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Dislexia tem tratamento também para os adultos
Data de Publicação: 12 de novembro de 2007
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MÁRCIO PINHO
Nunca é tarde para aprender.
Essa frase resume a idéia de especialistas de que jovens e adultos com dislexia, que não detectaram ou não trataram esse distúrbio de aprendizagem ainda nos primeiros anos de escola, podem buscar tratamento em qualquer momento da vida e minimizar as dificuldades com a leitura, a escrita ou a fala.
Isso significa que quem achou durante anos que a escola era muito difícil ou que não tinha vocação para estudar ainda tem chance de aprimorar suas habilidades. Muitos estão buscando tratamentos para resolver dificuldades no trabalho ou para voltar à sala de aula.
A possibilidade de melhora começa pelo fato de a dislexia não ser uma doença, mas um transtorno de aprendizagem. O disléxico utiliza cerca de quatro vezes mais áreas do cérebro em atividades como a leitura. Por isso, as informações às vezes se ‘embaralham’ e ele cansa mais rápido. Não se trata de um problema de inteligência.
Segundo Birgit Mobus, fonoaudióloga e psicopedagoga da Escola Suíço-Brasileira, o tratamento nos adultos é muito parecido ao aplicado em crianças e inclui exercícios como a identificação de sons e sílabas, jogos, rimas, leituras etc.
Ela diz que o tratamento em crianças é muito indicado “para evitar que fiquem com baixa auto-estima e desistam dos estudos”. Nessa fase, o cérebro facilita o aprendizado porque cria conexões mais facilmente.
Contudo, ela diz que “os resultados também são bons após a infância, mas com recursos diferentes. O cérebro desenvolve áreas de compensação.”
Um estudo feito recentemente pela Universidade de Padova, na Itália, sugere que ‘não há idade’ para recuperar o tempo perdido. Os pesquisadores mostraram que alunos disléxicos de 6ª, 7ª e 8ª séries tiveram a mesma melhora que os de 3ª e 4ª séries, momento em que geralmente é indicado o início do tratamento, após exercícios para a fluência e precisão na leitura oral de textos.
Após frequentarem uma clínica por período de três a quatro meses, os alunos ‘mais velhos’, de um grupo de 55 crianças, tiveram resultados semelhantes aos mais novos na qualidade e na rapidez da leitura.
Muitos pais hoje descobrem que são disléxicos após o problema ser detectado no filho, já que o distúrbio é genético.
Segundo Raquel Caruso, psicopedagoga da clínica Edac, a dislexia pode ser detectada dois anos após o início da alfabetização, geralmente entre a 2ª e a 3ª séries, mas muitos profissionais ainda não estão preparados para identificar o distúrbio.
Ir bem nos vestibular e entrar em uma boa faculdade são objetivos que levam muitos jovens com dislexia a buscar maneiras de melhorar suas habilidades em ler e escrever.
Marcelo Whitaker, 19, está no primeiro ano de direito no Mackenzie, em São Paulo, e lembra que teve seu distúrbio diagnosticado apenas aos 13 anos. “Fiz tratamento no ensino médio. Antes, estudava em São Carlos [interior de SP], e ninguém descobria porque eu ia mal na escola. Era considerado um aluno problema.”
Ele diz que fez exercícios de leitura e memorização e conseguiu melhorar a atenção nas aulas. O ponto alto de sua melhora foi fazer o vestibular sem ter que aproveitar as vantagens oferecidas a disléxicos em muitos exames.
Segundo Maria Inês de Luca, da Associação Brasileira de Dislexia, os alunos geralmente têm mais tempo de prova e contam com a ajuda para ler textos ou fazer redações.
Superado esse desafio, hoje ele tem outro: memorizar leis e incisos nos livros de direito. A hora do vestibular é um momento de esforço para jovens disléxicos.
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