QUAL O MÉTODO DE ALFABETIZAÇÃO UTILIZADO NO BRASÍL?? 
10/07/2003 - Andréa Antunes
Professor de Neuropsicologia da Universidade de São Paulo (USP), Fernando César Capovilla.
Especialista em distúrbios da comunicação e da linguagem.
Folha Dirigida — Como o sr. avalia nossos alfabetizadores?
Fernando César Capovilla — São pessoas dedicadas e que querem fazer um bom trabalho. No entanto, são impedidas de fazê-lo porque os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) do Ministério da Educação (MEC) estão completamente errados. Quando comparamos os PCN’s brasileiros com os britânicos, finlandeses, franceses ou americanos notamos uma disparidade extraordinária. Eles dizem para não fazer o que o Brasil faz. Existem dois métodos para alfabetização: o ideovisual e o fônico. O mundo inteiro, que usa a escrita alfabética, usa o método fônico porque uma revisão da literatura, de 115 mil estudos científicos publicados, provou que o método fônico é superior ao ideovisual, que continua sendo usado no Brasil e no México.
Folha Dirigida — O que é exatamente o método ideovi
sual? E o fônico? Qual a diferença entre eles?
Capovilla — No ideovisual o professor dá o texto para o aluno. O MEC recomenda, por meio dos seus PCN’s, que se dê o texto à criança (um texto, como eles dizem, complexo, rico), e afirma ainda que não há necessidade de ensinar a criança a converter letras em sons e sons em letras. Diz também que o professor deve aceitar tudo o que a criança escreve como uma produção legítima. O professor não pode ensinar, corrigir, treinar ou guiar a criança ao longo do processo. O MEC acredita que a criança aprende praticamente sozinha, que basta ter livros no entorno que ela vai aprender a ler e escrever, e isso é falso. O mundo inteiro descobriu, por meio de atividades científicas, que ler e escrever são atividades complexas que requerem um treinamento específico. São necessárias instruções sobre a relação entre as letras e os sons para que a criança possa codificar fonografenicamente (a partir da fala escrever) e decodificar grafonemicamente (a partir da palavra decodificar o texto e produzir fala). O método fônico evoca a fala, a mesma fala com a qual a criança pensa e se comunica. Por isso é um método muito natural.
Folha Dirigida — O Brasil sempre utilizou este método?
Capovilla — Antes a alfabetização era feita pelo método silábico. A partir dos anos 80, com o Construtivismo, foi introduzido o método ideovisual que produziu péssimos efeitos. O Brasil é recordista mundial de incompetência de leitura. O México está em segundo lugar e tanto um quanto outro seguem Emília Ferrero (psicopedagoga argentina), ou seja, o Construtivismo. O mundo inteiro deixou isso como sendo um mito, como sendo pernicioso para a criança. Pelos resultados se conhece o método. Quais são os resultados do método ideovisual empregado no Brasil? Incompetência. Por isso somos recordistas mundiais em incompetência.
Aqui está um artigo interessante que eu achei em Psicologia - RedePsi: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=87
abril 30, 2008
Alfabetização no Brasil - Uma metodologia ultrapassada - Fernando C. Capovilla
abril 29, 2008
PARA PENSAR...

“...precisamos de alunos ativos, que aprendam a descobrir por si mesmos, em parte através de sua própria atividade espontânea,em parte através do material que organizamos para eles... Jean Piaget”
LEIS ESPECÍFICAS DE INCLUSÃO ESCOLAR PARA OS DISLEXICOS.

leis específicas de inclusão escolar para os disléxicos, capacitação dos professores e mudanças na aplicação de provas para concursos públicos. Programa Estadual para Identificação e Tratamento da Dislexia na Rede Oficial de Educação.
Lei n.º 12.524, de 2 de Janeiro de 2007.Legislação de apoio para atendimento ao disléxico
LDB 9.394/96 Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (ECA)
Deliberação CEE nº 11/96 Indicação CEE nº 5/98, de 15/4/98
Parecer CEE nº 451/98 - 30/7/98 Parecer CNE/CEB nº 17/2001
Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001
LEGISLAÇÃO DE APOIO PARA ATENDIMENTO AO DISLÉXICO.

LEGISLAÇÃO DE APOIO PARA ATENDIMENTO AO DISLÉXICO
(LDB 9.394/96)Art. 12 - Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua Proposta Pedagógica
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento
Art. 23 - A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.
Art. 24, V, a) avaliação contínua e cumulativa; prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período
Lei 8.069, de 13 de julho de 1990 (ECA)artigo 53, incisos I, II e III
“a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – direito de ser respeitado pelos seus educadores; III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores”
Deliberação CEE 11/96, artigo 1º:“o resultado final da avaliação feita pela Escola, de acordo com seu regimento, deve refletir o desempenho global do aluno durante o período letivo, no conjunto dos componentes curriculares cursados, com preponderância dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados obtidos durante o período letivo sobre os da prova final, caso esta seja exigida, considerando as características individuais do aluno e indicando sua possibilidade de prosseguimento nos estudos”
Indicação CEE nº 5/98, de 15/4/98, D.O.E. em 23/9/98“(...)educação escolar consiste na formação integral e funcional dos educandos, ou seja, na aquisição de capacidades de todo tipo: cognitivas, motoras, afetivas, de autonomia, de equilíbrio pessoal, de inter-relação pessoal e de inserção social.
"(...)os conteúdos escolares não podem se limitar aos conceitos e sim devem incluir procedimentos, habilidades, estratégias, valores, normas e atitudes. E tudo deve ser assimilado de tal maneira que possa ser utilizado para resolver problemas nos vários contextos.
(...)os alunos não aprendem da mesma maneira e nem no mesmo ritmo. O que eles podem aprender em uma determinada fase depende de seu nível de amadurecimento, de seus conhecimentos anteriores, de seu tipo de inteligência, mais verbal, mais lógica ou mais espacial. No cotidiano da sala de aula, convivem pelo menos três tipos de alunos que têm “aproveitamento insuficiente”: os imaturos, que precisam de mais tempo para aprender; os que têm dificuldade específica em uma área do conhecimento; e os que, por razões diversas, não se aplicam, não estudam, embora tenham condições.
(...)recuperar significa voltar, tentar de novo, adquirir o que perdeu, e não pode ser entendido como um processo unilateral. Se o aluno não aprendeu, o ensino não produziu seus efeitos, não havendo aqui qualquer utilidade em atribuir-se culpa ou responsabilidade a uma das partes envolvidas. Para recobrar algo perdido, é preciso sair à sua procura e o quanto antes melhor: inventar estratégias de busca, refletir sobre as causas, sobre o momento ou circunstâncias em que se deu a perda, pedir ajuda, usar uma lanterna para iluminar melhor. Se a busca se restringir a dar voltas no mesmo lugar, provavelmente não será bem sucedida.
(...) O compromisso da Escola não é somente com o ensino, mas principalmente com a aprendizagem. O trabalho só termina quando todos os recursos forem usados para que todos os alunos aprendam. A recuperação deve ser entendida como uma das partes de todo o processo ensino-aprendizagem de uma escola que respeite a diversidade de características e de necessidades de todos os alunos.
(...) Dentro de um projeto pedagógico consistente, a recuperação deve ser organizada para atender aos problemas específicos de aprendizagem que alguns alunos apresentam, e isso não ocorre em igual quantidade em todas as matérias nem em épocas pré-determinadas no ano letivo. A recuperação da aprendizagem precisa: - ser imediata, assim que for constatada a perda, e contínua; ser dirigida às dificuldades específicas do aluno; abranger não só os conceitos, mas também as habilidades, procedimentos e atitudes.
(...) A recuperação paralela deve ser preferencialmente feita pelo próprio professor que viveu com o aluno aquele momento único de construção do conhecimento. Se bem planejada e baseada no conhecimento da dificuldade do aluno, é um recurso útil.”
A legislação sobre avaliação/verificação

Parecer CEE 451/98 - 30/7/98, D.O.E. de 01/08/98, páginas 18 e 19, seção I) "a expressão '...rendimento escolar...' , que se encontra no inciso V do artigo 24 da Lei 9.394/96, se refere exclusivamente a aprendizagem cognitiva? Resposta: Não. A legislação sobre avaliação/verificação do rendimento escolar, sobretudo o referido artigo, não restringe a expressão "rendimento escolar" exclusivamente à aprendizagem cognitiva.
A lei 9.394/96, ao tratar da educação básica, situou-a no quadro de abertura que permitiu, aos que dela fossem cuidar, em seus diferentes níveis e modalidades, a pensasse como um todo e a explicitasse, nos limites do seu texto, em sua proposta pedagógica e em seu regimento. Na elaboração dessa proposta e desse regimento, consubstanciado certamente numa visão de homem, de sociedade e, por conseqüência, numa concepção de educação e de avaliação, cuidados especiais deverão ser tomados para que estejam contidos, nesses instrumentos, procedimentos referentes ao processo ensino-aprendizagem, e em particular ao de verificação do rendimento escolar.
O legislador deixou sob a responsabilidade da escola e de toda sua equipe a definição do projeto de educação, de metodologia e de avaliação a serem desenvolvidas. Abandonou detalhes para agarrar-se ao amplo, ao abrangente. Aponta, por isso, para uma educação para o progresso, onde estudo e avaliação devem caminhar juntos, esta última como instrumento indispensável para permitir em que medida os objetivos pretendidos foram alcançados. Educação vista como um processo de permanente crescimento do educando, visando seu pleno desenvolvimento, onde conceitos, menções e notas devem ser vistos como mero registros, prontos a serem alterados com a mudança de situação. E, nessa busca do pleno desenvolvimento e do processo do educando, estão presentes outros objetivos que não só os de dimensão cognitiva mas os de natureza sócio-afetiva e psicomotora, que igualmente precisam ser trabalhados e avaliados. O cuidado deve estar é no uso que se pode fazer desta avaliação, não a dissociando da idéia do pleno desenvolvimento do indivíduo."
DIRETRIZES PARA EDUCAÇÃO DOS PORTADORES ESPECIAL

Lei 10.172 de 9 de janeiro de 2001 - Plano Nacional de Educação - Capítulo 8 - Da Educação Especial8.2 - DiretrizesA educação especial se destina a pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem, originadas quer de deficiência física, sensorial, mental ou múltipla, quer de características como de altas habilidades, superdotação ou talentos. (...) A integração dessas pessoas no sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. 208, III), fazendo parte da política governamental há pelo menos uma década. Mas, apesar desse relativamente longo período, tal diretriz ainda não produziu a mudança necessária na realidade escolar, de sorte que todas as crianças, jovens e adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares, sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. Uma política explícita e vigorosa de acesso à educação, de responsabilidade da União, dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios, é uma condição para que às pessoas especiais sejam assegurados seus direitos à educação. Tal política abrange: o âmbito social, do reconhecimento das crianças, jovens e adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados na sociedade o mais plenamente possível; e o âmbito educacional, tanto nos aspectos administrativos (adequação do espaço escolar, de seus equipamentos e materiais pedagógicos), quanto na qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração. Propõe-se uma escola integradora, inclusiva, aberta à diversidade dos alunos, no que a participação da comunidade é fator essencial. Quanto às escolas especiais, a política de inclusão as reorienta para prestarem apoio aos programas de integração. (...)
Requer-se um esforço determinado das autoridades educacionais para valorizar a permanência dos alunos nas classes regulares, eliminando a nociva prática de encaminhamento para classes especiais daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem, problemas de dispersão de atenção ou de disciplina. A esses deve ser dado maior apoio pedagógico nas suas próprias classes, e não separá-los como se precisassem de atendimento especial.
Parecer CNE/CEB nº 17/2001// Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001“O quadro das dificuldades de aprendizagem absorve uma diversidade de necessidades educacionais, destacadamente aquelas associadas a: dificuldades específicas de aprendizagem como a dislexia e disfunções correlatas; problemas de atenção, perceptivos, emocionais, de memória, cognitivos, psicolingüísticos, psicomotores, motores, de comportamento; e ainda há fatores ecológicos e socio-econômicos, como as privações de caráter sociocultural e nutricional.”
abril 28, 2008
Livro: O DOM DA DISLEXIA

Livro: O DOM DA DISLEXIA
O que têm em comum cientistas como Einstein e Darwin; artistas e escritores como Picasso, Leonardo da Vinci e Agatha Christie, um político como Churchill e o general Patton? A essa lista de famosos com um talento especial, porém ainda não reconhecido como tal, podem ser acrescentados John Lennon, Harrison Ford, o jogador de basquete Magic Johnson e empresários como Henry Ford e Ted Turner, o todo-poderoso das comunicações, que criou a primeira rede de TV all news do planeta, a CNN. Além de serem mundialmente famosos, todos são disléxicos. A lista, que inclui vários outros nomes, como o do ator Tom Cruise (que já falou publicamente sobre o problema) está no livro O dom da dislexia – Por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender", de Ronald D. Davis (com a colaboração de Eldon M. Braun), que a Editora Rocco publica sob o selo Pais, Tais & Profissionais.
Ronald Davis, ele próprio um disléxico, relata no prefácio uma marcante experiência de sua vida. Em 1949, aos 7 anos de idade, estava mais uma vez de castigo no canto da sala de aula, com um lenço branco dobrado sobre sua cabeça, seu "rótulo de demérito". Envergonhado, sem coragem de mover-se para ir ao banheiro, acaba molhando as calças. Tenso, apavorado com a possibilidade de ouvir os meninos gritarem "O retardado fez xixi na calça de novo!", ele permaneceu imóvel até que o sinal tocasse e a sala ficasse vazia. Ainda sem coragem de se mover, ele sussurrou uma prece e então o professor que o havia posto lá o obriga a falar em voz alta o que está dizendo. "Eu pedi para Deus não me fazer sentar no canto nunca mais"
Davis só sentiu que havia finalmente deixado o canto e o castigo muitos anos depois, quando milhares de disléxicos como ele já haviam passado pelo Reading Research Council, um dos programas do Ron Davis´s Research Council. "O tom coloquial com que é escrito promove uma leitura que flui rapidamente. Aparentemente simples e fácil, o livro engana. Na verdade, trata-se de um livro denso: traz muita informação e, principalmente, muita inovação", afirma a psicoterapeuta Ana Lima, que assina o prefácio à edição brasileira. Por isso, é indicado não apenas para os professores e outros profissionais que lidam com o assunto, mas também para os pais que buscam mais informação.
A maior parte das pessoas que conhece o termo "dislexia" o associa a um transtorno de aprendizado que impede os portadores de lerem e compreenderem aquilo que estão lendo e também de escrever apropriadamente. Um distúrbio da leitura e da escrita. O autor mostra, em 34 capítulos divididos em quatro grandes blocos — "O que é realmente a dislexia", "O pequeno D.P. – uma teoria de desenvolvimento da dislexia", "O dom" e "Fazendo algo a respeito" — que, para início de conversa, a leitura e a escrita não são as únicas situações em que os sintomas da dislexia aparecem. E, numa visão que representa um giro de 180 graus em relação às abordagens tradicionais, pródigas em diagnósticos e técnicas paliativas, mas carentes de propostas de solução do problema, mostra que o disléxico, com sua extraordinária habilidade de pensar principalmente em imagens, precisa ter esse dom desenvolvido e não controlado ou reprimido com métodos que cerceiam sua incrível criatividade, como faz a educação tradicional do Ocidente.
No glossário ao final do livro, dislexia é definida como "um tipo de desorientação causada por uma habilidade cognitiva natural que pode substituir percepções sensoriais normais por conceituações; dificuldades com leitura, escrita, fala e direção, que se originam de desorientações desencadeadas por confusões com relação aos símbolos. A dislexia se origina de um talento perceptivo"
Davis mostra que problemas na escola com leitura, escrita, ortografia e matemática, ou ainda troca de letras e palavras, ou lentidão na aprendizagem, são apenas um aspecto da dislexia. "Uma vez, quando fui convidado para uma entrevista na televisão, perguntaram-me pelo ‘lado positivo’ da dislexia. Como parte da resposta, relacionei cerca de uma dúzia de disléxicos famosos. A entrevistadora então comentou: ‘Não é surpreendente que todas essas pessoas tenham sido gênios, apesar de serem disléxicos?’ Ela não percebeu o x da questão. A genialidade deles não ocorreu apesar da dislexia mas por causa dela!
O autor lembra que a palavra dislexia foi o primeiro termo usado genericamente para designar vários problemas de aprendizagem, e por isso ele a classifica de "a mãe do todos os transtornos de aprendizagem". Desde o início do século passado, os pesquisadores apresentaram várias teorias para explicá-la, como algum tipo de lesão cerebral ou nervosa ou ainda uma disfunção congênita. Mas já são mais de 70 os nomes utilizados para descrever seus diferentes aspectos. O fato é que a maioria das teorias foi formulada para explicar sintomas ou características da dislexia, e por que o transtorno ocorreu. A novidade que Davis propõe é a correção da dislexia.
Para Davis, a orientação — compreendida como a capacidade de ver, ouvir ou sentir o mundo exterior a partir de um ponto de vista que faz sentido para a pessoa — é fundamental. Por essa razão ele propõe que as palavras que causam problemas para os disléxicos — que ele chama de palavras-gatilho —, que têm significados e, freqüentemente, vários sentidos diferentes, além de serem comuns na linguagem escrita e falada do dia-a-dia, sejam listadas e trabalhadas com os disléxicos.
Além de dedicar capítulos especialmente aos problemas enfrentados pelos disléxicos com a matemática e a escrita, que tanto preocupam os pais, Davis aborda o Transtorno de Déficit de Atenção (TDA). Ele faz uma dura crítica à freqüência com que escolas vêm utilizando essas palavras para definir um transtorno de aprendizagem, quando, na verdade, se trata de problemas distintos.
"Na maioria dos casos, não se deveria falar em transtorno de aprendizagem, mas em transtorno de ensino. Existe um transtorno médico genuíno chamado TDA que impede a pessoa de manter a atenção. (...) Atualmente, muitos estudantes que não conseguem manter a atenção fixa por muito tempo numa tarefa estão sendo diagnosticados como portadores de TDA. Diz-se a seu respeito que se ‘distraem facilmente’. Levam sua atenção a outras coisas no ambiente em vez de se manterem ligados no que o professor determinou. Às vezes, o problema da TDA é acompanhado de uma segunda condição, a hiperatividade. Ambas têm suas raízes nas diferenças do desenvolvimento das crianças disléxicas durante a primeira infância." Davis sustenta que é natural e fácil para as crianças disléxicas prestar atenção, o difícil para elas é se concentrar. E que, "geralmente, são os disléxicos que são rotulados com a etiqueta hiper por causa dos efeitos físicos da desorientação. Os estudantes, em sua maioria, simplesmente ficam entediados e lutam para permanecer acordados quando estão desinteressados ou confusos. Os disléxicos se tornam também desorientados"
E o autor dá uma alfinetada na porção de culpa das escolas. "Aprender a ficar orientado elimina os sintomas de desorientação, mas nunca tornará um estudante interessado numa matéria que está sendo dada pobremente. É interessante notar que professores muito bons raramente parecem ter estudantes que sofrem de TDA em suas classes, apesar de alguns destes mesmos estudantes serem tachados de portadores de TDA em outras classes.
O livro O dom da dislexia – Por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender foi impresso com uma fonte maior do que o habitual e com cuidado de só permitir o aparecimento de palavras divididas no fim de uma linha quando não houvesse alternativa. Isso para fazer com que a leitura do livro se torne mais agradável para algum possível disléxico que desejar lê-lo. Além disso, o livro apresenta uma série de exercícios das técnicas criadas pelo autor para ajudar os disléxicos a desenvolverem seu dom.
abril 27, 2008
O sistema lingüístico influencia o aprendizado matemático:

Quando se trata de bom aproveitamento escolar, o cérebro representa apenas um tijolo entre vários outros – um tijolo indispensável, é verdade, mas não suficiente para se compreender todos os aspectos do aprendizado. Assim, por exemplo, a habilidade de se fazer cálculos também está inserida em um contexto cultural, o que não é levado em consideração quando se mede a atividade neuronal.
O sistema lingüístico influencia o aprendizado matemático: como os números em chinês (“dez-um”, “dez-dois” e assim por diante) são formados de maneira mais regrada que em inglês, em média, as crianças orientais aprendem a trabalhar com quantias a partir de dez mais cedo que os estudantes americanos. Essa foi a conclusão de estudos comparativos realizados pelo psicólogo Kevim Miller, da Universidade de Illinois, Estados Unidos. E de acordo com a forma como os números são nomeados – se primeiro as dezenas e depois as unidades, como em 80 e dois ou, ao contrário, como em alemão zweiundachtig (dois e 80) ou quando expressões mais complicadas como o francês quattre-vingt-deux devem ser aprendidas – os professores se utilizam de diferentes ferramentas pedagógicas.
O domínio da própria língua materna ou mesmo a capacidade de andar ereto são resultados de uma aprendizagem privilegiada, a que o homem está predestinado. Ele ocorre segundo programas biológicos relativamente fixos em fases sensíveis do desenvolvimento. Por outro lado, no caso da aquisição de conhecimentos escolares, o chamado aprendizado não privilegiado está em primeiro plano: aqui, são os fatores sociais e culturais que definem em primeira instância quando os processos de aprendizagem devem ser iniciados e como devem ocorrer.
Para técnicas culturais como a leitura, a escrita ou o cálculo, o cérebro humano não possuiu nenhum módulo de aprendizado automático. Sua aquisição depende mais decisivamente de conhecimentos preexistentes. Para que as crianças aprendam o conceito físico de densidade, elas precisam, antes, saber lidar com conceitos como peso e volume. Para aprender que as baleias não são peixes, mas mamíferos, elas antes precisam compreender que os animais não são classificados de acordo com a sua aparência nem seu habitat, mas sim com a forma como se reproduzem.
Quanto melhor organizada a base de conhecimentos prévios, mais fácil será o aprendizado não privilegiado. Portanto, para melhorar suas aulas, os pedagogos devem saber exatamente quais conhecimentos prévios os alunos devem ter para que seus objetivos didáticos possam ser atingidos e quais conceitos cognitivos as crianças utilizam para solucionar novos problemas: por exemplo, de que conceitos intuitivos eles dispõem para lidar com quantidades e números e como eles podem ser utilizados? Tais questões não podem ser descritas neurofisiologicamente. Os métodos e conceitos da psicologia são aqui insubstituíveis.
Assim, a contribuição dos pesquisadores do cérebro para os estudos do ensino e do aprendizado não se compara à dos físicos para a engenharia. A neurobiologia, porém, pode nos fornecer elementos para um melhor diagnóstico e explicação de distúrbios cognitivos e para ajudar a identificar habilidades inatas – contanto que ela trabalhe conjuntamente com análises comportamentais baseadas em conceitos psicológicos.
Obs.: Matéria extraída da Revista Viver – mente e cérebro
(Edição n.º 157 – fevereiro/2006)
Colaboração: Ralph Schumacher
Ilustrações: Luiz Cláudio
MANTEIGA NO PÃO, LÁPIS NA MÃO !!

Passar manteiga no pão
Não necessariamente. Mesmo que usemos nossas mãos tanto para passar manteiga no pão como para escrever, ninguém chegaria à conclusão de que passar manteiga no pão é a melhor forma de se preparar para escrever. O fato de os mesmos processos cerebrais serem responsáveis pela realização de duas habilidades diferentes não significa que podemos tirar conclusões a respeito de como estimulá-las.
No cérebro infantil, contar nos dedos exige a participação de regiões que realizam operações matemáticas complexas nos adultos; isso é muito interessante do ponto de vista dos pesquisadores. Mas somente estudos adequados sobre desenvolvimento poderiam comprovar se usar os dedos para contar, na infância, ajuda a melhorar posteriores habilidades matemáticas de uma pessoa. Resultados obtidos por um grupo de psicólogos de Freiburg, Alemanha, coordenados por Burkhart Fischer, sugerem que crianças “que contam nos dedos” provavelmente possuem apenas dificuldade em conceituar quantidades.
Obs.: Matéria extraída da Revista Viver – mente e cérebro
(Edição n.º 157 – fevereiro/2006)
Colaboração: Ralph Schumacher
Ilustrações: Luiz Cláudio
Então, como diagnosticar a dislexia?
Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso.A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO DIFERENCIAL MULTIDISCIPLINAR.
COMO É A VIDA DE UMA PESSOA COM DIS...
Saiba , que entendo muito bem , quando vc fala (mal sabem eles o que tenho de fazer para chegar ate onde cheguei.... ´´e horrivel para mim. Agora vou ter que enfrentar um exame da ordem. Nao sei se mostro que sou dislexica ou nao para fazer a prova. Tenho que decidir, gostaria que vcs me orientasse o que devo fazer) vou te dar varias razões, para você não esconder que é dislexica, e outras tantas mais para você se cuidar e se respeitar em quanto há tempo. Seja quem você realmente é !!! Não seja preconceituosa com você mesma , como eu fui, por pura falta de conhecimento , coisa que você já tem.
e o mais importante ...tem a conciência dos seus direitos como cidadã. O meu conselho é: exerçar seus direitos e cumpra seus deveres, como ser pensante e atuante na nossa sociedade.
como vc sabe , também sou dislexica, mas só tive conciência do que estava acontecendo comigo, depois que ...já tinha meu emocional todo comprometido.
E mesmo assim , tive que passsar por mentirosa, pois já havia passado em um concurso publico, atuava como professora alfabetizadora e estava fazendo uma graduação em pedagogia. E te digo ...só eu e deus, sabia o que eu escondia !!!
Vivi toda minha vida com medo, e com vergunha , quando alguèm percebia meus erros ortograficos ,minha total incapacidade de escrever ao mesmo tempo que outra pessoa falava, não consiguia anotar as informações.
Com tudo isto, fui desfaçando para conseguir viver neste mundo letrado!!!
Até que minha mente e meu corpo , não suportou o estress!!! E tudo ficou encontrolavel, entrei em um processo de depressão, ansiedade e hiperatividade , altissimo.
Foi quando , fui em busca de ajuda medica. Sem saber o que eu escondia...os profissionais de saúde, se desdobraram em busca de explicações para o meu estado de saúde. Cada um chegou a um diagnostico conclusivo.
O psiquiatra, depressão e asiedade, que deveria ser trabalhada com terapia e medicação. A psicologa, hiperatividade causada por meu comportamento obcessivo de perfeição, e fata de confiança, deveria tentar me concentrar melhor no presente. O reumatologista, para ele eu estava com fibromialgia e outras coisas, causadas pelo estress, elevado, seria necessario procurar auternativas de relaxamento, e medicação. Fiz , hidroterapia, acupuntura, rpg , caminhada, cessão de relaxamento mental, com os psicologos, participei de programas para levantar minha auto-estima. Mais nada adiantava...tive outros sintomas, como gagueira, que foi trabalhado com a fonaldiologa. Labirintite, refluxo, que foram tratados por medicos da aréa, especialistas.
Depois tive problemas na visão, ai foi que tudo se entrelaçou, o oftalmologista , pedio um exame para descartar , adivinha o que?
Esclerose multipla....ai na resomância deu possitivo!!! E tudo levava a crer, neste diagnostico, quando se juntava tudo o que estava acontecendo com o meu corpo!!!
Pensa que acabou por ai!!?? Não! Tudo só estava recomeçando...
Mas paralelo a tudo isto, que vinha se passando, eu não parei de estudar, herá ponto de hora!!Para mim!! Fiquei de licença do trabalho , para tratamento, e ainda tive que enfrentar a doença da minha mãe que estava com o diagnostico de câncer. E meus filhos confusos e em plena adolecência. Eu estava completamente perdida!!!! Sem estrutura emocional, e sem controle cognitivo, esquecia as coisas , chorava muito,comecei a escrever e ler com muito mais dificuldades , já estava saindo da realidade, que me parecia um pesadelo!!
Mas, como uma boa dislexica, até então sem saber, não deixei de lutar contra o mundo. E quando estava fazendo minhas pesquisas para o trabalho do tcc, para conclusão do curso de graduação em pedagogia, sobre o tema que mais mim encomodava, os erros ortograficos em sala de aula e a visão do professor, quanto os problemas de aprendizagem. Por acaso, entrei no site da associação brasileira de dislexia, e quando estava lendo um depoimento de um dislexico adulto!!! O chão se abriu e o céu também...e as coisas foram tendo sentido, minha vida tava fazendo sentido. Eu estava diante , de uma explicação para a minha total "burrice"!!! Diante dos meus maiores medos, das minhas grandes vergunhas, das minhas piores dificuldades, e de tudo o que eu fazia questão de esconder, que erá a minha incompetência, diante do desafio de ler e escrever!!!
Mas o que eu julgava ter diante de me, toda solução para explicar todos as minhas angustias, sem fundamento , porquê , agora haveria uma razão. Senti meu esprírito leve, despreoculpado, pensei, agora não vou mais ter que mentir , tenho que revelar o meu maior segredo, e só atravez desta revelação serei liberta do medo, da vergunha, desta vida prisioneira da culpa de ser o que eu herá!!!
Bem , caros colegas, as coisas não foram, e não são tão faceis deste jeito que pensei...todos os profissionais de saúde que estavam , cuidando do meu equilibrio, duvidaram da minha verdade. Passaram a olhar , para me, como se eu estevesse, louca...e se perguntavam!!???
E questionavam, como eu tinha dislexia e tinha chegado onde cheguei sem ajuda!!??? Como eu saberia ler e escrever !!??? Porquê, e como poderia ter escondido isto!!!?? Bem , as respostas para estas perguntas, só eu e deus sabe o que tive que fazer,e tive que reunir forças,buscar conhecimento para meus argumentos e levanta uma quantia em dinheiro, para ir até são paulo, o unico lugar , onde teria profissionais seguramente competêntes para fazer o diagnostico, porquê todos os outros se mostravam completamente impossibilitados para assinar um laudo fechado de um diagnostico sobre dislexia.
E neste exato momento , luto contra todos os mesmos, sentimentos e há todos os mesmos pré-conceitos. E tenho que usar os mesmos meios para continuar sobrevivendo. Mas com uma diferênça fundamental,hoje já não tenho tanta vergonha de escrever errado, entendi que isto não mim tira o direito de ser respeitada e que sou competente e capaz .
Imagina ser ...professora alfabetizadora, pedagoga e atualmente estou fazendo pós- de psicopedagogia. Se tenho dificuldades...claro!! Se vejo discriminação nos olhos de muitos ...simmm!!! Fui aposentada pelo governo do distrito federal, por razões óbvias, que já não tenho forças para questionar.
Mas o que mais importa é que dessidi ir á luta, por mim e por nós!!
Quero que todo disléxico assuma sua condição, não somos doentes para procurar há cura...devemos ir a procura do entendimento do nosso ser pensante e atuante , diante desta sociedade letrada e preconceituosa.
Abjncrção!
Elizabete aguiar.
Perfil profissional:
Profª Elizabete M. Rodrigues R. da R. Aguiar.
Graduada em Pedagogia – UNB.
Especialização em Psicopedagogia Reeducativas Clínica e Institucional –UniEvangelica
Especialista e Neuropedagogia e Psicanálise – FTB.
Dir. Adm. Adjunta da Associação de Psicopedagogia – ABPp- Seção BRASÍLIA.
Profª da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal – GDF.
Consultoria e Assessoria em Psicoeducação.


