscetibilidade às alergias e as infecções;
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7. Tendência à hiper ou hipo-atividade motora;
8. Chora muito e parece inquieta ou agitada com frequência;
9. Dificuldade para aprender a andar de triciclo;
10. Dificuldades de adaptação nos primeiros anos escolares.
4.2 Sinais a partir da idade da iniciação escolar
A partir dos seis anos de idade, período em que a criança inicia a aprendizagem
formal constata-se vários possíveis sinais de dislexia. A princípio irei elencar apenas
alguns.
1. Lentidão para fazer os deveres;
2. Faz os deveres rápidos, mas com muitos erros;
3. Fluência na leitura inadequada a idade;
4. Inventa acrescenta ou omite palavras ao ler ou ao escrever;
5. A letra pode ser mal grafada e até ilegível (disgrafia);
6. Tem facilidade em exames orais;
7. Desliga-se facilmente “Vive no mundo da lua”;
8. Baixa autoimagem e autoestima;
9. Esquiva-se de ler principalmente em voz alta;
10. É impulsivo e interrompe os demais ao falar;
11. Depende do uso dos dedos para contar;
12. Confundi direito-esquerda, em cima em baixo, frente-atrás;
13. Pode estar sempre brincando, tentando ser aceito nem que seja como palhaço;
14. Dificuldade para andar de bicicleta, para abotoar, amarrar os sapatos;
15. 80% dos disléxicos tem dificuldade em soletração e leitura.
5. O professor e o trabalho com o aluno disléxico

Em primeiro lugar o professor precisa conhecer o que é a dislexia e saber como
trabalhar. É comum o professorado ter um conceito errado em relação ao problema
apresentado pelo aluno, considerando-o desatento, relapso, sem vontade de aprender e
em muitos casos denominado preguiçoso. Sendo assim o aluno se sente incapaz, sem
motivação e apresenta casos de rebeldia e agressividade, chegando a ter depressão
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devido a autoestima baixa agravando ainda mais o caso quando ocorre a repetência e
muitas vezes a evasão escolar.

Não podemos esquecer que esses alunos estão amparados por lei, considerados como NEE (Necessidades Educacionais Especiais). Na lei de Diretrizes e Bases da educação- LDB 7,
diz :
Art. 5º Consideram-se educandos com necessidades educacionais
especiais os que, durante o processo educacional, apresentarem:
I - dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no
processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento
das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos:
a) aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica;
b) aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou
deficiências;
II – dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos
demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos
aplicáveis;
III - altas habilidades/superdotação, grande facilidade de
aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos,
procedimentos e atitudes.
Existem mais algumas outras leis que podemos encontrar no site8 da ABD como:
LDB 9.394/96
Art. 12 - Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu
sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua Proposta Pedagógica.
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento.
Art. 23 - A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais,
ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na
idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização,
sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.
7 Resolução nº2, de 11 de setembro de 2001
8 www.dislexia.org.br
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Art. 24 - V, a) avaliação contínua e cumulativa; prevalência dos aspectos qualitativos
sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período
Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (ECA)
Art. 53, incisos I, II e III
“a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de
sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho,
assegurando-se-lhes:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado pelos seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares
superiores.”
O professor deverá tratar o aluno com naturalidade, usar sempre uma linguagem
clara e objetiva, falar olhando diretamente para ele, trazer o aluno próximo do educador,
verificar discretamente se ele está entendendo a sua exposição para não colocá-lo em
evidencia, observe se ele está fazendo as anotações da lousa antes de apagá-la.
Pais e professores devem trabalhar em conjunto para que o aluno valorize o que
ele mesmo faz, dessa forma aumentará a sua motivação e restaurará a sua autoconfiança.
Não esquecendo que esse aluno será mais lento que os demais e o educador precisa ser
paciente. Em relação as avaliações o disléxico precisa de mais tempo para realizar as
provas, as quais aconselham-se que sejam orais.
Dentro da sala de aula o educador necessita da utilização de estratégias
diferenciadas, como a utilização de recursos estimulantes, para que ele possa ver, sentir,
ouvir e manusear como jogos, cartazes, cd, etc.
6. Considerações finais
Nós educadores temos uma responsabilidade social, cabendo a nós
orientar, direcionar e formar cidadãos capacitados para lidar com as
dificuldades presentes no cotidiano. Não devemos temer o novo, temos que
buscar subsídios dentro do conhecimento científico para encontrar soluções
cabíveis dentro das problemáticas educacionais.
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Temos que juntar teoria e prática , como diz David Rodriguês9 deve-se
proporcionar ao professor um conjunto de experiências que só lhe revelem novas
perspectivas sobre o conhecimento, mas que também impliquem em situações empíricas
que lhe permitam aplicar estes conhecimentos num contexto real.
Vivemos na era da inclusão, segundo Mantoam10 “Inclusão é a nossa
capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e
compartilhar com pessoas diferentes de nós.” Trabalhar com o dislexico é aprender
constantemente , é ver o mundo de forma diferente.
Como diz Carl Rogers11 “Os educadores precisam compreender que ajudar as
pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se
matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha."
Sendo assim percebemos a imensa responsabilidade do educador para com o
educando, ainda mais quando este tem necessidades educacionais especiais.
Referencias Bibliográficas
AJURIAGUERRA J. A dislexia em questão e fracasso na aprendizagem de
linguagem escrita. Porto Alegre. Artes Médicas, 1984.
ALLIENDE, Felipe, CONDEMARIN, Mabel. Leitura: Teoria, avaliação e
desenvolvimento. Tradução de José Claúdio de Almeida Abreu. Porto Alegre, Artes
Médicas.
BOULCH, Jean Le. Educação Psicomotora: A psicocinética na idade escolar.
FURTADO, Valéria Queiroz. Dificuldades na aprendizagem escrita. Editora Vozes,
Rio de Janeiro, 2008.
GARCIA, Jesus N. Manual da dificuldade de aprendizagem: linguagem, Leitura,
Escrita e matemática. Porto Alegre. Artes Médicas, 1998.
MANTOAM, M.T.E. Pensando e fazendo educação de qualidade. São Paulo,
Editora Moderna, 2001.
9 Dr. em Ciências da motricidade humana na área de educação especial e reabilitação (UTL/FMH),
professor da universidade Técnica de Lisboa, coordenador do Fórum de estudos de educação inclusiva.
10 MANTOAM, M.T.R. Pensando e fazendo educação de qualidade, SP: Ed. Moderna, 2001.
11 ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. Martins Fontes- São Paulo/1961.
REVISTA DON DOMÊNICO
Revista Eletrônica de Divulgação Científica da Faculdade Don Domênico - 2ª Edição – Outubro de 2009
ROGERS, Carl. Tornar-se Pessoa. Martins Fontes, SP, 1961.
ROTTA, Newra Tellecha…[et al.] Transtornos da Aprendizagem: Abordagem
Neurobiológica e Multidisciplinar. Artmed,Porto Alegre, 2006
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Ed.Artmed, Porto Alegre1998
ZORZI, Jaime. Guia prático para ajudar crianças com dificuldades de
aprendizagem: Dislexia e outros distúrbios. Editora Melo. São Paulo, 2008

janeiro 04, 2011

Aspectos Neurobiológicos e Funcionais da Dislexia






Assunto: Artigo: Aspectos Neurobiológicos e Funcionais da Dislexia 
De: "cecilia@cgceducacao.com.br" 
Data: Qui, Agosto 26, 2010 3:57 pm 
Para: José Francisco Vasconcelos 

Asectos Neurobiológicos e Funcionais da Dislexia 

Pensando em alguns colegas, profissionais de saúde, que proclamam a não existência da dislexia, encontrei uma frase, atribuída a Albert Einstein, o mais famoso disléxico de toda a história, que diz o seguinte: VOCÊ NÃO PODE PROVAR UMA DEFINIÇÃO. O QUE VOCÊ PODE FAZER É MOSTRAR QUE ELA FAZ SENTIDO. 

Dispus-me, então, a pesquisar trabalhos científicos, antigos e atuais, que relatam diferenças neurobiológicas e funcionais relacionadas à dislexia e passo a descrever os achados, citando seus autores na intenção de deixar o assunto um pouco mais explícito. 

Para iniciar buscamos Markan, Saviour e Ramachandra que relatam estar a dislexia relacionada a alterações encontradas nos cromossomos 1, 2, 3, 6, 7, 17 e 18. Alterações estas ocorridas após mutações. Estas mutações poderiam explicar a hereditariedade do distúrbio. Portanto, a dislexia está associada a mecanismos que dependem de vários genes e dependem ainda da complexa interação desses genes com o meio ambiente para a expressão de seus efeitos. 

Foram encontrados, em estudos post mortem com disléxicos, neurônios do tecido cerebral do tálamo 20% menores quando comparados com indivíduos sem dificuldades relacionadas à leitura e escrita. Galaburda, pesquisador e estudioso deste assunto, atribui como conseqüência a estas alterações no tamanho do tecido, uma lentificação no processamento de informações tanto do sistema visual quanto do auditivo. 

Além desta diferença, foram encontradas ainda, segundo Stein, ectopias em cérebros de disléxicos, ou seja, células que durante o desenvolvimento pré-natal ficaram deslocadas de sua posição final esperada. Estas ectopias foram localizadas nas regiões do lobo temporal e frontal do hemisfério esquerdo, áreas consideradas essenciais para a linguagem. 

As alterações relatadas por Stein como ectopias, microgírias e displasias ocasionariam maturação cortical anômala o que explicaria algumas dificuldades dos disléxicos como disfunções relacionadas ao planejamento e à memória auditiva.

É também relatado por Saviour e Ramachandra pobre domínio tátil, assim como os problemas relacionados ao processamento visual e auditivo, corroborando com os achados de Galaburda. 

Além disto, entre indivíduos sem dificuldade de aprendizagem é observada a assimetria entre os hemisférios cerebrais, já entre disléxicos vários estudos apontam para a simetria hemisférica. 

Ao nascermos temos ambos os hemisférios cerebrais (direito e esquerdo) do mesmo tamanho; com o desenvolvimento e a aprendizagem da fala e da linguagem em geral é esperado que o hemisfério esquerdo tenha um ganho em termos de tamanho em relação ao hemisfério direito. Isto não é observado entre disléxicos, onde se observa um desenvolvimento simétrico entre os dois hemisférios, levando a prejuízo na área de linguagem (basicamente processada pelo hemisfério esquerdo) com privilégio para outras habilidades consideradas de responsabilidade do hemisfério direito como visão espacial, imaginação, habilidades musicais e artísticas de modo geral, etc. 

Bakker e outros autores atribuem estas alterações neuronais à ação do hormônio testosterona. O excesso deste hormônio ou a sensibilidade a ele levariam a alterações durante o desenvolvimento do cérebro e alterações relacionadas ao sistema imunológico. E é notadamente conhecida a existência de quadros alérgicos entre disléxicos. 

Rocha utiliza a questão relacionada à testosterona para explicar a existência predominantemente de dislexia entre os meninos, três para cada menina. Corroborando com esta afirmativa existem ainda pesquisas que relatam diferenças no processamento da linguagem entre meninos e meninas. 

Não podemos nos esquecer ainda das diferenças funcionais observáveis em exames de neuroimagem. Relatos detalhados de Eden e colaboradores informam resultados pobres em tarefas que exijam processamento visual rápido nos disléxicos.Stein descreve ainda convergência, fixação e movimentos sacádicos (que são muito importantes para a leitura) instáveis ou ineficientes entre disléxicos. Para melhor entendermos, convergência é a função ocular que permite o cálculo da distância; movimento sacádico é aquele que realizamos com os olhos para percorrer a linha durante a leitura ou para analisar o ambiente e quando fazemos uma pausa neste movimento chamamos de fixação. 

Facoetti e Turatto estudaram e descreveram dificuldade em suprimir informações distrativas, ou seja, restringir o foco de atenção, entre disléxicos durante o processo de decodificação, levando a ineficiência na leitura.O disléxico apresenta também diferenças na atividade cerebral durante o processo de leitura quando comparado a leitores sem dificuldade. O disléxico tende a apresentar maior ativação no hemisfério direito ao contrário do leitor eficiente que apresenta maior ativação no hemisfério esquerdo. 

Ramus nos fala ainda das dificuldades dos disléxicos em captar amplitude e freqüência dos sons das letras. O autor cita que disléxicos obtiveram resultados em testes que propunham esta medida, piores até que indivíduos com algum déficit auditivo.Há ainda uma relação entre tempo de resposta mais lento e déficit no sistema visual magnocelular entre disléxicos. Esta relação é descrita por vários pesquisadores, onde modestamente me incluo. (Meu trabalho de dissertação de mestrado versava sobre este assunto). 

Diante de tantas evidências observadas em experimentos científicos sérios e podendo presenciar dificuldades na vida acadêmica, social e laboral entendo que não podemos negar ou ignorar a existência deste distúrbio e sim buscar alternativas que os auxiliem a alcançarem um desempenho melhor. 

O tema do artigo sera debatido no 9o Simpósio Internacional de Dislexia que ocorrerá em São Paulo entre os dias 21 e 23 de outubro. Mais informações no site www.dislexia.org.br 

· Maria Inez Ocanã De Luca é psicóloga; Mestre em Psicologia da Saúde e membro do CAE e CTAS - ABD (Centro de Avaliação de Triagem de Atendimento Social da Associação Brasileira de Dislexia) 

Cecília Galvão 
(+ 11 3722.1164/ 3722.3624/7654.2027 

julho 13, 2010

DISLEXIA E AS HABILIDADES BÁSICAS.



Nem todos os disléxicos desenvolvem os mesmos dons, mas eles certamente possuem algumas funções mentais em comum.


  
Seguem as habilidades básicas de que todos os disléxicos compartilham:

 
  • São capazes de utilizar seu dom mental para alterar ou criar percepções (a habilidade primária).
  • São altamente conscientes do meio ambiente.
  • São mais curiosos que a média.
  • Pensam principalmente em imagens em vez de palavras.
  • São intuitivos e capazes de muitos insights.
  • Pensam e percebem de forma multidimensional (utilizando todos os sentidos).
  • Podem vivenciar o pensamento como realidade.
  • São capazes de criar imagens muito vívidas.

 Algumas das características mais comuns, segundo Fernanda Maria (2007):

 - A criança é inteligente e criativa – mas tem dificuldades em leitura, escrita e soletração.

- Costuma ser rotulado de imaturo ou preguiçoso.

- Obtém bons resultados em provas orais, mas não em avaliações escritas.

- Tem baixa auto-estima e se sente incapaz.

- Tem habilidade em áreas como arte, música, teatro e esporte.

- Parece estar sempre sonhando acordado.

- É desatento ou hiperativo.

- Aprende mais facilmente fazendo experimentos, observações e usando recursos visuais.

Visão, leitura e soletração:

- Reclama de enjôos, dores de cabeça ou estômago quando lê.

- Faz confusões com as letras, números, palavras, seqüências e explicações verbais.

- Quando lê ou escreve comete erros de repetição, adição ou substituição.

- Diz que vê ou sente um movimento inexistente quando lê, escreve ou faz cópia.

- Parece ter dificuldades de visão, mas exames de vista não mostram o problema.

- Lê repetidas vezes sem entender o texto.

- Sua ortografia é inconstante.

Audição e linguagem:

- É facilmente distraído por sons.

- Tem dificuldades em colocar os pensamentos em palavras. Às vezes pronuncia de forma errada palavras longas.

Escrita e habilidades motoras:

- Dificuldades com cópia e escrita. Sua letra muitas vezes é ilegível.

- Pode ser ambidestro. Com freqüência confunde direita e esquerda ou acima e abaixo.

Matemática e gerenciamento do tempo:

- Tem problemas para dizer a hora, controlar seus horários e ser pontual.

- Depende dos dedos ou outros objetos para contar. Muitas vezes sabe a resposta, mas não consegue demonstrá-la no papel.

- Faz exercícios de aritmética, mas considera difícil problemas, com enunciados.

- Tem dificuldade em lidar com dinheiro.

Memória e cognição:

- Excelente memória a longo prazo para experiências, lugares e rostos. No entanto têm memória ruim para seqüências e informações que não vivenciou.


Por outro lado, alguns disléxicos apresentam o lado artístico bastante aguçado e outros com o pensamento científico muito desenvolvido. Como exemplo disso, há uma enorme lista de personagens geniais apresentados como disléxicos, tais como: Da Vinci, Michelangelo, Van Gogh, Pablo Picasso e atores célebres, como Whoopi Goldberg, Robin Williams e Tom Cruise que, assumindo ter dislexia, utiliza um recurso para memorizar as falas. Que é de ler o texto, gravar a própria fala e depois decorar auditivamente.


A dislexia pode e deve ser tratada para que não haja maiores conseqüências. Já que o disléxico pode apresentar grande timidez, podendo até desenvolver quadro depressivo. O tratamento é com base na estimulação do cérebro para que entenda as letras de forma correta, na qual os fonoaudiólogos estimulam a leitura através de jogos com letras e sílabas. O diagnostico precoce geralmente é realizado através de uma equipe multidisciplinar (psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo, etc.), que é de grande importância para que a criança tenha uma melhora no seu aprendizado, não sofra problemas como baixa auto-estima e socialização, podendo assim ter uma vida mais normal possível.





junho 24, 2010

DISLEXIA - UM ESTRANHO NO OUTRO LADO DO PAPEL .

REFERÊNCIA: VOLPI, SANDRA MARA. Dislexia - Um estranho no outro lado do papel. Curitiba: Centro Reichiano, 2003. Disponível em: http://www.centroreichiano.com.br/





Quiçá em outro tempo, a criança incapaz para a leitura suportasse ver-se colocada no pelotão dos incompetentes e coroada com orelhas de burro; mas designarem-na, de golpe e pancada, com uma palavra apenas pronunciável ao disléxico médio, e apontarem-na com o dedo como vítima de um defeito constitucional insuperável, é suficiente para lançar o mais resoluto aprendiz de leitor a uma total inibição. Como evitar então sentir-se parte de uma categoria reservada a indesejáveis, aos que somente falta pôr muletas para que tentem chegar a uma penosa leitura, e a isto dêem o nome de vida? (TOMATIS, 1979, p. 34).
Quando se fala em dislexia, ainda é muito comum que as pessoas reajam de imediato, dizendo:
 “O que é isso? Já ouvi falar, mas não sei o que significa...” Tais comentários partem inúmeras vezes, também, de profissionais ligados diretamente à área da psicologia, da medicina, da educação, e não somente de pessoas que poderiam meramente estar “mal informadas”. Na realidade, a desinformação a respeito da dislexia ainda é comum. Talvez comum demais... Eu mesma não me lembro de ter ouvido sequer uma vez alguém falando em dislexia durante a minha graduação como psicóloga. Hoje penso que “das duas, uma”: ou eu não prestei a devida atenção às aulas ou ninguém tocou no assunto mesmo. Talvez não importe saber, porque o que ficou para trás, ficou.
Talvez o que realmente importe, hoje, seja buscar a mudança de toda uma cultura, que não se restringe apenas à área da saúde e da educação, mas a toda a sociedade, que, muitas vezes sem querer, ainda vem negligenciando uma questão tão importante quanto a compreensão da dislexia. Fiquei muito surpresa, dia desses, ao ver que num programa bastante popular, da maior rede de TV brasileira, um dos assuntos em pauta foi a dislexia, com direito à apresentação de entrevistas gravadas e ao vivo com vários disléxicos e suas famílias e à presença do presidente da Associação Brasileira de Dislexia – ABD. Emocionou-me ver e ouvir o depoimento de um garoto de dez, doze anos, dizendo que poderia não ser tão bom nesse “negócio” de ler e escrever, mas que no campo das idéias, ele tinha muitas... soou-me quase como um apelo por compreensão. Voltei no tempo, para quando eu mesma não sabia o que era dislexia e estava em meio à aventura de realizar a minha primeira avaliação psicopedagógica.
Tive o privilégio de, nessa época, ser orientada pela psicóloga e psicopedagoga Úrsula Simons, que me ajudou a compreender a pessoa que eu tinha na minha frente, e a não me deter numa síndrome, num obstáculo, numa dificuldade. Essa viagem no tempo motivou-me a escrever novamente sobre a dislexia, que se tornou para mim objeto de estudos durante anos após esse primeiro encontro. Realmente não é fácil definir a dislexia. Uma vez que toda a nossa aprendizagem escolar está baseada na leitura e na escrita, em geral, as conceituações de dislexia recaem sobre termos excludentes, ou seja, é mais fácil definir a dislexia pelo radical “dys”: pela dificuldade que os disléxicos apresentam em ler e em compreender a leitura.
O termo provém do grego, sendo que dys significa “dificuldade” e lexis, leitura. Ainda fico desconfortável com o fato da conceituação da dislexia passar muito mais pelo campo do que ela não é, do que pelo que ela realmente é. Já fiquei muito mais desconfortável com isso no passado e hoje procuro entender que essa postura tem haver


com a nossa dificuldade em compreender tudo que foge à norma, ao padrão, ao que nossos olhos estão acostumados a ver. E sei que isso não se relaciona, de forma alguma, com exclusividade à dislexia. Faz parte da couraça do “Zé Ninguém”, de quem Reich nos falou, tentar escapar de tudo que não compreende, pois assim evita deparar-se com suas próprias limitações. A verdade é que a dislexia tem sido estudada desde o século retrasado, uma vez que se tornou impossível negligenciá-la em meio ao crescimento da escolarização, decorrente da necessidade de se preparar indivíduos para o trabalho industrial. Mas isso na Europa, nos Estados Unidos, onde a dislexia se destacou como um “mal marginal”. Sua marginalidade consistia no fato de que os disléxicos concentravam-se na intersecção de duas classes: a dos estudantes ditos “normais” e a dos portadores de alguma espécie de deficiência.

Nesta posição, os disléxicos ou bem permaneciam sentados nos bancos escolares, geralmente sem compreender o que acontecia consigo mesmos, e muitas vezes taxados por colegas, professores e familiares como preguiçosos, indolentes, etc., ou simplesmente acabavam por desistir da escolarização, considerando-a impossível, dada a sua dificuldade. E, saindo da escola, tornavam-se um problema social, para o qual os governantes não poderiam fechar os olhos, bem como toda a sociedade. Para nós, brasileiros, essa cena não parece distante. Ainda que nosso problema não esteja unicamente focado na dislexia, nossa realidade é a da marginalização dos excluídos da escola. Entra governo, sai governo e a educação continua sendo problema. Mas esta é uma outra questão, que renderia um novo artigo.

No Brasil, por muitos anos, a dislexia permaneceu, por assim dizer, diluída em meio a outros problemas como a desnutrição, a evasão escolar causada pela necessidade do trabalho infantil, o despreparo dos professores, entre vários outros. Nem dentro nem fora da escola, durante anos, a dislexia destacou-se como dificuldade de aprendizagem (vale dizer, pelo meio de aprendizagem ao qual estamos acostumados, que é a leitura). E por que ela tem surgido ultimamente? Voltaremos a essa questão mais adiante.
 Compreender o que significa “dislexia” é de fundamental importância, tanto para quem vive a dislexia, quanto para quem se propõe a buscar prevenção, solução ou adaptação para ela, e também para a população, de um modo geral. Concordando com Rita Rudel (1988: 39), pode-se seguramente dizer que
...“a dislexia continua a estar mal definida na mente do público em geral, e inclusive na dos médicos.” Isso há mais de dez anos... Infelizmente, o mesmo se aplica aos dias de hoje. Falemos então um pouco mais sobre como a dislexia tem sido vista e definida ao longo dos anos. L. Eisenberg, citado por MacDonald Critchley, define a dislexia como: “... uma situação na qual a criança é incapaz de aprender a ler com uma facilidade adequada, apesar de possuir uma inteligência normal, sentidos intactos, instrução adequada e motivação normal.” (EISENBERG, s.d. apud CRITCHLEY, 1966, p. 12) Critchley (1966, p. 22) postula ainda, a respeito da dislexia:
 Dentro da heterogênea comunidade de leitores lentos (leitores atrasados) existe uma síndrome específica na qual apresenta-se uma dificuldade particular na aprendizagem do significado convencional dos símbolos verbais e na associação do som com o símbolo. Esses casos caracterizam-se, tem-se dito, por sua gravidade e sua exclusividade (pureza). São “graves” dado que a dificuldade transcende o mais comum atraso na leitura e o prognóstico é mais sério a menos que se adotem medidas especiais na terapêutica educacional. São “exclusivos” (puros) enquanto as vítimas estão livres de defeitos mentais, sérios traços neuróticos primários e déficits neurológicos em geral. Esta síndrome de dislexia de evolução é de origem constitucional e não ambiental e freqüentemente, talvez sempre, determinada geneticamente. É improvável que seja produto de uma lesão cerebral, mesmo mínima, produzida no parto. É independente do fator inteligência e em conseqüência pode aparecer em crianças de Q.I. normal, enquanto que se destaca notavelmente no grupo daqueles que estão acima do nível médio. (...) Do mesmo modo podem ou não estar envolvidos outros sistemas de símbolos, como por exemplo, os matemáticos ou as notas musicais. A síndrome produz-se mais freqüentemente nos meninos. A dificuldade na aprendizagem da leitura não se deve a anomalias visuais periféricas, mas representam um defeito de nível mais alto — em outras palavras —, uma assimbolia. Robert Valett (1992, p. 5) amplia o conceito para além das fronteiras da leitura, citando a definição de dislexia como “... uma síndrome complexa de deficiências neuropsicológicas associadas que pode compreender perturbações na orientação, no tempo, na linguagem escrita, na soletração, na memória, na percepção auditiva e visual, e em atitudes sensoriais.” Para Drake Duane (1988, p. 24) ... a dislexia de desenvolvimento relaciona-se com a redução desigual, constitucional e às vezes familiar, na proporção e qualidade da aquisição e uso da destreza na linguagem escrita. Este transtorno pode acompanhar-se de um mal funcionamento, anterior ou coexistente, da linguagem oral. Podem apresentar-se também, ainda que às vezes não existam, outros problemas de manipulação simbólica, juntamente com o desenvolvimento desordenado dos conceitos de tempo e espaço. Até aqui, os conceitos apresentados relacionam-se à idéia de deficiência, de habilidade não alcançada. Portanto, pode-se dizer, através de tais conceitos que a dislexia não é ler com fluidez, não é ter compreensão do que se lê, não é aprender a manipular adequadamente símbolos, não é desenvolver uma noção coerente de tempo e espaço. Mas será que há outras formas de se definir a dislexia? Para Alfred Tomatis (1979, p. 19), a definição de dislexia é simplesmente “...aprendizagem laboriosa da leitura”. Ron Davis (1997) postula que “... a dislexia não é o resultado de danos cerebrais ou nervosos. Nem é causada por uma malformação do cérebro, do ouvido interno ou dos globos oculares. É o produto de um modo especial de pensamento e uma reação natural à confusão. Antes da invenção do idioma escrito, não existia nenhuma dislexia. As pessoas com o dom da dislexia provavelmente eram os guardiães da história oral, por sua excelente habilidade para memorizar e transmitir a palavra falada. É próprio dos disléxicos perceberem mais e formularem conceitos mentais mais rápido que outras pessoas. Superam nas artes, na arquitetura, na engenharia, na estratégia e na invenção. Podem perceber imaginação como realidade. Esta forma de pensamento intuitivo é o fundamento de sua genialidade. É um modo não-verbal de pensamento, que pode causar dificuldade na aprendizagem do idioma escrito.” Completamente diferente de outras definições, esta, cujo autor é, ele próprio, disléxico, dá uma visão das características da dislexia que a torna uma classe especial e, na visão de Davis, um “dom”.
E, agora, retomemos a questão: por que o interesse pela dislexia parece estar se tornando mais evidente nos últimos tempos? Arrisco algumas hipóteses: o ensino particular tem exigido cada vez mais de seus alunos, uma vez que se tornou comum a competição entre colégios para ver quem aprova mais no vestibular. E disléxicos, muitas vezes, são atropelados por essa “máquina” de fazer universitários (o que não significa fazer graduados nem bons profissionais, diga-se de passagem. Mas essa também é outra questão, para outro artigo...). Assim, ou se dá um “jeito” qualquer na dislexia, ou se a exclui, porque alunos assim não engordam as porcentagens de aprovados no vestibular. Com isso, os profissionais diretamente ligados a esses alunos – professores, pedagogos, psicólogos, psicopedagogos – começaram a estudar mais e a falar mais sobre a dislexia. Uma outra

hipótese é caractereológica. Dia a dia tornam-se mais comuns os comprometimentos precoces por que pode passar um ser humano, ou seja, na visão reichiana, cada vez mais estamos ficando “enroscados” na fase ocular, na fase do contato. E leitura e escrita tem tudo a ver com contato, com comunicação, assim como a compreensão do que se lê relaciona-se à capacidade que se desenvolve na primeira infância de compreender as mensagens maternas. Segundo Navarro (1995), o funcionamento do ser humano deve ser compreendido a partir da distinção entre a vida embrionária, a vida fetal, a vida neo-natal e a vida pós-natal. Em cada uma delas, o ser humano está exposto ao estresse, que poderá, em menor ou maior escala, atingir o funcionamento do indivíduo como um todo. Isto se dá por uma questão energética, tal qual defendida por Reich. No período embrionário e fetal, há dois tipos de energia: a energia autógena, que é concernente ao zigoto, ao óvulo fecundado; e a energia trofoumbilical, que é transmitida de mãe para filho através do cordão umbilical. O nível de energia investido pela mãe à própria situação da gestação, seja através dos cuidados que dispensa à sua saúde e à saúde de seu bebê, seja pela aceitação da gravidez, seja através das condições de vivência da mesma são fundamentais para o desenvolvimento do novo ser. Navarro (1995, p. 26) diz: As situações de estresse na vida embrionária atingem os genes. Na vida fetal, por mediação da mãe, elas atingem principalmente a pele, o aparelho auditivo e o circulatório. O feto pode ter uma simpaticotonia induzida pela mãe. O próprio recém-nascido está sempre exposto a situações de estresse que atingem os cinco sentidos: tato, audição, visão, olfato e paladar. Ouvido e olhos, órgãos freqüentemente associados à questão da dislexia, pertencem, na visão da psicologia corporal, ao primeiro segmento de couraça, chamado ocular. Nele localizam-se quatro, dos cinco sentidos: visão, audição, olfato e tato. Isto se deve ao fato de que, anatomicamente, aí estão localizados os olhos, os ouvidos, o nariz e a pele como um todo. Deve-se lembrar que estes são órgãos responsáveis eminentemente pelo contato. Através do contato, indivíduo e mundo externo comunicam-se, desenvolve-se uma linguagem, da qual a leitura é mais uma representante. Para Navarro, “...o primeiro nível tem, precisamente, no nascimento, a função de tomar contato com o mundo exterior graças aos telerreceptores dos olhos, ouvidos e nariz.” Pode-se então supor que a dislexia nasce na vida fetal e é mantida, na vida neo e pós- natal, por um bloqueio ocular. Este bloqueio, segundo Navarro (1995: 33) “...é a reação do recém-nascido contra a atmosfera de rejeição e destrutividade que se encontra no útero ou após nascer.” Gera, entre vários sintomas físicos, como a cefaléia, a epilepsia, as doenças da visão, etc, a confusão de idéias e pensamentos e a dificuldade no contato, devido à limitação da percepção e da sensorialidade, desintegradas por uma questão energética. Poderíamos considerar toda a gama de dificuldades de comunicação que algumas vezes ocorre entre a mãe e o seu bebê, desde o útero, como um possível componente da dislexia.
 Muitas vezes, pesquisando a história de um disléxico encontramos dados de uma criança que buscava desesperadamente compreender uma figura materna inconstante, desorganizada, que não raro emitia duplas mensagens, deixando a criança confusa e igualmente desorganizada. Não se trata de culpar a figura da mãe pelo resto da vida, mas sim, de compreender que tipo de imagem materna a criança compôs em seu inconsciente a partir das primeiras relações vinculares. Há ainda outras questões que parecem ser um elo de ligação entre a dislexia e o corpo, como a motricidade, especialmente a orientação espacial, muitas vezes comprometida no disléxico, a imagem do corpo e a dominância lateral. Sobre esse último aspecto, diz Tomatis (1979, p. 89): “Converter-se em destro é adaptar-se a algo existente. É tomar o hábito de homem, com todas as dificuldades que isto comporta. Opor-se a isso é ser canhoto. Não conseguí-lo, como ocorre ao disfuncional profundo, é ser disléxico.”

Uma abordagem corporal da dislexia parece possível, mas de nada adiantaria se também essa buscasse apontar (e não fazer nada além disso) para as faltas que ocorreram na vida emocional do disléxico. Apenas detectar o que falta à aprendizagem de um disléxico ou buscar uma etiologia que detecta sempre um culpado em sua história apenas contribui para que ele, quando “diagnosticado”, passe a ver a si próprio como pertencente a uma classe de “inaptos”, especificamente com relação à leitura e sua compreensão, moldando-se à noção de que é portador de uma “doença”, que, infelizmente, não tem “cura”. Raras são as definições que seguem pelo caminho de ressaltar quem é o disléxico e quais as suas habilidades.
Também raras são as soluções educacionais ou terapêuticas que apontem caminhos para o disléxico “sobreviver na selva” dos símbolos grafados no papel, ao invés de tentar adaptá-lo, a qualquer custo, à escolarização formal. É muito mais comum buscarmos seus pontos cegos (aliás, a dislexia, antes de assim ser denominada, foi chamada de cegueira verbal) e entendê-la em sua dissonância com o que é considerado normal. Talvez seja utópico querer que a visão sobre a dislexia mude. Talvez seja utópico achar que o nosso meio de aprender os conteúdos escolares – através da leitura –, bem como a forma de expressar nossos conhecimentos – através da escrita – possam ser revistos, dando lugar a outras formas de apreensão da realidade.

Mas, dentro de nossas limitações, talvez possamos ampliar nossos conhecimentos a respeito da dislexia, de modo a encontrar caminhos mais apropriados a serem seguidos, caminhos que não excluam o disléxico da classe de leitores normais e tomem essa característica como sua própria definição, mas que também criem uma perspectiva de compreensão de um tipo de funcionamento especial para a sociedade e para o próprio disléxico. REFERÊNCIAS CRITCHLEY, M. Dislexia de Evolución. Buenos Aires: Editorial Salerno, 1966. JADOULLE, A. Aprendizaje de la lectura y dislexia. Buenos Aires: Kapelusz, 1988. NAVARRO, F. A Somatopsicodinâmica. São Paulo: Summus, 1995. TOMATIS, A. Educación y Dislexia. Madri: Ciencias de la Educación Preescolar y Especial, 1979. VALETT, R. Dislexia. Barcelona: Ediciones CEAC. Disponível em: http://www.dyslexia.com, 1992. Acesso: 20/01/2002.

Então, como diagnosticar a dislexia?

Diagnóstico

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

PORQUÊ.... SOMOS DIS !??

COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...

PORQUÊ, SOMOS DIS !!!

Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.

como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.

Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!

Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.

Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.